cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Notas sobre um escândalo: um olhar sobre a erotomania

Barbara provavelmente sofre de erotomania , um tipo de paranoia, intitulada pela psiquiatria como paranoia erótica. O portador de erotomania imagina-se amado por uma pessoa sem que o outro dê sinais de afeição. Podem confundir uma simples e banal gentileza, como um bom dia sorridente no elevador , como um sinal de amor. Muitas vezes, quem sofre de erotomania mal convive com o ser amado. Na erotomania é bastante comum a pessoa criar uma história de amor com alguém que tem um status social maior.


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O filme inglês Notas sobre um escândalo, de 2006, dirigido por Richard Eyre conta uma história de amor unilateral e obsessivo por parte de uma professora idosa em relação a uma jovem e sexy docente.

Sheba , personagem interpretada por Cate Blanchet é casada , com dois filhos e começa a lecionar a disciplina de artes em uma escola para jovens pobres. Barbara é uma professora amarga de História que se apaixona por Sheba e imagina que a amizade oferecida pela jovem colega é um sinal de amor erótico.

Sheba envolve-se sexualmente com um aluno menor de idade e acaba nas mãos de Barbara, que começa a chantageá-la . Porém, fica evidente uma ideia importante no filme: Barbara costumava interpretar como paixão, a amizade ou a cortesia oferecida por mulheres jovens e atraentes.

Barbara criava em sua mente todo um contexto de erotismo que só era real para ela. Os psicóticos criam uma realidade que existe apenas para eles. Esquizofrênicos costumam ouvir vozes , que não existem na realidade , mas que são reais para eles. Os paranoicos deliram e podem ter mania de perseguição ou mania de grandeza , mais conhecida como megalomania, entre outros sintomas.

Barbara provavelmente sofre de erotomania , um tipo de paranoia, intitulada pela psiquiatria como paranoia erótica. O portador de erotomania imagina-se amado por uma pessoa sem que o outro dê sinais de afeição. Podem confundir uma simples e banal gentileza, como um bom dia sorridente no elevador , como um sinal de amor. Muitas vezes, quem sofre de erotomania mal convive com o ser amado. Na erotomania é bastante comum a pessoa criar uma história de amor com alguém que tem um status social maior.

No caso de Barbara , Sheba era uma professora igual a ela. Por outro lado, era uma mulher jovem e atraente , que chamava a atenção de alunos e professores por sua beleza e meiguice.

Num primeiro momento, o filme Notas sobre um escândalo nos impressiona mais por mostrar uma mulher de 40 anos , cansada de se dedicar à família , principalmente ao filho portador de Síndrome de Down, se envolver com um garoto de 15 anos para voltar a experimentar emoções que para ela estavam soterradas pelo senso de dever. Sheba tem uma família feliz , porém, falta a ela um sentido na vida. Como professora e por meio do romance com o aluno , ela busca por sua identidade.

Num segundo momento, voltamos os nossos olhos para a protagonista de fato do filme: Barbara , interpretada por Judi Dench. Preconceituosa , amarga e manipuladora , aparentemente é uma simples vilã. Diante de uma análise mais cuidadosa , é uma mulher altamente doente, que cria por meio do delírio uma realidade à parte , para suportar uma vida profundamente solitária. Por outro lado, podemos pensar que Barbara é solitária por ser uma paranoica. Psicóticos normalmente apresentam laços sociais frágeis e têm dificuldade para construir relações duradouras.

Um filme instigante e maduro , que mostra sem moralismos , os dolorosos caminhos que as pessoas escolhem para se autoafirmarem e encontrarem o amor.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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