cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Prefiro sofrer por sentir muito a sorrir por não me importar

Prefiro encarar dias difíceis de vez em quando porque a dor do outro me afeta . Porque saio da minha bolha de egoísmo, da minha zona de conforto para me relacionar com quem precisa de mim. Não quero me acostumar jamais com a miséria , com a injustiça , com a crueldade. Quero continuar me revoltando quando leio uma notícia de abuso sexual. Quero sentir o peito apertado quando vejo um idoso pedindo esmolas ou revirando o lixo.


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Cena do filme Clube da luta

Atualmente , ser feliz virou uma febre, quase uma obsessão. É preciso ser feliz custe o que custar , doa a quem doer. E se a felicidade não acontece , dissimula-se.

Obviamente que todos nós queremos ser felizes. Obviamente que sofrer é muito ruim. Mas , me assusta perceber que para algumas pessoas o mais importante é ser simplesmente feliz, mesmo que para isso seja preciso passar por cima dos outros , transformar a cabeça das outras pessoas em degraus.

Como disse o célebre escritor francês André Gide, "Sinto em mim uma imperiosa obrigação de ser feliz, mas toda felicidade obtida às custas dos outros me parece odiosa".

Por pior e mais doloroso e devastador que seja me sentir infeliz, prefiro sofrer a sorrir por não me importar , por simplesmente não enxergar nas outras pessoas um mundo de sentimentos e possibilidades, um semelhante a mim, um semelhante às pessoas que amo e quero bem.

Obviamente , que não somos obrigados a amar todas as pessoas em medidas iguais. Obviamente , que algumas pessoas realmente não conseguem tocar o nosso coração ou nos magoaram tanto que amá-las se torna quase um milagre. Por outro lado, é muito triste quando a felicidade de alguém está diretamente relacionada à ruína do outro.

Na vida pública , vemos muitos exemplos deste tipo de conduta: para poucos esbanjarem milhões de reais , a maioria da população é privada do mínimo necessário. Para poucos viverem com o máximo de luxo e conforto, a maioria precisa aprender a sobreviver sem o básico.

Em grandes corporações , para os lucros serem devastadores e impactantes , o bem estar dos funcionários é sacrificado. Enfim, uma pequena parte , muitas vezes, se apodera do máximo possível de benefícios , deixando quase nada à maioria.

Nas relações privadas também encontramos exemplos deste tipo de situação: em algumas famílias , para um dos membros ser satisfeito em suas necessidades e realizado em seus desejos , as outras pessoas precisam se sacrificar e abrir mão daquilo que é importante para elas. Alguns relacionamentos amorosos também são assim: muitas vezes, para um casamento durar anos e anos, uma das partes faz todas as vontades do outro e renuncia a si mesmo. Este tipo de união se torna cada vez menos comum...ainda bem. Por outro lado, as pessoas, às vezes , exageram muito no egoísmo. Ainda falta encontrar um equilíbrio entre o respeitar-se e o respeitar o outro. Mas este tema fica para um outro artigo...

Sim, prefiro sofrer por sentir muito a sorrir por não me importar. Prefiro encarar dias difíceis de vez em quando porque a dor do outro me afeta . Porque saio da minha bolha de egoísmo, da minha zona de conforto para me relacionar com quem precisa de mim. Não quero me acostumar jamais com a miséria , com a injustiça , com a crueldade. Quero continuar me revoltando quando leio uma notícia de abuso sexual. Quero sentir o peito apertado quando vejo um idoso pedindo esmolas ou revirando o lixo. Quero continuar sentindo o impulso de caminhar na direção de quem precisa de ajuda , nem que a ajuda seja uma simples palavra.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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