cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU.

Atendo adolescentes e adultos em São Paulo.
www.psicanalistasilviamarques.com

A grande beleza de envelhecer é aprender a simplificar a vida

Envelhecer assusta. Talvez seja a pior dificuldade que a maioria das pessoas enfrenta. Como tudo na vida , podemos envelhecer bem ou mal. Com doçura e sabedoria ou esperneando e sofrendo. Com alegria ou dor , o envelhecimento vai acontecer e quem começa a trabalhar esta ideia mais cedo, mais chances terá de viver uma velhice saudável nos sentidos físico e emocional.


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A grande beleza de envelhecer é aprender a simplificar a vida. Deixar para trás pesos que não são nossos. Falar com menos medo do julgamento. Ouvir com mais interesse. Ter menos pressa pois o Tempo tem o seu tempo.

Envelhecer assusta. Talvez seja a pior dificuldade que a maioria das pessoas enfrenta. Como tudo na vida , podemos envelhecer bem ou mal. Com doçura e sabedoria ou esperneando e sofrendo. Com alegria ou dor , o envelhecimento vai acontecer e quem começa a trabalhar esta ideia mais cedo, mais chances terá de viver uma velhice saudável nos sentidos físico e emocional.

Ninguém se torna idoso num dia qualquer. Ninguém dorme com carinha de 30 anos e desperta com carinha de 70. O envelhecer é um processo lento e se formos comparar alguém de 25 com uma criança de dez anos , a pessoa de 25 não é tão jovem. Quem tem a oportunidade de conviver com pessoas que passaram dos 90 anos, passa a enxergar alguém de 80 como relativamente jovem. Sem falar que o envelhecer não é apenas definido por nossa idade objetiva , mas por todas as condições físicas e emocionais que englobam o nosso ser. Pessoas com 60 podem estar mais envelhecidas do que outras com 75, dependendo da maneira de viver.

E quando uso o termo "maneira de viver" não me refiro apenas à alimentação e à exercícios físicos. Me refiro a tudo que envolve o cotidiano da pessoa, como por exemplo, círculo de amizades , tempo reservado para o lazer, vida amorosa e sexual, finanças equilibradas, investimento nos próprios sonhos. Muitas pessoas depois de uma vida inteira de trabalho duro, quando envelhecem passam a cuidar dos netos em tempo praticamente integral sem ter a oportunidade de viajar , passear, fazer cursos.

Se a pessoa se realiza e se sente feliz cuidando dos netos de domingo a domingo, sem problemas. É uma escolha. Porém, se não for uma escolha e sim uma imposição das circunstâncias, o envelhecer perde a sua qualidade. Não existe receita fechada para uma velhice feliz. Porém, me parece que a autonomia para administrar o tempo e o dinheiro é fator fundamental para uma boa velhice. Outro fator bem importante é a liberdade para fazer escolhas que não foram possíveis na juventude. Quantas pessoas não descobrem o amor após anos e anos num casamento conveniente e chato? Quantas pessoas não passam a se expressar mais e a se dedicar à atividades que gostam pois já não dependem tanto do dinheiro ou conquistam mais tempo para curtir os amigos? E aprendem a viver a sexualidade com menos tabus?

Como qualquer fase da vida , a velhice pode ser feliz. Basta começarmos a aprender desde já como vivê-la.


Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU. Atendo adolescentes e adultos em São Paulo. www.psicanalistasilviamarques.com.
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