cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU.

Atendo adolescentes e adultos em São Paulo.
www.psicanalistasilviamarques.com

Às vezes , dar tempo ao tempo é o melhor remédio

Quando as emoções entram nesta espécie de gangorra maluca , somos arremessados num mesmo dia para diversos estados de espírito e a decisão aparentemente perfeita da manhã pode ser um desastre à noite.


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Uma das grandes artes da vida é saber deixar rolar. Nem sempre estamos preparados para dar respostas prontas, bater martelos , jogar pás de cal. O tempo e o cansaço natural das emoções vão colocando em seus devidos lugares as escolhas mais suaves. Comodismo? Inércia? Não. Muito pelo contrário. Em determinadas situações , a vida pede respostas imediatas , atitudes extremas, reflexos rápidos. Às vezes , quando pensamos demais para decidir entre A e B , perdemos ambos. Em muitos casos , deixar rolar e não ter pressa pode levar a uma estagnação eterna.

Quem espera demais para mudar de emprego, fazer uma viagem, começar um curso pode passar a vida sem fazer nada. Por outro lado, a vida apresenta algumas situações muito complexas , em que as nossas emoções ficam divididas. Queremos e não queremos ao mesmo tempo ir e ficar , desistir e lutar, falar e calar, acreditar e esquecer.

Quando as emoções entram nesta espécie de gangorra maluca , somos arremessados num mesmo dia para diversos estados de espírito e a decisão aparentemente perfeita da manhã pode ser um desastre à noite.

Nestes momentos , não adianta forçar a barra. Não adianta exigir de si mesmo algo que não temos para dar: a melhor resposta , a escolha que nos fará sofrer menos.

Nestes momentos , é bom dar tempo ao tempo, ligar o piloto automático, sair por aí para contemplar a vida, sem grandes pretensões , sem esperar encontrar em uma esquina qualquer o veredito para o seu impasse.

Quando deixamos rolar , as respostas acabam por chegar de um jeito ou de outro. De forma mais orgânica , sem grandes traumas , deixando cicatrizes menos feias.


Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU. Atendo adolescentes e adultos em São Paulo. www.psicanalistasilviamarques.com.
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