cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

É possível ser feliz fora dos padrões?

Mas voltando à pergunta inicial: É possível ser feliz fora dos padrões? É possível ser feliz quando a gente se diverte e se realiza e se sente bem, mas para os olhos da sociedade a gente fracassou? É possível ser feliz quando a gente não fez a lição de casa para brincar no pátio da escola?


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Cena do filme Foi apenas um sonho

É possível ser feliz fora dos padrões? Felicidade não oficial também é felicidade? Felicidade pessoal que não é reconhecida como felicidade pelos outros continua nos fazendo feliz? Talvez, se quisesse um mergulho mais profundo, deveria perguntar: Existe felicidade? Ou o que existe são momentos incríveis e passageiros que nos fazem ter coragem para enfrentar os momentos maus e tristes?

O conceito de felicidade já é bastante fugidio, pois não está exclusivamente relacionado a motivos objetivos. Muitas vezes, ingenuamente , achamos que somos felizes quando conseguimos o que queremos ou imaginamos querer. Obviamente , realizar desejos é delicioso, mas por outro lado, as estatísticas mostram que nem sempre aqueles que cumpriram mais metas e conquistaram mais feitos são os mais felizes.

A felicidade é um estado de espírito altamente frágil e complexo, que pode ser despertado por grandes realizações ou simplesmente por uma pequena motivação. Às vezes, nos sentimos felizes sem saber exatamente o porquê.

Em outros casos, objetivamente falando, tudo está perfeito, mas sentimos que falta algo, um toque de emoção, um sentido mais profundo para aquilo que vivenciamos. E a não detecção da nossa insatisfação pode se reverter em mais uma razão para se sentir infeliz. Quando temos tudo para ser feliz, na opinião da sociedade, e não nos sentimos, pode surgir um incômodo sentimento de culpa.

Mas voltando à pergunta inicial: É possível ser feliz fora dos padrões? É possível ser feliz quando a gente se diverte e se realiza e se sente bem, mas para os olhos da sociedade a gente fracassou? É possível ser feliz quando a gente não fez a lição de casa para brincar no pátio da escola?

É possível ser feliz quando a gente não vive uma vida de status social, quando a nossa felicidade não incomoda nem desperta inveja nos outros? Quando a nossa felicidade não tem glamour? Quando a nossa felicidade não nos faz ascender na escala social? Quando a nossa felicidade tem gosto de pastel de feira com caldo de cana?

É possível ser feliz sem os aplausos alheios? É possível ser feliz quando aqueles que nos cercam consideram nossas realizações pequenas e desimportantes? Quando não fazemos aquilo que esperam de nós, de alguém da nossa etnia, da nossa faixa etária , da nossa classe social?

É possível ser feliz mesmo quando as pessoas que mais amamos olham para a nossa felicidade com condescendência, como olhamos para aqueles que julgamos vítimas? Enfim, é possível ser feliz fora daquele esquema básico de casamento convencional com dois filhos ( de preferência um menino e uma menina) emprego em multinacional, conta bancária gorducha e corpo magérrimo? É possível ser feliz sem casa própria em bairro de luxo, carro do ano e o último modelo do smartphone?

É possível ser feliz sem viajar nas férias para os locais da moda, sem possuir uma profissão valorizada pela sociedade? É possível ser feliz quando o nosso estilo de vida não serve de paradigma para ninguém?

Minhas perguntas são retóricas. Creio que cabe a cada um respondê-las na intimidade do próprio coração.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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