cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU.

www.psicanalistasilviamarques.com

Filmes dirigidos por mulheres sobre mulheres

Neste post serão comentados brevemente alguns filmes para amantes da sétima arte, que desejam conhecer mais sobre o lado B de ser mulher , fugindo aos estereótipos propagados por obras mais comerciais que apresentam o feminino como algo fechado.


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Cena do filme polonês A arte de amar

Nos últimos anos , muitas mulheres têm se destacado como diretoras de cinema e escolhido roteiros que abordam o universo feminino de forma bastante realista e contundente , sem abrir mão da poesia.

Neste post serão comentados brevemente alguns filmes para amantes da sétima arte, que desejam conhecer mais sobre o lado B de ser mulher , fugindo aos estereótipos propagados por obras mais comerciais que apresentam o feminino como algo fechado. A lista está em ordem alfabética.

1. A arte de amar, de Maria Sadowska/ Polônia/2017

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Baseado em fatos reais , A arte de amar foi inspirado no livro escrito por Michalina Wislocka, uma médica ginecologista polonesa que lutou para publicar seu livro sobre sexualidade durante o regime comunista. Foi considerada a primeira sexóloga polonesa. O filme apresenta bem a biografia de Michalina e o contexto político, por meio de uma estética simples, porém, não monótona, já que a narração não é linear.

2. À beira mar, de Angelina Jolie/ USA/2015

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Neste melancólico filme sobre um casal em crise que se refugia num resort litorâneo na França, vemos de perto o drama de uma mulher que não consegue ter filhos e reage ao sofrimento infligindo dor em outras pessoas.

3. Coco antes de Chanel, de Anne Fontaine/ França/2009

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Coco antes de Chanel fala sobre a célebre estilista Coco Chanel antes da fama. Além de ter construído uma das mais importantes grifes mundiais , Gabrielle Chanel revolucionou em termos de costumes , se colocando como uma mulher muito à frente de seu tempo. Suas roupas visavam mais conforto, livrando as mulheres dos apertados espartilhos. Enfim, suas roupas funcionavam como uma espécie de ícone do seu próprio estilo de vida libertário e independente.

4. Em carne viva, de Jane Campion/ USA/ Reino Unido/Austrália/2003

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Thriller erótico dirigido pela cineasta do célebre O piano, Em carne viva mergulha nas obscuridades do desejo feminino por meio do romance entre um policial com uma professora universitária. A aura sombria e o violento pano de fundo parecem metaforizar a própria agressividade do desejo. O filme foi inspirado no romance de Susanna Moore, que juntamente com Campion roteirizou o filme.

5. Frida , de Julie Taymor/USA/2002

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Este visceral filme que explode em cores e emoções narra a vida da irreverente e revolucionária pintora mexicana Frida Khalo: Uma mulher que apesar de marcada pela tragédia logo na adolescência, nunca se deixou abater pelas adversidades.

6. O babadook, de Jennifer Kent/ Austrália/2014

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Aparentemente um filme de terror sobrenatural, O babadook merece ser visto com muita atenção. Num segundo olhar é possível perceber que a obra provavelmente mostra um caso muito instigante de loucura a dois , iniciado por uma depressão pós parto mal resolvida. O babadook levanta a hipótese de que para algumas mulheres a realização amorosa conta mais do que a maternidade.

7. O estranho que nós amamos , de Sofia Coppola/ USA/2017

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Remake do filme de 1971 , dirigido por Don Siegel, a versão de Coppola narra a mesma história sob uma perspectiva feminina. Um grupo de mulheres sulistas retidas em uma escola durante a Guerra Civil americana acolhem um soldado ianque ferido, desencadeando uma série de jogos de sedução.

8. O piano, de Jane Campion/ Austrália/França/Nova Zelândia/1993

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Célebre filme que rendeu o Oscar de melhor roteiro à diretora Jane Campion e os de melhor atriz e melhor atriz coadjuvante para Holly Hunter e Anna Paquin respectivamente , mergulha na insondabilidade do universo feminino , por meio de Ada , uma mulher extremamente enigmática que perdeu a voz aos seis anos de idade sem motivo aparente. Enfurecida com o marido que a obrigou a abandonar seu piano, simbolicamente sua voz, Ada acaba se relacionando com um homem que a envolve numa rede de erotismo e afetividade.

9. Precisamos falar sobre o Kevin, de Lynne Ramsay /USA/2012

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Baseado no devastador romance homônimo de Lionel Shriver, Precisamos falar sobre o Kevin , entre outros temas , aborda com profundo realismo o mito da maternidade como ideal feminino.

10. Respire, de Mélanie Laurent/ França/2014

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Baseado no romance de Anne-Sophie Brasme, este intimista filme francês se centra na amizade simbiótica entre duas garotas com histórias de vida muito diferentes. A carismática Sarah vai se mostrar extremamente cruel com a tímida Charlie, quando esta descobrir que sua vida está muito longe do ideal de uma jovem popular.

11. Sexo por compaixão, de Laura Mañá/Espanha/México/2000

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Num vilarejo mexicano , mulher deixada pelo marido passa a ocupar o seu tempo fazendo sexo como uma forma de caridade. Apesar do tom leve do filme , ele é muito mais do que um passatempo. Apresenta um interessante questionamento sobre valores morais , religiosos e a própria sexualidade feminina.

12. Simplesmente Martha, de Sandra Nettelbeck/Alemanha/2002

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Sistemática e fechada chefe de cozinha precisará encarar a realidade das emoções ao ficar responsável pela sobrinha e ao se deparar com um charmoso cozinheiro italiano.

13. Sylvia: Paixão além das palavras, de Christine Jeffs/ Reino Unido/2003

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Sylvia: Paixão além das palavras mostra parte da vida da escritora estadunidense Sylvia Plat, que tem os sintomas da bipolaridade muito acentuados após a separação com o seu marido, também escritor.


Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU. www.psicanalistasilviamarques.com.
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