cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Santa Clarita diet: estamos engolindo qualquer coisa?

Aparentemente , trata-se de humor estranho para passar o tempo. Mas , se a gente prestar atenção, perceberá que a série deixa uma mensagem bem interessante: estamos vivendo a vida que gostaríamos? Estamos nos expressando adequadamente e sendo nós mesmos?


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Para quem curte humor bizarro, bem bizarro e tem o estômago forte , vale a pena conferir Santa Clarita Diet , uma série do Netflix. Por enquanto há apenas uma temporada disponível, com dez episódios de quase meia hora cada um. O artigo apresenta alguns spoilers. Mas nada que chegue a estragar o prazer de assistir a esta série bem polêmica.

A série é protagonizada por Drew Barrymore , que vive uma corretora de imóveis , casada com um colega de trabalho, mãe de uma garota de 16 anos. Logo nas primeiras cenas do primeiro episódio, nos deparamos com uma mulher certinha , sistemática , que se recusa a fazer um sexo mais rápido com o marido e que deseja ser ousada , fazer as coisas sem se importar com a opinião alheia.

Por alguma razão desconhecida , ela vomita horrores , incluindo o próprio coração, enquanto mostra uma bela casa para um casal indeciso. Resumindo: ela morre e "ressuscita" como uma morta -viva ou zumbi, que precisa se alimentar com carne humana.

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Aparentemente , trata-se de humor estranho para passar o tempo. Mas , se a gente prestar atenção, perceberá que a série deixa uma mensagem bem interessante: estamos vivendo a vida que gostaríamos? Estamos nos expressando adequadamente e sendo nós mesmos?

A mulher reprimida e sistemática das primeiras cenas ganha uma injeção de ânimo depois que morre e se torna um zumbi. Passa a ter muito mais apetite sexual, para de engolir sapos, diz o que pensa, passa a acreditar no poder dos sonhos.

Sim, se abstrairmos as bizarrices , a escatologia, o escracho, poderemos nos deparar com uma instigante metáfora sobre a pequenez da vida. De como vamos nos deixando para trás no decorrer do dia a dia , de como vamos colocando a vida no piloto automático. De como vamos deixando de fazer aquilo que queremos por causa da opinião alheia.

Sim, a mulher que passa a engolir carne humana depois de morta , antes engolia a ela mesma.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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