cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Chega um dia em que precisamos parar de culpar o passado

Sim, tivemos encontros às cegas pavorosos. Mas outros foram divertidos. Fizemos até algum amigo querido por meio de um deles. Muita gente nos criticou quando a gente queria apenas um "Eu te entendo". Mas , por outro lado, muita gente nos abraçou e nos acolheu sem que a gente pedisse.


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Sim, o leite ferveu e sujou todo o fogão. O nosso primeiro amor nem sabia que a gente existia. O segundo até sabia, mas não ligou. O terceiro nos deu um beijo por brincadeira. O quarto preferiu uma amiga nossa. Com o quinto quase rolou um lance sério, mas de repente terminou.

O chocolate acabou justamente no dia em que a gente precisava de uma overdose de serotonina. Não passamos direto no vestibular. A faculdade era até bacana , mas nem a metade do que imaginávamos. Arrumar o primeiro trampo foi uma barra. Pedimos uma pizza de calabresa e mandaram uma vegetariana. O primeiro emprego era bom, mas pagava mal. O segundo pagava um pouco melhor , mas era chato.

A gente não foi compreendido como a gente queria. E a gente passou muitos feriados em casa. E a gente levou muitos bolos. E a gente se desapontou com muitos encontros às cegas. E a gente engoliu muitos sapos para manter um emprego mais ou menos.

Sim, a gente tem milhares de motivos para reclamar disso ou daquilo. A vida pode ser bem pesada e cansativa , cheia de armadilhas, constrangimentos, privações e provações. Mas chega um dia em que precisamos parar de culpar o passado. Em que precisamos seguir em frente e tentar fazer coisas novas. Chega um dia em que a gente precisa parar de nos ancorar nos empregos ruins que tivemos para justificar a nossa falta de coragem e disposição para correr atrás de novas oportunidades.

Chega um dia em que a gente precisa parar de sofrer por causa dos bolos que levamos e das relações frustradas que tivemos para iniciar parcerias afetivas mais verdadeiras , mais felizes. Chega um dia em que a gente precisa parar de colocar em primeiro plano quem não nos ajudou, quem não nos compreendeu, quem não nos amou.

A gente precisa começar a voltar mais o olhar para as coisas boas que aconteceram, para as pessoas que sempre estiveram ali , ao nosso lado, nos incentivando, nos amando. A gente precisa lembrar que muitas vezes desligamos o fogão antes de o leite ser derramado.

A gente precisa lembrar que enquanto sofríamos pelo Joãozinho, o Pedrinho estava sofrendo por nós. A gente precisa lembrar que a faculdade não era tudo aquilo, mas ali aprendemos muito sobre nós mesmos e conhecemos pessoas que marcaram a nossa vida. A gente precisa lembrar que o primeiro salário era pequeno, mas mesmo assim, a gente conseguiu comprar o primeiro presente para os nossos pais com o nosso dinheiro. O segundo emprego pode ter sido muito chato, mas foi por causa dele que descobrimos o que não queremos para a nossa vida.

Sim, tivemos encontros às cegas pavorosos. Mas outros foram divertidos. Fizemos até algum amigo querido por meio de um deles. Muita gente nos criticou quando a gente queria apenas um "Eu te entendo". Mas , por outro lado, muita gente nos abraçou e nos acolheu sem que a gente pedisse.

Sim, todos nós passamos por experiências traumáticas e dolorosas. Todos nós temos lembranças tristes. Mas nenhuma delas pode ser maior e mais forte do que a nossa coragem e vontade de começarmos tudo de novo.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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