cinésie

a poesia como movimento, o movimento como cinema e o cinema como poesia.

Anna Petracca

Cursa Cinema e Vídeo na Faculdade de Artes do Paraná e Filosofia na UNINTER. Inconstância, liquidez e abstração em forma humana (ou quase). Adora cinema, fotografia, e longas conversas sobre existir.

Cinema paquistanês: Sharmeen Obaid-Chinoy

Jornalista. Ativista. Cineasta. Mas antes de tudo: mulher.


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Sharmeen nasceu no dia 12 de novembro de 1978, em Karachi, no Paquistão. Está no meio cinematográfico desde 2002, data de lançamento de Terror's Children, filme realizado para o The New York Times, no qual apresenta sete crianças afegãs que sofrem as consequências da guerra.

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Seu último filme A Girl in the River: The Price of Forgiveness, conta a história de Saba Qaiser, uma garota de 18 anos que ao decidir se casar com o homem que amava (mesmo sua familia não aprovando a união) foi amarrada e colocada em uma sacola e depois jogada em um rio pelo seu próprio pai. Ao sobreviver para contar sua história, além de ter escapado por pouco de fazer parte das mais de mil mulheres paquistanesas mortas por feminicídio por ano, Saba Qaiser protagoniza A Girl in the River: The Price of Forgiveness.

Antes disso, Sharmeen Obaid-Chinoy já havia denunciado os violentos ataques com ácido que são diariamente feitos às mulheres no Paquistão em Saving Face, que ganhou o Oscar na categoria de melhor documentário de curta-metragem em 2012.

Sharmeen foi a primeira paquistanesa a receber um Oscar, a primeira mulher a ganhá-lo duas vezes, além de ser uma das únicas onze diretoras cinematográficas que ganharam um Oscar por um filme de não-ficcção. Após receber o Oscar de melhor documentário de curta-metragem em 2016 por A Girl in the River, ela envolveu em seu discurso a importância do empoderamento feminino no meio cinematográfico e o poder de um filme sobre a sociedade.

dica: se quiser ver apenas o discurso de Sharmeen, assista a partir de 2'20''

"É isso que acontece quando mulheres determinadas se unem. Na semana passada, o primeiro ministro do Paquistão afirmou que a lei será modificada. Esse é o poder dos filmes."

Sharmeen dá voz às minorias. Sharmeen nos representa. Antes de ser jornalista, ativista, cineasta (e guerreira!) Sharmeen é mulher. Precisamos de mais Sharmeen's em nossas vidas, ou ainda: precisamos ter Sharmeen como exemplo e protagonizar as nossas lutas, dar voz àqueles (e aquelas!) que não a tem; precisamos protagonizar nossas vidas.

Se quiser saber um pouco mais sobre a diretora, há alguns textos escritos (em inglês) pela Stanford aqui e pela Smith College aqui. O site oficial da diretora é esse.


Anna Petracca

Cursa Cinema e Vídeo na Faculdade de Artes do Paraná e Filosofia na UNINTER. Inconstância, liquidez e abstração em forma humana (ou quase). Adora cinema, fotografia, e longas conversas sobre existir. .
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