cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Não tente fazer bolo de chocolate com mandioca

Da mesma forma que não conseguiremos fazer um bolo de chocolate com mandioca , não conseguiremos ter uma vida mais autêntica se insistirmos em supervalorizar a opinião alheia e padrões sociais muito rígidos.


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Se a gente quer fazer um bolo de chocolate , deve usar chocolate na receita. Se colocarmos mandioca na massa no lugar do chocolate em pó sairá um bolo completamente diferente do desejado. Tais afirmativas são óbvias mas, muitas vezes, na nossa vida a gente faz exatamente isso.

Obviamente , não temos o controle da situação o tempo todo. Para falar a verdade , creio que quase nunca temos. As nossas escolhas sofrem a interferência das escolhas das outras pessoas e nem sempre querer é poder. Por outro lado, insistimos em alguns padrões que não funcionam. Agimos da mesma forma esperando resultados diferentes.

Se não podemos evitar que as atitudes das outras pessoas nos afetem e nos prejudiquem de alguma forma, por outro lado, podemos desviar de alguns caminhos perigosos ou fadados ao fracasso. Podemos sim aprender com experiências anteriores embora cada experiência seja única. Nada realmente se repete , nada realmente acontece de forma idêntica em nossa trajetória, mas é possível estabelecer alguns pontos em comum e nos poupar de algumas dores de cabeça pulando fora antes de dar problema.

Da mesma forma que não conseguiremos fazer um bolo de chocolate com mandioca , não conseguiremos ter uma vida mais autêntica se insistirmos em supervalorizar a opinião alheia e padrões sociais muito rígidos.

Se desejamos uma vida mais simples, sem muitos protocolos sociais, devemos nos juntar com pessoas mais espontâneas, menos formais. Se desejamos mais tempo livre , devemos abrir mão de alguns luxos. Se desejamos uma vida com menos rotina , devemos arrumar um trabalho com horários mais flexíveis, fazer amizade com pessoas que curtem mais imprevistos.

Se desejamos viver o amor e não simplesmente formar um par com alguém, devemos abrir mais o coração, correr mais riscos, deixar alguns preconceitos de lado, se doar mais. Se desejamos relacionamentos mais seguros e fortes, devemos abrir mão de um pouco da nossa liberdade e se desejamos liberdade irrestrita , devemos aceitar a possibilidade de relações mais descompromissadas.

Enfim, a vida é feita de escolhas e dependendo da receita desejada, são os ingredientes que devemos usar. Sim, o que digo soa muito óbvio e parece muito simples na teoria, mas na prática não é tão tranquilo assim. Vemos pessoas querendo encontrar o amor , mas se relacionando apenas com gente superficial e egoísta. Vemos gente querendo se realizar profissionalmente, mas sem coragem para investir naquilo que gosta. Vemos pessoas reclamando do excesso de rotina, mas incapazes de se deixarem levar por um convite de última hora.

Sabemos que não há nada mais difícil do que quebrar um círculo vicioso, abandonar um vício, um mau hábito. Por mais que estejamos sofrendo, nos acostumamos com certos padrões e tememos o novo, mesmo que ele soe muito melhor. Sim, na teoria é tudo muito simples. Mas ser difícil não significa ser impossível. E como se diz, as melhores coisas são aquelas pelas quais nós lutamos porque durante a luta nós percebemos o valor que elas têm.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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