cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Sou Professora Doutora em Comunicação e Semiótica , escritora e psicanalista lacaniana. Idealizadora do curso de Pós-graduação em Cinema do Complexo FMU e indicada ao Prêmio Jabuti em 2013. Autora do blog Garota desbocada. Meu canal no You Tube é Sílvia Marques Garota desbocada.

Se a gente sente , a gente expressa

Da mesma forma que é complicado dissimular um interesse ou simpatia por quem não gostamos ou não temos vontade de conhecer , é muito duro disfarçar o carinho e o amor que temos por quem não queremos desejar. Quando alguém é realmente indiferente a nós , a frieza flui de forma orgânica , natural. Quando alguém finge nos desprezar , até mesmo os gestos de desatenção são cheios de intencionalidade , são cheios de uma profunda vivacidade.


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Cena do filme Cisne negro

Sim, se a gente sente , a gente expressa. Ouvi esta frase há muito tempo. Foi uma professora de teatro que disse. Concordo. Nós temos energia e mesmo quando simulamos carinho, boa vontade , educação, mas não sentimos de fato nenhum tipo de afeto e consideração pelo outro , expressamos a nossa antipatia e frieza mesmo usando palavras polidas.

Quem ama e quem detesta , não consegue ocultar por mais que tente , por mais que se esforce. Alguns fingem melhor. Outros nem tanto. Muitos são demasiadamente transparentes e o que a boca diz é completamente desmentido pelos olhos.

Da mesma forma que é complicado dissimular um interesse ou simpatia por quem não gostamos ou não temos vontade de conhecer , é muito duro disfarçar o carinho e o amor que temos por quem não queremos desejar. Quando alguém é realmente indiferente a nós , a frieza flui de forma orgânica , natural. Quando alguém finge nos desprezar , até mesmo os gestos de desatenção são cheios de intencionalidade , são cheios de uma profunda vivacidade.

Por tal razão, creio eu, nos sentimos tão à vontade ou tão desconfortáveis perto de determinadas pessoas. Não é preciso ser ofendido ou mal tratado de forma objetiva para sentirmos que não cabemos naquele lugar , que sobramos , que incomodamos de alguma forma.

Por tal razão, algumas pessoas sabem do amor do outro mesmo antes de ouvir uma declaração explícita. Por tal razão, ficamos mais felizes perto de algumas pessoas do que de outras. Por tal razão, sentimos que podemos confiar ou não. Obviamente , às vezes , a intuição falha e a gente se desaponta. Mas , normalmente , se formos bem atentos e sensíveis , conseguimos captar muitas coisas. Mas para captar , além de atenção e sensibilidade, precisamos também querer captar ...mas este tema fica para outro post.

Enfim, quem sente , expressa: no teatro, nas artes de um modo geral, na vida. Quem sente , deixa escapar de alguma forma o que passa em seu coração , mesmo que não deseje se revelar. Pessoas muito transparentes acabam fazendo inimizades porque não conseguem disfarçar o que pensam e o que sentem , mesmo quando se esforçam. Mais do que a grosseria proposital, um desafeto, uma antipatia camuflada pode doer muito mais, pois uma grosseria proposital pode ser um gesto de amor contrariado ou inveja. Mas a indiferença ou uma antipatia camuflada é apenas indiferença ou uma antipatia mesmo.


Sílvia Marques

Sou Professora Doutora em Comunicação e Semiótica , escritora e psicanalista lacaniana. Idealizadora do curso de Pós-graduação em Cinema do Complexo FMU e indicada ao Prêmio Jabuti em 2013. Autora do blog Garota desbocada. Meu canal no You Tube é Sílvia Marques Garota desbocada. .
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