cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU.

www.psicanalistasilviamarques.com

Black Mirror, quarta temporada: para viver o amor é preciso rebelar-se!

Cuidado! O artigo apresenta spoilers! Em Hang the Dj , a série brinca e rompe com seus próprios limites , deixando um feixe de luz entrar pela imaginação do espectador. O episódio gira ao redor de um aplicativo que une casais, uma espécie de Tinder. Porém, com uma grande diferença: as uniões são por tempo determinado pelo próprio aplicativo, que pode determinar um romance de apenas 12 horas com uma pessoa incrível e outro de um ano com alguém insuportável.


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Cena do episódio Hang the DJ, quarto episódio da quarta temporada de Black Mirror

Cuidado! O artigo apresenta spoilers! Hang the Dj , o quarto episódio da quarta temporada de Black Mirror defende uma tese antiga apresentada pelo célebre cineasta espanhol Luis Buñuel: amor e revolta são as palavras mais revolucionárias que existem.

Durante praticamente todo o episódio fica a sensação de que será mais uma dispotia com final amargo. Nas três primeiras temporadas , Black Mirror nos mostrou um mundo sem saídas, em que a menor quebra protocolar gera transtornos irremediáveis. Nada fica impune no universo Black Mirror: desde pequenos equívocos até crimes de fato.

A tecnologia que deveria agregar valor à nossa vida vira uma espécie de Grande Irmão tirânico sempre pronto a punir numa sociedade marcada pelas não-relações.

Em Hang the Dj , a série brinca e rompe com seus próprios limites , deixando um feixe de luz entrar pela imaginação do espectador. O episódio gira ao redor de um aplicativo que une casais, uma espécie de Tinder. Porém, com uma grande diferença: o tempo das uniões é definido pelo próprio aplicativo, que pode determinar um romance de apenas 12 horas com uma pessoa incrível e outro de um ano com alguém insuportável.

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Protagonista precisa namorar por um ano mulher implicante e sem senso de humor

Depois de viverem muitas relações , o aplicativo indica o parceiro ideal. Mas será que o aplicativo faz realmente uma boa escolha? Em um encontro motivacional , um casal extremamente feliz afirma categoricamente que o aplicativo é um sucesso. Mas , apesar , das animadoras estáticas do aplicativo que apontam para um Índice de sucesso de 99,8%, o episódio mostra cenas bem angustiantes de relações relâmpago , em que o sexo é mecânico , sem nenhum tipo de afinidade ou afetividade, transformando algo que deveria ser empolgante num ritual tedioso e até mesmo deprimente.

Apenas no desfecho do episódio, personagens e espectadores matam a charada. As pessoas não estão tão á mercê do aplicativo como o próprio aplicativo as faz pensar! E é aí que tem a grande sacada! Tanto no universo distópico de Black Mirror quanto na nossa realidade , somos impedidos de ficar com quem amamos apenas se nós assim permitirmos. Enfim, para o aplicativo dar bons resultados é preciso contrariar o próprio sistema do aplicativo. Alguma semelhança com a nossa vida social?


Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU. www.psicanalistasilviamarques.com.
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