cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Filmes que mostram a multiplicidade da sexualidade

Ser homem vai muito além de ter um pênis. Ser mulher vai muito além de ter uma vagina. Pode soar óbvia a minha afirmação, mas muitas pessoas ainda acreditam que é o genital que define a nossa sexualidade. Que alguém com pênis precisa necessariamente se interessar sexualmente e afetivamente por mulheres e que alguém com um genital feminino precisa necessariamente desejar homens.


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A garota dinamarquesa

Como venho repetindo de forma exaustiva em meus artigos, o cinema é uma poderosíssima ferramenta para conhecer o mundo com suas múltiplas possibilidades. O cinema é um meio eficaz e contundente para fazer pensar. Falar sobre cinema é falar sobre milhares de temas. O cinema dialoga com a Antropologia, com a Sociologia , com a Psicologia , Psicanálise, com as outras artes , se nutrindo e se reinventando com a estética da Pintura , do Teatro, da Literatura , da Música. O cinema dialoga com a História, com a Política. Enfim, com qualquer tipo de saber. E da mesma forma que é influenciado por outras artes , influencia outras linguagens.

No atual post , vou comentar sobre a importância de alguns filmes que mostram a multiplicidade da sexualidade, que mostram que sexo é algo bem diferente de sexualidade. Sim, podemos nascer com o genital masculino ou feminino. Em raros casos , com os dois. Mas a presença de um pênis não garante a sexualidade masculina da mesma forma que a presença de uma vagina não garante a sexualidade feminina. Ser homem vai muito além de ter um pênis. Ser mulher vai muito além de ter uma vagina. Pode soar óbvia a minha afirmação, mas muitas pessoas ainda acreditam que é o genital que define a nossa sexualidade. Que alguém com pênis precisa necessariamente se interessar sexualmente e afetivamente por mulheres e que alguém com um genital feminino precisa necessariamente desejar homens.

A seguir , comentarei alguns filmes que mostram diversos tipos de orientação sexual. Como o tema é por demais amplo e complexo, não darei conta de citar todos os tipos existentes.

1. A garota dinamarquesa, de Tom Hooper

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Neste sensível filme baseado em fatos reais , encontramos uma caso de transexualidade. O pintor Ernie é uma mulher presa no corpo de um homem. Ernie é a primeira pessoa a fazer a operação para mudança de sexo. Lili quer se vestir como mulher e se relacionar afetivamente com homens. Lili queria ser mãe.

2. Uma nova amiga, de François Ozon

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Neste poético e intrigante filme francês, o personagem protagonista também gosta de se vestir como mulher pois também se sente como mulher. Como Ernie, tem uma alma feminina. Mas diferentemente de Ernie, David gosta de se relacionar sexualmente e afetivamente com mulheres. Em suma: David é uma mulher homossexual presa no corpo de um homem. Por meio de David , Claire, melhor amiga da esposa falecida de David , vai descobrir sua homossexualidade. Embora David e Claire pareçam um casal heterossexual, eles formam um casal de lésbicas.

3. XXY , de Lucía Puenzo

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Este intrigante filme argentino mostra como protagonista uma hermafrodita que pende mais para o sexo feminino no que diz respeito ao corpo, mas que se sente homem emocionalmente. Ela/ele se envolve com um garoto homossexual. No encontro sexual entre ambos, a hermafrodita assume o papel masculino sodomizando o garoto homossexual, embora tome medicamentos para desenvolver mais os caracteres femininos.

4. Azul é a cor mais quente, de Abdellatif Kechiche

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Neste polêmico, romântico e sensual filme sobre o encontro amoroso entre duas garotas homossexuais, podemos encontrar uma particularidade interessante: Emma é realmente homossexual. Adéle é homossexual, mas consegue se relacionar com homens. Em suma: apesar de homossexual, não repele o sexo masculino.

5. Effie Gray: uma paixão reprimida , de Richard Laxton

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Baseado em fatos reais, a jovem Effie passa por um verdadeiro calvário a se casar com um homem que se nega a manter relações sexuais com ela. A trama acontece na Inglaterra do século 19. Até hoje , os historiadores tentam descobrir o que tanto repeliu o marido de Effie ao vê-la nua em sua noite de núpcias. Ela conseguiu anular o casamento alegando impotência sexual, mas na realidade não fica claro o problema que seu marido apresentava : se era um homossexual enrustido ou se era um assexuado. Um filme realmente intrigante e magnético sobre os horrores da rejeição.

6. Tudo sobre minha mãe, de Pedro Almodóvar

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Neste comovente e humanístico filme, encontramos dois personagens que são travestis. Em suma: se vestem como mulher , preferem manter relações sexuais com homens , mas possuem o genital masculino. O ex-marido da protagonista vivida pela argentina Cecília Roth possui pênis e seios. O mesmo acontece com a bondosa Agrado, melhor amiga da protagonista Manuela. Neste filme , Penelope Cruz vive uma jovem freira que engravida do ex-marido travesti de Manuela, o que intriga a protagonista, levantando a hipótese de que talvez a freira tenha tendências bissexuais.

Em resumo: o cinema nos ajuda a entender que a vida é muito mais complexa e intricada do que imaginamos. Que tratar um tema como sexualidade é coisa muito séria e que deveríamos primeiramente tentar conhecer mais sobre as orientações sexuais antes de formar opiniões fechadas a respeito. Infelizmente , o cinema é utilizado pela maioria das pessoas como um mero entretenimento, uma fuga da realidade monótona por meio de filmes e personagens fantasiosos e enredos pasteurizados.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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