cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Etham Frome: quando o desamor dói fisicamente

Muitas pessoas que padecem de males físicos , quando procuram por ajuda médica e fazem exames, se deparam com resultados inquietantes: a causa da doença não é identificada ou a possível causa não é grande o suficiente para provocar tantos estragos.


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Etham Frome , um amor para sempre é um filme baseado na obra da polêmica e célebre autora americana Edith Warthon. Warthon criticou ferozmente a hipocrisia da sociedade americana do século XIX, jogando luz sobre a impossibilidade de viver o amor e ser você mesmo num mundo cheio de regras. Alguns de seus livros são A época da inocência , que lhe rendeu o prêmio Pulitzer em 1921 , Os bucaneiros , A casa da felicidade , que deu origem ao filme A essência da paixão.

Ethan Frome foi lançado em 1993, dirigido por John Madden e protagonizado por Liam Neeson e Patricia Arquette. Com linguagem simples e estrutura linear, o filme narra com muita sensibilidade, romantismo e melancolia a vida desafortunada dos três personagens protagonistas, condenados ao ostracismo e à impossibilidade amorosa. A grande quantidade de cenas na neve parece estabelecer uma relação entre as dificuldades da natureza com as dificuldades sociais , revelando assim toda a hostilidade da vida. A neve também cria uma atmosfera melancolicamente romântica.

O filme se centra num triângulo amoroso numa pobre fazenda americana do século XIX. Etham, um rapaz idealista , que enterrou o sonho de estudar Engenharia para cuidar da pequena fazenda familiar , casa-se com uma prima distante por gratidão, pois esta passou muito tempo cuidando da sua mãe doente. Mas ele nunca a amou de verdade. Etham vai conhecer o amor com a jovem e romântica Mattie , prima da sua esposa que caiu em desgraça financeira e passa a morar com o casal. Mattie faz todo o serviço da casa porque Zeena , mulher de Ethan, é muito doente.

O atual post pretende se centrar em Zeena , interpretada por Joan Allen. Zeena somatizou toda a frieza de Etham em dores e doenças físicas , até reverter-se numa mulher extremamente enferma , capaz de despertar a piedade dos vizinhos.

Uma das possibilidades da neurose histérica é criar doenças físicas. Algumas pessoas sentem dores sem lesionar o organismo. A este tipo de efeito, damos o nome de histeria de conversão. No caso de Zenna , ela realmente lesionou o organismo, transformando seus problemas e dores psicológicas em problemas e dores físicas. Como Zeena não conseguia despertar o amor do marido, usou as suas enfermidades para chamar a atenção. Porém, vale ressaltar que este processo não é consciente.

O neurótico não consegue expressar o que sente e desconhece o próprio desejo. Aquilo que ele desconhece e não expressa , vira sintoma. No caso de Zeena , vira doenças. Existem outras possibilidades , como a sexualidade infantilizada e a depressão, entre outras manifestações.

Em Etham Frome , Zeena traduz o desamor do marido em doenças físicas. A frustração com a qual ela não consegue lidar atinge seu corpo.

Por tal motivo, muitas pessoas que padecem de males físicos , quando procuram por ajuda médica e fazem exames, se deparam com resultados inquietantes: a causa da doença não é identificada ou a possível causa não é grande o suficiente para provocar tantos estragos.

É sempre recomendável buscar pelas causas orgânicas em primeiro lugar. Porém, diante da escassez de causas orgânicas , deve-se cogitar rapidamente a possibilidade de um transtorno emocional e buscar por ajuda profissional.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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