cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Por que ainda hierarquizamos o conhecimento? Uma reflexão sobre o novo plano educacional para o ensino médio

Se o plano permitir a possibilidade de excluir disciplinas como Física, Química e Biologia na segunda metade do Ensino Médio da mesma forma que será possível excluir Sociologia , Filosofia , Artes , Educação Física e Espanhol, me parece que o plano é interessante e ousado. Porém, se a ideia é apenas dar liberdade em relação às disciplinas que estimulam o senso crítico, me parece que o plano visa a formação de mão de obra especializada e não pensante.


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Cena do filme Sociedade dos poetas mortos

Para iniciar o atual artigo, gostaria de deixar bem claro que o meu posicionamento não apresenta nenhuma relação de defesa ou ataque a nenhum partido político ou candidato, até mesmo porque concordo com o pensamento de Darcy Ribeiro quando este afirmou que "a crise da Educação no Brasil não é uma crise; é um projeto".

Em resumo: meu texto não adota a linha de pensamento ao estilo fla/flu ou Dilma/Temer. O país se polarizou politicamente e de forma maniqueísta muitos acreditam que todo o bem e todo o mal residem no mesmo individuo ou partido. Como diria o professor e historiador Leandro Karnal, feliz daquele que crê que todos os problemas se reúnem num mesmo partido ou indivíduo. Se tal teoria fosse verdadeira , bastaria exterminar a fonte do mal e todos viveriam felizes para sempre.

Somos uma nação corrupta. Mais do que isso. O nível intelectual médio do brasileiro é baixo. Em muitos países da Europa , não é preciso chegar ao ensino superior para conhecer bem a língua materna , para gostar de ler, para ser politizado ou conhecer filmes importantes. No Brasil, muitos estudantes chegam às universidades com sérias deficiências gramaticais e forte intolerância ao pensamento crítico e à execução de qualquer atividade que exija mais concentração.

Nesta semana , vi que a Argentina adotará o Cinema como disciplina do ensino fundamental. Escrevo sobre este tema e o discuto bastante em sala de aula. Confesso que senti inveja. Enfim, um país vizinho adota o Cinema como disciplina obrigatória pois o entende como uma rica fonte de conhecimento, como uma fonte catalisadora para mudanças na forma de pensar e agir a longo prazo.

Do nosso lado, pensa-se em tirar disciplinas como Artes, Filosofia e Sociologia. Ok. Elas continuarão sendo disponibilizadas. Mas no contexto brasileiro tornar algo opcional é o mesmo que excluir. Talvez, seja até pior porque tudo que é proibido instiga a curiosidade do jovem.

Entendo que por um ano e meio elas serão obrigatórias e apenas na segunda metade do Ensino Médio elas passarão a ser opcionais. Nada contra a possibilidade de escolher. Eu queria ter tido esta chance em minha época , mas não abandonaria estas disciplinas. Abandonaria outras. Por que Filosofia , Sociologia e Artes devem ser opcionais e as Ciências Naturais não? Qual é o critério?

Me parece que colocar algumas disciplinas como obrigatórias e outras como opcionais é apresentar de forma subliminar a ideia de que que algumas disciplinas são realmente necessárias e outras são apenas uma questão de gosto.

Não sou contrária a formação de um currículo mais flexível, um currículo que tenha mais a cara do aluno, que vá ao encontro das suas aspirações. O problema é o seguinte: Por que independente do gosto e das aspirações e talentos de cada um, algumas disciplinas são obrigatórias a todos e algumas opcionais?

Se o plano permitir a possibilidade de excluir disciplinas como Física, Química e Biologia na segunda metade do Ensino Médio da mesma forma que será possível excluir Sociologia , Filosofia , Artes , Educação Física e Espanhol, me parece que o plano é interessante e ousado. Porém, se a ideia é apenas dar liberdade em relação às disciplinas que estimulam o senso crítico, me parece que o plano visa a formação de mão de obra especializada e não pensante.

Como consequência da herança Positivista na Educação existe o mito de que as Ciências Naturais são mais importantes e que o fazer científico das áreas de Exatas e Biológicas é mais sério. A falta de exatidão das pesquisas de Humanas não deve ser vista como uma deficiência ou falta de comprometimento de seus pesquisadores. Por serem Ciências compreensivas , isto é , que buscam entender os porquês dos processos sociais e psíquicos , não é possível se chegar a respostas fechadas. Mas nem por isso os resultados alcançados são desimportantes. Bem, mas este tema ficará para um próximo post...

O atual tema permite muitas e muitas hipóteses e reflexões. Algumas , prefiro guardar para mim por serem meramente especulativas. De qualquer forma , o debate levantado e a polêmica gerada pelo tema já me parece um ponto positivo.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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