cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Cafona é rotular as pessoas de cafona

Quem depende de transporte público tem menos direito de viver a sua sexualidade do que aqueles que possuem um carro? O carro é peça fundamental na vida erótica/afetiva de uma pessoa? O mais curioso e irritante é perceber que , muitas vezes, as pessoas menos capazes de questionar são aquelas que mais gostam de rotular, fundamentado "seus pontos de vista" apenas por aquilo que é feito pela maioria.


pão-com-ovo-diferente-018.jpg

Poucas coisas na vida me deixam tão enfurecida quanto gente sem personalidade que se acha maravilhosa por ficar seguindo à risca regrinhas bobas e fúteis. Regrinhas que elas não entendem , que elas não sabem por quem e por que foram criadas, mas mesmo assim seguem porque não conseguem pensar fora da caixa. Porque são incapazes de formular uma opinião própria. São incapazes de tomar a menor decisão sem consultar o que as revistas comerciais e literatura de autoajuda anunciam como manual ideal para a vida.

Se falam que passar excrementos de cachorro na pele faz bem para a mesma , passam sem questionar. Pior ainda: além de seguirem à risca fórmulas fechadas, muitos ainda tentam impor aos outros estas mesmas regrinhas. Alguns chegam ao nível de constranger quem decide viver de uma forma diferente da vivida pela boiada. Parecem seguidores de alguma filosofia de vida fundamentalista que prega o extermínio de quem usa verde , sabendo que é o amarelo que está na moda. São pessoas que se acham elegantes e antenadas , mas não passam de fanáticos ignorantes.

São pessoas que adoram rotular tudo e todos de cafona. Que olham com desdém para pessoas que sabem se divertir e rir com espontaneidade. Que desprezam pessoas que não ligam para grifes, que não escolhem os amigos e parceiros amorosos pelo carro que possuem, pelos restaurantes e barzinhos que frequentam. Que acham ridículo qualquer coisa que destoe um milímetro do senso comum.

Muitas pessoas se apressam em furar o balão dos outros , desmotivando as pessoas a se divertirem, a fazerem aquilo que elas sentem vontade de fazer porque é pagação de mico. Sim, ouvi semana passada , uma conhecida muito querida ser constrangida e desmotivada por amigos a ir comemorar o aniversário do namorado em um motel pois eles não tinham carro. E era pagação de mico chegar a pé num motel. Respondi para ela que pagação de mico era deixar de ser feliz por preconceito, por vergonha. Resumindo: se um casal não tem carro, não pode ir ao motel? Quem depende de transporte público tem menos direito de viver a sua sexualidade do que aqueles que possuem um carro? O carro é peça fundamental na vida erótica/afetiva de uma pessoa? Sim, carro traz conforto, praticidade. Apenas isso.

Outra coisa super chata em minha opinião: ficar tachando as comidas de cafona, ficar ridicularizando as pessoas por gostarem de comer comidas mais cotidianas. Nada contra pratos sofisticados. Gosto muito de alguns. Mas qual é o mal de apreciar com boca boa um pão com ovo ou um bife acebolado quando se está com fome? Qual é o mal de comer salada de maionese num churrasco? Comer salada de endívias no lugar da salada de maionese vai te fazer alguém melhor? Não comer uma comida por não apreciá-la ou por achá-la indigesta é uma coisa. É uma escolha respeitável. Deixar de comer por considerá-la cafona é o cúmulo do pedantismo.

O mais curioso e irritante é perceber que , muitas vezes, as pessoas menos capazes de questionar são aquelas que mais gostam de rotular, fundamentado "seus pontos de vista" apenas por aquilo que é feito pela maioria.

Se não existissem pessoas capazes de questionar e lutar por suas ideias , ainda as mulheres estariam confinadas dentro de casa sem direito algum. Os negros ainda seriam escravos. Os homossexuais precisariam esconder a vida inteira a sua orientação sexual. Se todo mundo seguisse apenas o feito pela maioria, rotulando de cafona e imbecil qualquer forma diferente de pensar e agir, viveríamos em uma sociedade ainda mais tacanha do que a sociedade em que vivemos.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @obvious, @obvioushp //Sílvia Marques
Site Meter