cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU.

www.psicanalistasilviamarques.com

Infelizmente , muitas pessoas aprendem a dar valor depois que perdem

Muitas vezes, vamos perceber a quantidade de coisas maravilhosas que temos na vida quando as perdemos.


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Cena do filme E o vento levou

Sim, infelizmente , muitas pessoas aprendem a dar valor a alguma coisa ou á alguém depois que a perdem. Tendemos a notar apenas aquilo que nos falta e negligenciamos aquilo que possuímos. Quem tem boa saúde , muitas vezes, não pensa o quanto é importante ser saudável. Quem tem uma vida financeiramente confortável, minimiza o poder do dinheiro. Quem tem amor, não sabe o quanto é doloroso estar sozinho.

Estamos sempre de olho nos tesouros alheios. Como diz a sabedoria popular , "a grama do vizinho é sempre mais verde e a galinha do vizinho é sempre mais gorda". Sim, a comida do vizinho cheira melhor , o parceiro da vizinha é mais gentil, a parceira do vizinho é mais atraente , o filho do vizinho é mais educado e por aí vai...

Muitas vezes, vamos perceber a quantidade de coisas maravilhosas que temos na vida quando as perdemos. Sim, vamos perceber o quanto é bom poder comer o que quiser quando passarmos a sofrer com problemas digestivos. Vamos perceber o quanto é bom não sentir dores no corpo, quando começarmos a sentir dores generalizadas, cansaço excessivo. Vamos perceber o quanto é revigorante dormir 8 horas por noite , quando passarmos a sofrer de insônia.

Vamos perceber o quanto é tranquilizante não precisar fazer contas o tempo todo para comprar uma garrafa de vinho ou almoçar num restaurante quando precisarmos escolher entre a garrafa de vinho e o queijo parmesão, quando precisarmos escolher entre a ida ao restaurante e um utensílio de cozinha, o plano dentário e a terapia.

Vamos perceber o quanto uma vida com amor é muito mais significativa quando perdermos a pessoa amada por descaso, por negligência. Sim, muitas vezes , atolados de problemas práticos , como falta de dinheiro, poucas perspectivas profissionais , conflitos familiares, acabamos deixando de lado e dando pouco valor à pessoa amada. Acabamos afundando num mar de auto piedade e deixamos de ver que a pessoa amada também sofre , também têm problemas , também enfrenta dificuldades. Muitas vezes acabamos descontando em quem amamos e em quem nos ama as nossas frustrações.

Quem ama aguenta muitas coisas, mas chega uma hora em que todo mundo cansa , mesmo amando. Pois além de amar , precisamos nos sentir amados. E é aí, que muitos desistem de relações que aparentemente tinham tudo para dar certo. Infelizmente , muitas pessoas que deixaram o amor em segundo plano vão perceber o quanto ele é importante e especial depois que a pessoa amada diz adeus e não um simples tchau.

De duas uma : se o amor não for verdadeiro das duas partes , provavelmente o casal não vai se reconciliar. Se o amor for verdadeiro, as duas partes vão se acertar sobre bases bem mais sólidas.


Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU. www.psicanalistasilviamarques.com.
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