cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU.

www.psicanalistasilviamarques.com

Sete filmes intrigantes com Isabelle Huppert

Neste artigo, vou comentar brevemente sete filmes protagonizados por Huppert que recentemente concorreu ao Oscar de melhor atriz pelo profundo e ousado Elle, de Paul Verhoeven.


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Isabelle Huppert em Elle

Isabelle Huppert é uma premiada atriz francesa, que participou de mais de 110 filmes desde 1971. Considerada a dama do cinema francês e a melhor atriz francesa da sua geração, é um dos presidentes do Júri do Festival do Cannes.

Neste artigo, vou comentar brevemente sete filmes protagonizados por Huppert que recentemente concorreu ao Oscar de melhor atriz pelo profundo e ousado Elle, de Paul Verhoeven. A ordem segue o critério do filme mais recente até o mais antigo.

1. Elle, de Paul Verhoeven, 2016

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Em Elle , Huppert vive uma bem-sucedida e arrogante empresária que sofre um estupro em sua própria casa. Ao invés de se sentir traumatizada e procurar a ajuda da polícia , Michéle entra em um intenso jogo de sedução com o seu agressor.

2. Propriedade privada, de Joachim Lafosse, 2006

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Nesta coprodução ultra realista entre a França e a Bélgica , Huppert vive uma mulher que quer vender sua enorme casa para abrir um restaurante com o seu namorado. Porém, seus filhos dependentes tanto financeiramente quanto afetivamente são contrários à ideia , principalmente Thierry , que é bastante agressivo e controlador. Mas, vale ressaltar que a personagem vivida por Huppert não é totalmente inocente nesta patológica dinâmica familiar.

3. A professora de piano, de Michael Haneke, 2001

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Nesta coprodução austríaca, alemã e francesa , dirigida pelo genial cineasta de Amor , A fita branca , Cachê e Violência gratuita, Isabelle Huppert vive uma professora de piano mal-humorada, que desperta a paixão de um jovem pianista que faz de tudo para se aproximar dela. Porém, ambos têm visões bem diferentes a respeito de um relacionamento amoroso ideal. Como em Elle, Huppert vive uma personagem altiva e controladora na sociedade , mas que gosta de ser subjugada na intimidade. Merece destaque a relação simbiótica com a mãe.

4. As afinidades eletivas, dos Paolo e Vitorio Taviani, 1996.

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Baseado no romance de Goethe , este belíssimo filme ítalo-francês mostra uma situação inusitada: um casal que leva muitos anos para finalmente ficar junto , vê o amor desmoronar em queda livre quando a filha adotiva da mulher e um amigo do homem passam a dividir a casa com eles. A protagonista vivida por Huppert se apaixona pelo amigo do marido e seu marido se apaixona pela enteada. Goethe utilizou um princípio da Química para falar sobre a instabilidade das parcerias amorosas quando entram outras pessoas em jogo.

5. Mulheres diabólicas, de Claude Chabrol, 1995

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Neste assustador filme de Chabrol, um célebre cineasta que fez parte da Nouvelle-Vague e trabalhou em outras oportunidades com Huppert, temos uma leitura do caso das irmãs Papin, mulheres psicóticas analisadas por Jacques Lacan. Jean Genet , um dos maiores nomes da Literatura francesa também utilizou este caso para escrever a peça As criadas. As irmãs Papin , após uma pane elétrica , sofrem um surto psicótico e trucidam suas patroas.

6. Madame Bovary, Claude Chabrol, de 1991

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Nesta belíssima e melancólica adaptação do célebre romance de Gustave Flaubert, Huppert vive a iludida Emma, que sonha com amor e riqueza , mas acaba se envenenando por desespero, depois de afundar a família em dívidas e destroçar suas expectativas amorosas.

7. Eaux profondes, de Michel Deville , 1891

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Neste filme pouco conhecido no Brasil, Huppert vive uma jovem casada com um homem muito mais velho , que ela humilha com seus casos futeis de amor. Mais um filme que apresenta com maestria as complexas dinâmicas do desejo.

A lista de obras importantes com Isabelle Huppert inclui também Amor , de Haneke , A teia de chocolate , de Chabrol, uma versão ousada e angustiante de A dama das camélias dirigida pelo niilista Mário Bolognini, entre muitas outras. É um menu rico e variado. Bom apetite!


Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU. www.psicanalistasilviamarques.com.
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