cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU.

www.psicanalistasilviamarques.com

Como é gostoso deixar para lá coisas chatas

Como é gostoso olhar para a cara daquele colega que sempre fez de tudo para tirar a nossa paciência e dizer que não precisa mais daquele emprego, que tem outros projetos. Projetos pessoais. Gente ligada ao status quo, gente que segue à risca o script social detesta quem tem projetos pessoais.


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Ai, como é gostoso deixar para lá coisas chatas! Como é gostoso pegar a bolsa e sair sem olhar para trás de empregos insuportáveis. Como é gostoso olhar para o rosto de um chefe tirano e se demitir para abrir um negócio, fazer uma pós ou trabalhar em outra empresa.

Como é gostoso olhar para a cara daquele colega que sempre fez de tudo para tirar a nossa paciência e dizer que não precisa mais daquele emprego, que tem outros projetos. Projetos pessoais. Gente ligada ao status quo, gente que segue à risca o script social detesta quem tem projetos pessoais.

Como é gostoso dizer não para freelas mal pagos, em que a maior competência é exigida do profissional e a remuneração vem 3 meses depois, mediante muita cobrança. Como é bom dizer para quem te fez passar o maior sufoco que não aceita pegar outros trabalhos no mesmo esquema. Que não se sujeita a trabalhar no mesmo esquema.

Como é gostoso virar para aquele professor azedo e dizer que vai ter o seu TCC orientado por outro docente. Como é gostoso deixar aquele grupo da faculdade preguiçoso ou autoritário demais se virar e fazer aquele trabalho super estimulante sozinho.

Como é gostoso recusar convites pagação de mico. Como é gostoso sair no meio de uma festa com gente que se acha , sem dar nenhuma desculpa. Como é gostoso não depender das migalhas oferecidas por gente que cobra caro demais para fazer um pequeno favor.

Como é gostoso se olhar no espelho e dizer para si mesmo: "Eu não preciso e não vou passar por isso".

Obviamente , nem sempre podemos ou conseguimos jogar fora tudo aquilo que nos oprime ou magoa. Mas na medida do possível, deveríamos exercitar a nossa autonomia e a nossa capacidade de selecionar o que não cabe mais em nossa vida. Infelizmente , na nossa sociedade extremamente injusta e consumista , cada vez mais as pessoas estão enredadas em esquemas de vida sufocantes, que incluem trabalhos quase escravos, tempo livre quase inexistente e a necessidade de aparentar e ter uma série de itens que na verdade não fazem muita diferença em nossa vida.


Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU. www.psicanalistasilviamarques.com.
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