cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Sou Professora Doutora em Comunicação e Semiótica , escritora e psicanalista lacaniana. Idealizadora do curso de Pós-graduação em Cinema do Complexo FMU e indicada ao Prêmio Jabuti em 2013. Autora do blog Garota desbocada. Meu canal no You Tube é Sílvia Marques Garota desbocada.

Deixe o passado ir...

Muitas vezes nos agarramos a um amor antigo que deu errado para evitar as possíveis dores e decepções de um novo amor. Ás vezes nos agarramos inutilmente a ideia de que o nosso tempo de ser feliz já passou para fugir de uma alegria que não conseguimos suportar. Pode soar estranho, mas nem sempre estamos preparados , nem sempre somos fortes e corajosos o bastante para suportar as alegrias de uma vida nova, de um amor renovador , de possibilidades inesperadas.


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O atual post é quase que um mantra para mim mesma , pois deixar o passado ir foi sempre uma tarefa homérica para mim. Pessoas com temperamento mais nostálgico tendem a se agarrar às glórias e às tristezas do passado. Costumam viver de lembranças, tanto das alegres como das amargas que corroem o coração.

Dizer adeus ao passado exige um desprendimento enorme , uma capacidade de reinvenção comovente. Admiro profundamente quem consegue fechar portas sem olhar para trás. Embora sejamos constituídos por nosso passado, a vida caminha para frente. Às vezes, podemos lembrar do passado para evitar algumas esparrelas. Sim, aprendemos com o passado se tivermos maturidade emocional e sensibilidade para absorver a mensagem essencial de determinadas experiências.

Porém, cada situação que vivenciamos é única. Se o passado nos oferece diretrizes para evitarmos determinados caminhos , por outro lado, nenhum fato ocorrerá de forma idêntica em nossa vida e o que pode ter dado errado no passado, pode dar certo no presente e vice-versa.

Mas em alguns momentos deixar o passado ir é quase uma questão de sobrevivência. Ou nos agarramos ferozmente ao que passou ou vivemos o presente. Pensar no passado não chega a ser um problema. O perigo acontece quando deixamos de viver o presente para remoer o passado, para ruminar tudo o que deu errado e usar as mazelas de outras experiências para se fechar para tudo aquilo que está por vir.

Muitas vezes nos agarramos a um amor antigo que deu errado para evitar as possíveis dores e decepções de um novo amor. Ás vezes nos agarramos inutilmente a ideia de que o nosso tempo de ser feliz já passou para fugir de uma alegria que não conseguimos suportar. Pode soar estranho, mas nem sempre estamos preparados , nem sempre somos fortes e corajosos o bastante para suportar as alegrias de uma vida nova, de um amor renovador , de possibilidades inesperadas.

Falamos muito sobre a felicidade, mas lá no fundo, temos medo dela. Para muitos , ser triste é mais simples, é mais orgânico. Somos mais livres e destemidos quando somos tristes pois não temos nada a perder. Como diria um amigo querido sobre o amor , falo sobre a felicidade. Para ele , amar era estar diante de um abismo. Para mim, amar e ser feliz é estar diante de um abismo...mas , talvez, não veja muita diferença entre amar e ser feliz. Para mim, felicidade sem amor é conforto, bem estar. Amor sem felicidade ainda é amor.

Sim, às vezes precisamos deixar o passado ir com um beijo suave no rosto. Sem mágoas. Sem ressentimentos, para que tudo que está por vir possa invadir e tomar a nossa vida, nos fazendo construir um presente mais bonito, que se tornará um passado digno de ser recordado.


Sílvia Marques

Sou Professora Doutora em Comunicação e Semiótica , escritora e psicanalista lacaniana. Idealizadora do curso de Pós-graduação em Cinema do Complexo FMU e indicada ao Prêmio Jabuti em 2013. Autora do blog Garota desbocada. Meu canal no You Tube é Sílvia Marques Garota desbocada. .
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