cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Erotismo e arte: um diálogo eloquente e ardente

Existem aqueles que intuitivamente compreendem o amor de uma maneira muito profunda , transformando pequenos gestos banais em gestos grandiosos , cheios de movimento orgânico e brilho natural.


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Cena do filme Frida

Os artistas sabem bem o quanto o amor é uma fonte rica de inspiração para os textos mais profundos , para os quadros mais viscerais , para as músicas mais pulsantes. Os artistas sabem bem como o próprio desejo de escrever , de pintar , de esculpir , de compor é ardentemente amoroso.

Sempre houve e sempre haverá um diálogo eloquente e ardente entre o erotismo e a arte. O fazer artístico é um ato de amor sob as suas mais diversas faces: algumas mais ternas , outras mais indignadas. Existem aquelas completamente revoltadas e irreverentes. Existem algumas que até parecem uma ode ao ódio e ao escárnio. Mas lá no fundo, continuam sendo sobre o amor. Continuam sendo inspiradas pelo amor. Um amor contrariado, feroz, magoado.

Se o amor inspira a arte , se a arte é um ato de amor, a recíproca também é verdadeira. O viver amoroso é também uma modalidade de arte. Uma arte cotidiana. Uma arte que não pode ser exibida, mas que não deixa de ser arte. Algumas pessoas são verdadeiras artistas quando o tema é o amor.

Se existem as pessoas inspiradas para os negócios, para a solução de problemas práticos, se existem as pessoas inspiradas em levar a vida de boa , com sabedoria , sem dar muito peso a problemas menores, se existem as pessoas inspiradas quando o tema é educar filhos ou se divertir , existem aqueles que intuitivamente compreendem o amor de uma maneira muito profunda , transformando pequenos gestos banais em gestos grandiosos , cheios de movimento orgânico e brilho natural.

Sim, se precisamos do amor para fazer a arte , se a arte em si é um ato de amor, o amor também é uma forma de fazer arte. Trabalhei este tema no meu romance O corpo nu, ao narrar a trajetória de uma pintora extremamente sensível que quanto mais se descobre como mulher e desnuda as obscuridades e potencialidades do seu desejo , mais se descobre como artista.

Muitos filmes importantes trabalharam lindamente bem este tema. Entre eles , um que merece destaque é Frida. Inspirado na vida da pintora mexicana Frida Khalo, esta obra ressalta os fortes laços entre os dramas do amor com a brutalidade da arte. Modigliani: Paixão pela vida é outro exemplo de filme visceral que mostra o encontro marcante entre o amor e a arte.

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Cena do filme Modigliani: Paixão pela vida

Sylvia: paixão além das palavras narra parte da vida da escritora americana Sylvia Plath e como o seu desejo insaciável de amor a conduziu à literatura , mas também à tragédia. A compositora e maestrina brasileira Chiquinha Gonzaga , retratada por uma minissérie televisiva no final dos anos 1990, também foi um exemplo impactante de como amor e a arte caminham de mãos dadas.

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Cena do filme Sylvia: Paixão além das palavras

Muito se fala sobre o fazer artístico. Sabemos o quanto a técnica , o estudo, o afinco, enfim, a transpiração é fundamental para se fazer uma obra de arte , mas como disse Mozart, "para fazer uma obra de arte não basta ter talento, não basta ter força, é preciso também viver um grande amor.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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