cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Se não estamos arrasando, talvez estejamos arrasados

Inúmeras vezes, nos calamos diante de injustiças porque entrar em conflito cansa demais e desta forma perpetuamos sistemas cruéis e relações doentias. Desta forma, indiretamente e inconscientemente , aumentamos o volume da voz de quem optou oprimir. Desta forma, indiretamente e inconscientemente , acatamos as ordens de quem mais desgostamos.


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Dar murro em ponta de faca. Esta é uma realidade altamente indesejável, mas muito mais comum do que se possa imaginar. Constantemente , estamos tentando calçar um pé 38 num sapato 36 ou se fazer entender por quem não está nem um pouco a fim de ouvir as nossas explicações.

Constantemente, estamos dando o melhor da nossa energia para quem não a merece. Constantemente estamos tentando nos enquadrar em esqueminhas apertados demais para não contrariar o status quo, para ficar bem na foto da sociedade e do facebook.

Constantemente, a gente se acomoda em relações porque não sabemos para onde ir , porque não sabemos encarar a própria solidão. Porque temos medo ou vergonha de admitirmos que deu errado, que o que começou cor-de rosa e cheio de purpurina perdeu o brilho, o vinho azedou e virou vinagre.

Constantemente , tentamos nos enganar , pensando que certas crises vão se resolver sozinhas, com o tempo, porque temos preguiça de tomar uma atitude e mudar de lugar em nossa vida o que está atravancando a entrada de coisas novas. Não me refiro apenas à parcerias amorosas. O nosso comodismo modorrento invade diversos setores da vida , nos imobilizando e nos impedindo de viver uma vida verdadeira. Uma vida significativa e por que não feliz?

Inúmeras vezes colocamos a opinião alheia à frente da nossa. Inúmeras vezes importamos culpas que não são nossas, exigimos de nós mesmos uma paciência que não teríamos coragem de exigir dos outros. Inúmeras vezes deixamos de seguir o caminho que desejamos porque ninguém mais o escolheu.

Inúmeras vezes fazemos as coisas simplesmente porque precisamos fazê-las. Sem nenhum sentido. Sem nenhuma paixão. Tudo no piloto automático. Quantas pessoas não levam carreiras com a barriga durante anos e anos? Quantas pessoas não mantém vínculos afetivos igualmente inexpressivos porque não conseguem mais acreditar de que existe a possibilidade de se conectar verdadeiramente com as pessoas?

Inúmeras vezes, nos calamos diante de injustiças porque entrar em conflito cansa demais e desta forma perpetuamos sistemas cruéis e relações doentias. Desta forma, indiretamente e inconscientemente , aumentamos o volume da voz de quem optou oprimir. Desta forma, indiretamente e inconscientemente , acatamos as ordens de quem mais desgostamos. Desta forma , perdemos o melhor do nosso tempo, desperdiçamos vida. Se para o mundo da Economia , tempo é dinheiro, para muitos , tempo é vida. Talvez , não haja desperdício maior e mais triste do que o do tempo. O tempo mal vivido não volta. O bem vivido também não, mas pelo menos , ele fica na memória de uma forma prazerosa.

Uma vida vivida no piloto automático, escrita por outras pessoas, motivada pelos interesses alheios , pautada pelo medo e pelo desconhecimento de si mesmo, provavelmente é muito mais dramática do que a realidade de alguém que se atirou na linha de frente da vida , encarando os próprios sentimentos , contradições e lacunas.

Sim, somos paradoxais, confusos e cheios de paixões que vão se esvaindo no medo de viver. Permitimos que a criança interior morra muito cedo. Confundimos maturidade com uma vida fake. Para muitos , ser maduro é deixar de ser si mesmo. É viver um personagem atrás do outro numa sequência infinita de protocolos que , na maioria das vezes, não fazem o menor sentido.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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