cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU.

Atendo adolescentes e adultos em São Paulo.
www.psicanalistasilviamarques.com

Não estamos preparados para dizer adeus

A morte , independente de ser física ou simbólica , traz com ela o germe da transformação inevitável, traz a semente que nos empurrará para o futuro.


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Não estamos preparados para dizer adeus. Mas o luto é inevitável. No decorrer da vida , as perdas são muitas. Alguns morrem literalmente mesmo . Alguns morrem apenas para nós e continuam existindo e fazendo a diferença para outras pessoas.

Não só pessoas e relações são sepultadas no decorrer da vida. Sepultamos ideais , sentimentos , projetos , visões de mundo, versões de nós mesmos. Viver o luto não é uma questão de escolha. A vida lançara os desafios e teremos que enfrentá-los , querendo ou não. Já a forma de viver o luto é opcional. A forma de viver o luto é uma escolha.

Diante do indizível , do não simbolizável que é a morte , podemos sacralizar o momento, conferir-lhe dignidade, aprender algo. Ou podemos simplesmente sofrer.

A morte , independente de ser física ou simbólica , traz com ela o germe da transformação inevitável, traz a semente que nos empurrará para o futuro.

Quando alguém que amamos falece, leva com ela um pouco de nós , mas deixa muito para trás também. Se uma partezinha nossa morre junto com o ente querido, algo deste mesmo ente continuará existindo e florescendo em nós , por meio de nossas lembranças , por meio de tudo que ela nos ensinou de forma direta ou indireta.

Este pequeno artigo é uma homenagem que presto à minha avó materna que deixou este mundo hoje. É a minha forma de sacralizar o momento, de torná-lo mais significativo e não simplesmente triste.

Depois de 11 dias internada, vovó faleceu com 99 anos de idade, 5 meses e 8 dias. Uma vida longa , árdua , cheia de fases difíceis e sonhos não realizados. Vovó queria ter sido uma mulher independente. Talvez , uma escritora, protagonista de um grande amor. Vovó nunca conseguiu escrever a sua própria história como a maioria das mulheres de seu tempo, mas nem por isso deixou de sonhar e usufruir dos momentos felizes que a vida lhe proporcionou. Descanse em paz!


Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU. Atendo adolescentes e adultos em São Paulo. www.psicanalistasilviamarques.com.
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