cinematografando

"É curioso como as cores do mundo real parecem muito mais reais quando vistas no cinema."

Taís Holetz

Não sabe o quer da vida, moraria no cinema se fosse permitido.


Hugo Cabret: Uma homenagem ao cinema

Baseado no livro de Brian Selznick, Martin Scorsese produziu muito mais que um simples filme. Uma história sobre sonhos. O cinema apresentando o cinema.


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Um garoto órfão, que perambula por uma estação de trem em Paris, rouba pão e conserta relógios. Essa é a história que nos é apresentada primeiramente no filme A Invenção de Hugo Cabret (Hugo) que foge de gêneros e conquista o público com a história marcante e encantadora que passa a contar (que por incrível que pareça, não é sobre Hugo).

Hugo, um garotinho de grandes olhos azuis vê sua vida desmoronar quando se torna órfão e é obrigado a acompanhar seu ranzinzo tio Claude. Porém o garoto tem um objetivo, consertar uma espécie de robô deixado pelo seu pai, mas para isso era necessárias peças das quais não tinha e um velho manual que lhe foi roubado, mas toda essa situação acaba sendo realmente útil para Hugo pois através dessas reviravoltas conhece Isabelle que se torna sua principal cumplice.

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Em primeiro ato a trama não nos entrega a real intenção do longa, mas no segundo ato quando isso acontece é de dar um pulinho na cadeira e agradecer baixinho ao Martin Scorsese por escolher homenagear importantes nomes dos primórdios do Cinema. É de se apostar que a maioria das pessoas que assistem não tinham ideia como a sétima arte surgiu e como os irmãos Lumière tanto quanto George Mélies contribuíram para o cinema ser o que é hoje, o que acaba a se tornar gratificante a intenção do longa, mas que por ora se torna equivoca quando se trata da “invenção do cinema”, honra muitas vezes dada a Thomas Edison, o qual foi um pioneiro editando imagens pela primeira vez no filme Life of an American Fireman (1903) junto com Edwin S. Porter porém, não o inventor propriamente dito.

A Invenção de Hugo Cabret nos surpreende com a quantia de história que aborda e como a trama sai dos trilhos em uma perfeita sintonia, o cinema apresentando o cinema, colaborando de forma cultural com uma narrativa intrigante e apaixonante. A Viagem à Lua, o filme que nos é mostrado em Hugo é semelhante a magia, com fusões e sobreposições de imagens e efeitos que até então não eram vistas em outra parte do mundo, faz com que George Mélies seja considerado o pioneiro em efeitos especiais na cinematografia. Se Auguste e Louis Lumière inventaram o cinema, George Mélies o aperfeiçoou.

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No entanto, no decorrer da trama, nos emocionamos, nos espantamos e somos privilegiados em presenciar imagens um tanto quanto esquecidas em L’Arrivée D’um Train à La Ciotat (A Chegada do Trem na Estação) de 1895 e Sortie de L’usine à Lyon (Empregados deixando a Fábrica) de 1896, produções amadoras dos irmãos Lumière, pequenas exibições que hoje são consideradas épicas e grandiosas para a história do cinema.

O filme de Hugo passa a narrar a história de George Mélies e sua biografia até sua decadência, surge então, um fato real e marcante, onde o próprio George conta como toda a sua fortaleza foi para água a baixo. Durante a Primeira Guerra Mundial a indústria de filmes da Europa foi devastada, causando grandes prejuízos e interrupções de sonhos de quem iniciava a carreira no cinema. Mélies que fez ao todo mais de 500 filmes comparáveis a magia, também foi vítima, e observou perto demais sua ruína.

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Scorsese acertou o pulo mais uma vez em suas produções. Merecedor de cinco Oscar, A Invenção de Hugo Cabret, relembra, e homenageia o próprio cinema e Mélies que por vezes foi esquecido em uma loja de brinquedos na estação de trens de Montoarnasse.


Taís Holetz

Não sabe o quer da vida, moraria no cinema se fosse permitido. .
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