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Tudo sobre o mundo do cinema visto de uma maneira diferente

Vitor Quartezani

Jornalista, cinéfilo convicto, mas não crítico de cinema. Editor, mas não diretor, e nas horas vagas palpiteiro no mundo dos esportes.

Aliança entre nostalgia e sentimentalismo é a chave do sucesso de Creed: Nascido para Lutar

Creed: Nascido para Lutar oferece uma experiência muito especial aos espectadores, mas principalmente aos fãs de cinema e da franquia Rocky, pois traz questões importantes que nos remetem ao passado, mas que trabalha muito bem com as novas sensações que a atualidade do enredo proporciona.


20160113-03-creed-nascido-para-lutar-papo-de-cinema.jpgO Cinemania começa seu primeiro artigo aqui aplaudindo de pé e com lágrimas nos olhos. Essa também será a sua sensação logo que começar a aparecer na tela os créditos finais de “Creed: Nascido para Lutar”. Simplesmente espetacular como o filme consegue te prender em dois universos paralelos; o do filme atual propriamente dito e do primeiro filme da franquia Rocky, com flashbacks que nos colocam naquele contexto e que complementam a história do longa atual.

“Creed: Nascido para Lutar” mostra a história de Adonis Johnson Creed, filho de um relacionamento de Apollo fora do casamento, que passou uma parte da infância em diversos orfanatos até ser finalmente adotado. A partir desse momento vemos sua busca por descobrir mais detalhes do passado de seu pai e como que o mundo do boxe também está em sua vida. Por conta disso, mesmo contra a vontade de sua mãe adotiva, sai de casa para se tornar boxeador profissional e quer como seu treinador, ninguém menos que Rocky Balboa, rival e grande amigo do seu pai.

E o primeiro destaque vai para a atuação de Michael B. Jordan como Adonis Johnson Creed. Com muita força, consegue fazer com que um personagem, que em um primeiro momento poderia causar raiva e estranheza, passe agora a despertar nas pessoas sensações de carinho e esperança que ele consiga o que quer, graças a sua atuação muito segura, mas com doses de sentimentalismo genuínos de gratidão que ele tem com toda a história. Alia-se isso ao fato de fazer um contra ponto com a figura de Rocky, as vezes se colocando no papel de filho que o garanhão italiano sempre quis ser.

Já Sylvester Stallone, que aliás também produz o filme, conseguiu o que ninguém esperava. Trouxe o seu personagem tão icônico Rocky para um patamar secundário dentro do longa. E isso não é ruim, muito pelo contrário. É exatamente com esse ritual que “Creed: Nascido para Lutar” tem uma força impressionante, pois conseguiu fazer que o personagem principal fosse colocado em um patamar de apoio ao protagonista que em nenhum momento quer roubar a cena, mas sim serve de impulso para que Adonis brilhe em cena.

E como é bom ver Stallone revivendo seu personagem de uma outra maneira. Ele já havia começado esse processo em “Rocky Balboa”, com um filme especial por mostrar algumas relações especiais que ele tinha pendente e como que ele retomou seu lugar no cinema por conta disso. Agora, vemos em “Creed” realmente uma atuação surpreendente digna de aplausos. Não é por acaso que ele venceu o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante e foi nomeado ao Oscar na mesma categoria. E tenho certeza de uma coisa, caso saia vencedor na cerimônia, estará representando a todos que sempre tiveram sonhos de vencer na vida e que batalharam muito para conseguir, sendo as vezes até desacreditado e humilhados por conta dos seus desejos e suas ambições. Importante ressaltar que o trabalho do diretor Ryan Coogler também merece ser elogiado, já que ele trouxe um realismo importante as cenas de luta, fazendo as vezes nos impressionarmos com alguns golpes; recriou a clássica jornada do herói, mas conseguiu aliar a nostalgia com a realidade dos novos tempos. E isso para fãs da franquia Rocky não tem preço, pois diversas coisas presente no filme passado foram importantes para a construção e status que o personagem Rocky Balboa adquiriu no mundo do cinema e até mesmo do boxe profissional.

Mas, agora você deve estar se perguntando sobre a luta em si. Bem, eu tenho uma teoria que defendo a muito tempo que os filmes da franquia Rocky são mais voltados para resoluções de problemas sentimentais e pessoais do que o combate dentro do ringue, que nada mais são de consequências de todas as adversidades que ele passa em sua vida.

“Creed: Nascido para Lutar” é um filme revigorante, empolgante e que podemos considerar até independente da franquia do Rocky. Contudo, ao mesmo tempo presta uma homenagem tão bonita ao passado, que nos deixa com os olhos cheios de lágrimas. E como é bom vermos, mesmo que em pequenos momentos, cenas de “Rocky – Um Lutador” em uma tela de cinema. Fecha toda a experiência com chave de ouro.


Vitor Quartezani

Jornalista, cinéfilo convicto, mas não crítico de cinema. Editor, mas não diretor, e nas horas vagas palpiteiro no mundo dos esportes..
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