cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU.

Atendo adolescentes e adultos em São Paulo.
www.psicanalistasilviamarques.com

Vamos escutar com carinho as mulheres com depressão pós-parto?

Provavelmente , a depressão pós-parto é um dos sofrimentos menos respaldados socialmente, pois não se sentir alegre diante do nascimento de um filho gera desprezo e indignação por parte de muitas pessoas. Além da depressão em si, a mulher ainda precisa lidar com o preconceito.


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Muitos mitos ainda rondam a maternidade que é vendida pelo discurso social como algo idílico. Nem sempre é. Precisamos aprender a escutar com carinho as mulheres que têm depressão pós -parto. Não é falta de amor. É dificuldade para lidar com uma nova forma de estar no mundo.

A depressão pós-parto costuma afligir mulheres mais jovens , mas pode acontecer entre as mais velhas também. Muitos sentimentos complexos possibilitam que uma mulher fique deprimida e com ideias suicidas após ter um filho.

Socialmente ainda é um tabu falar sobre este tipo de depressão pois a maioria das pessoas considera o nascimento de um filho o mais importante e feliz momento da vida.

Porém, quando uma mulher se torna mãe , além de toda a revolução química que acontece em seu organismo, ela passa a encarar uma nova realidade, uma nova forma de estar no mundo.

Mesmo mulheres com bom poder aquisitivo e estrutura logística para cuidar bem de um filho podem se sentir confusas e despreparadas para os novos desafios e sentimentos trazidos pela maternidade.

Para muitas , ser mãe significa deixar de ser a prioridade da própria vida. Muitas mulheres absorvem a ideia de que precisam se colocar em segundo plano o tempo todo e as que não conseguem, podem se sentir muito culpadas. As que conseguem, podem se sentir muito frustradas. E mais uma vez , surge a culpa como um mediador das relações mais íntimas destas mulheres.

Tratar um filho como prioridade e ao mesmo tempo cuidar de si mesma , talvez, seja o principal e mais complexo desafio trazido pela maternidade. É muito mais comum cair nos extremos: viver apenas para ser mãe como uma mártir ou deixar o filho em segundo plano numa postura de negligência afetiva. O equilíbrio deveria ser a meta , mas quando falamos sobre sentimentos e relações , nada ou quase nada é simples, linear ou indolor.

Existem mulheres que se tornam mães sabendo que não querem ser mães, como forma de autoafirmação ou por pressão social. Mas existem aquelas que realmente imaginam querer , mas diante do fato consumado percebem que ser mãe não é exatamente o que o discurso social prega.

Provavelmente , a depressão pós-parto é um dos sofrimentos menos respaldados socialmente, pois não se sentir alegre diante do nascimento de um filho gera desprezo e indignação por parte de muitas pessoas. Além da depressão em si, a mulher ainda precisa lidar com o preconceito.

Deveríamos falar sobre a maternidade com mais senso de realidade e com mais responsabilidade, mostrando o lado bonito e alegre , mas apresentando também o seu lado B, as angústias envolvidas.

Este tipo de dialógo faria muitas mulheres se questionarem sobre o desejo de serem mães e evitaria também o excesso de expectativas e frustrações por parte daquelas que tiveram filhos.

É preciso que as pessoas compreendam que não há mal algum em se sentir desanimada , com medo e cansada após ter um filho. Dar pulos de alegria é muito mais gostoso realmente , mas se não for possível dá-los , sem problemas. A vida continua mesmo assim. E não significa falta de amor pelo filho. E não significa que você não possa ser uma mãe maravilhosa. Você só precisa ser escutada sem julgamentos e cuidada com carinho.


Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU. Atendo adolescentes e adultos em São Paulo. www.psicanalistasilviamarques.com.
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