cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Dez filmes para quem curte Psicanálise- parte 1

Como escreveu o filósofo e psicanalista Felix Gatarri , o cinema é o divã do pobre e muitos filmes, dos mais banais até os mais complexos, podem servir como fontes de catarse e catalisadores de emoções e reflexões variadas, interferindo a longo prazo, na maneira de pensar, sentir e agir.


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Cena do filme A bela da tarde, de Luis Buñuel

Falar sobre Cinema e Psicanálise é quase o mesmo que falar sobre harmonização entre queijos e vinhos , cerveja bem gelada com fritas, muito parmesão ralado sobre um bom molho vermelho. Sim, existe uma relação muito forte e íntima entre a sétima arte e a técnica que intenciona a cura pela palavra.

Como escreveu o filósofo e psicanalista Felix Gatarri , o cinema é o divã do pobre e muitos filmes, dos mais banais até os mais complexos, podem servir como fontes de catarse e catalisadores de emoções e reflexões variadas, interferindo a longo prazo, na maneira de pensar, sentir e agir.

Embora muitos filmes possam nos conduzir a nós mesmos, nos fazendo reavaliar a nossa vida, existem alguns que apresentam de forma bem ostensiva o seu viés psicanalítico. Fazer uma lista completa de filmes cult com viés psicanalítico seria uma utopia. Então, decido citar alguns bem famosos ou muito polêmicos que me parecerem interessantes. Vamos à lista?

1. Cisne negro, de Darren Aronofsky

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Entre outros temas, Cisne negro mergulha no universo de uma psicótica. O filme tem uma aura psicodélica e ambígua pois vimos tudo por meio da perspectiva da bailarina psicótica Nina. Quem deseja entender melhor a questão do imaginário da segunda clínica lacaniana , Cisne negro é um prato cheio.

2. Réquiem para um sonho, de Darren Aronofsky

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Com a mesma aura psicodélica , sombria e subjetiva de Cisne negro, Réquiem para um sonho mergulha no mundo dos vícios de um modo geral, que vão desde as drogas ilícitas até o costume de assistir muita TV. O que une todos os personagens é a carência afetiva. Para quem deseja entender mais sobre as demandas de amor , Réquiem para um sonho é uma ótima pedida.

3. A bela da tarde, de Luis Buñuel

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O cinema de Luis Buñuel, de um modo geral, apresenta um viés bem psicanalítico pois mergulha nas obscuridades do mundo das pulsões. A bela da tarde é um poético filme sobre as fantasias perversas de uma mulher que dissocia o amor do sexo e anseia ser maltratada. Enfim, é um filme sobre o gozo, esta estranha mistura entre o prazer e o sofrimento.

4. Esse obscuro objeto do desejo, de Luis Buñuel

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O nome deste filme já é uma homenagem bem-humorada à Psicanálise. Buñuel encerra sua carreira fazendo um filme com uma ideia bastante lacaniana: a mulher não existe.

5. Veludo azul, de David Lynch

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O cinema de David Lynch é também bastante psicanalítico, partindo do pressuposto de que seus filmes têm uma boa dose de surrealismo e parecem narrar um pesadelo. Em Veludo azul, Lynch mergulha no mundo das perversões por meio de uma relação sadomasoquista.

6. O inquilino , de Roman Polanki

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Este sombrio filme de 1976 apresenta um tema muito semelhante ao de Cisne negro. Roman Polanski como diretor e como ator mergulha no universo delicado e caótico de um psicótico que se imagina perseguido e não sabe dizer quem ele é.

7. Lua de fel, de Roman Polanski

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Lua de fel é um triste e assustador mergulho no mundo das perversões por meio de um casal que vive uma relação de amor e ódio, com consequências trágicas.

8. Precisamos falar sobre o Kevin, de Lynne Ramsay

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Este polêmico filme baseado num romance igualmente polêmico e angustiante trabalha temas muito poderosos como o mito do amor materno e os Estados Unidos como uma nação formadora de psicopatas. Precisamos falar sobre o Kevin também apresenta uma questão psicanalítica muito importante: o Complexo de Édipo e a insistência na permanência da fase anal da libido como forma de obter o amor materno.

9. Marnie, confissões de uma ladra, de Alfred Hitchcock

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Clássico dos anos 1960, sobre uma bela mulher que tem pavor de ser tocada pelos homens mostra de forma bem didática e talvez um pouco exagerada a dinâmica de uma neurótica histérica.

10. Um corpo que cai, de Alfred Hitchcock

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Clássico dos anos 1950, sobre um homem obcecado pela ideia de tentar reconstruir a imagem da mulher amada e supostamente falecida no corpo da atual namorada. Além de mergulhar no universo das fobias ( o protagonista tem medo de altura), este célebre filme apresenta os temas das obsessões e da necrofilia de forma simbólica.

Sim, as opções de filmes com viés psicanalítico são variadas e muito ricas. Alguns apresentam uma abordagem mais fiel. Outros, mais fantasiosas. Mas, o que acaba pesando mesmo são as reflexões que eles suscitam e como podem interferir em nossa realidade cotidiana e subjetiva.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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