cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Quando a hipocrisia se disfarça de altos valores morais

Quantas pessoas nas redes sociais não pregam por meio de seus posts , ideias completamente contrárias à sua conduta cotidiana? Muitas pessoas falam sobre solidariedade , mas se negam a fornecer qualquer tipo de ajuda. Muitas pessoas afirmam valorizar caráter e inteligência , mas só se relacionam com pessoas fisicamente maravilhosas. Muitos falam apaixonadamente de Deus e da importância de servir às pessoas , mas vivem reclusos em seus pequenos grupos de amizade , se fechando para todas as outras pessoas que diferem um milímetro do seu estilo de vida , julgando e magoando sem dó nem piedade.


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Quem nunca foi hipócrita pelo menos uma vez na vida que atire a primeira pedra. Sim, parece que faz parte da natureza humana esconder suas reais intenções e sentimentos para melhor se encaixar na vida social. Quem nunca já fingiu não ter algum tipo de preconceito para não ser julgado pelo grupo social? Quem nunca omitiu um traço de personalidade ou um hábito socialmente mal visto para manter um emprego, uma amizade , um relacionamento amoroso?

Sim, algumas vezes , as pessoas agem de forma hipócrita , isto é , contradizendo seu estilo de vida , seu modo de pensar, seu sistema de crenças e valores para se defender de julgamentos , ostracismo social e demais punições. O que me parece realmente problemático é quando uma pessoa utiliza dos valores morais para destruir ou tentar destruir a imagem de alguém por pura inveja ou interesses pessoais totalmente mesquinhos.

Omitir , por exemplo, o hábito de fumar num grupo politicamente correto é simplesmente uma defesa. Não se admitir homossexual num ambiente marcado pela homofobia também é um meio de se proteger. Evitar emitir opiniões sobre temáticas religiosas em grupos que beiram o fundamentalismo também é uma estratégia para fugir de desgastes desnecessários. Enfim, a pessoa deixa de se expressar , deixa de dizer o que ela realmente é ou pensa para não desestabilizar a própria vida.

Mas , voltando ao caso das pessoas que se aproveitam da moral para prejudicar quem lhe ofusca socialmente é uma questão bastante grave e que merece uma profunda reflexão. Será que em algum momento da nossa vida , por inveja , por ganância , para defender interesses pessoais , não atrapalhamos a vida de uma pessoa , não ferimos profundamente alguém?

Quantas pessoas não isolam socialmente colegas , por exemplo, por estes serem mais divertidos , mais talentosos, mais promissores em suas carreiras? Quantas vezes não evitamos certos contatos sociais simplesmente por que estas pessoas de alguma forma se destacam mais do que nós? Quantas vezes não saímos à caça de defeitos para justificar uma antipatia gratuita que sentimos? Em vez de admitir que antipatizamos gratuitamente , sem motivo aparente , preferimos buscar uma razão concreta para justificar o nosso comportamento hostil.

Quantas pessoas nas redes sociais não pregam por meio de seus posts , ideias completamente contrárias à sua conduta cotidiana? Muitas pessoas falam sobre solidariedade , mas se negam a fornecer qualquer tipo de ajuda. Muitas pessoas afirmam valorizar caráter e inteligência , mas só se relacionam com pessoas fisicamente maravilhosas. Muitos falam sobre a lei do retorno, mas julgam e discriminam as pessoas simplesmente por serem diferentes delas, como se elas fossem um ideal de caráter. Muitos falam apaixonadamente de Deus e da importância de servir às pessoas , mas vivem reclusos em seus pequenos grupos de amizade , se fechando para todas as outras pessoas que diferem um milímetro do seu estilo de vida.

Quantas pessoas não se passam por amigas , mas se empenham em sabotar o relacionamento amoroso dos membros do seu grupo porque lá no fundo querem os amigos só para si? Como elas mesmas não conseguem viver um relacionamento feliz , precisam de seus amigos sempre disponíveis. Quantos chefes não cortam as asas de profissionais muito competentes , que no futuro podem ficar no seu lugar? Quantas pessoas não recusam convites para desenvolver projetos profissionais com determinados contatos por se saberem menos criativas , menos expressivas , menos interessantes?

Sim, a hipocrisia , muitas vezes, nos coloca numa zona de conforto. Em alguns casos , omitimos atitudes e opiniões simplesmente para não sermos demitidos , criticados , ironizados, isolados socialmente. Mas em muitos outros , poderíamos evitar certas atitudes que só reiteram a nossa incapacidade de aceitar o mérito do outro.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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