cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

A vida é agora

Às vezes, a gente não está preparado para viver um grande amor. Ligue o fodômetro. Quem realmente está preparado para o amor? Às vezes, a gente não está preparado para um novo desafio profissional. Ligue o fodômetro novamente. Quem realmente está imune aos perigos de um cargo mais exigente? Não se sente preparado para adotar um estilo de vida mais simples, com mais tempo livre? Fodômetro. Fodômetro. Fodômetro.


262425-970x600-1.jpg

Cena do filme Coração selvagem

A vida é agora. A vida não vai começar quando você entrar ou sair da faculdade, quando você casar, quando comprar uma casa , quando comprar um carro, quando fizer a viagem dos sonhos, quando reformar o apartamento, quando quitar as dívidas.

Ok.Ok.Ok. Viver com dívidas ou de aluguel ou com a casa desmoronando sobre a nossa cabeça não é a mais tranquila das tarefas. Mas se formos esperar pela perfeição para começarmos a viver , para começarmos a nos divertir , para começarmos a ser nós mesmos , talvez ( leia-se nunca) começaremos a ter uma existência significativa.

Quando temos um amor gostoso, falta grana. E se temos grana , falta tempo para usufrui-la. E se temos tempo livre , às vezes falta grana ou amor ou qualquer outra coisa mega importante.

Depois de comprarmos a tão sonhada casa , surge o mosquitinho da ambição que vai nos fazer desejar uma casa maior , com uma vista mais bonita , num bairro mais central ou mais silencioso. Depois da reforma do apartamento, vamos perceber que talvez gastamos dinheiro demais com detalhes que não eram tão importantes assim.

E depois de fazer a viagem dos sonhos , a que nos realizaria completamente , talvez percebamos que existem muitos outros itinerários mais interessantes. E quando comprarmos o carro, talvez , de vez em quando, sintamos saudade da época em que não o tínhamos.

E se não temos amor próprio , nem o maior e melhor dos amores vai resolver a nossa vida. E se temos grana , mas não temos tempo, a vida fica sem brilho. E se temos tempo, mas não temos dinheiro algum, a vida fica bem dura.

Enfim, quem espera pelo momento ideal para ser feliz corre o sério risco de passar a vida toda em stand by. Talvez , seja mais feliz aquele que sabe lidar com os imprevistos, se virar no caos , sorrir mesmo quando algo falta , saborear o momento mesmo quando ele não vem exatamente como o imaginamos.

Como disse um personagem do filme “Quando o coração floresce” , de David Lean, às vezes, a gente quer um filé e a vida oferece um ravióli. Sim. Concordo. Pegue uma taça de vinho que harmonize bem com massa e se lambuze.

Às vezes, a gente não está preparado para viver um grande amor. Ligue o fodômetro. Quem realmente está preparado para o amor? Às vezes, a gente não está preparado para um novo desafio profissional. Ligue o fodômetro novamente. Quem realmente está imune aos perigos de um cargo mais exigente? Não se sente preparado para adotar um estilo de vida mais simples, com mais tempo livre? Fodômetro. Fodômetro. Fodômetro.

Sim, é difícil, é bem difícil ser privado daquilo que mais queremos. Mas se focarmos toda a nossa energia naquilo que não temos ou simplesmente aceitarmos que a vida é dura mesmo e não há nada para ser feito, podemos nos condenar a uma existência medíocre. Quem pensa que tudo é mutável mediante pensamento positivo adota a mesma conduta determinista de quem acha que não vale a pena lutar pois nada muda.

Saber a hora de desistir e de lutar é uma arte. Uma arte essencial para quem entende que a vida é agora.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
Saiba como escrever na obvious.
version 4/s/recortes// @obvious, @obvioushp //Sílvia Marques
Site Meter