cinestesia

Cinema, cinestesia e sinestesia

Brie Domenica

Mentalmente hiperativa

Sobre as expectativas românticas no Cinema

O que esperamos de uma comédia romântica? Final feliz é relativo...


seraque

Dois desconhecidos descobrem que possuem muito em comum e constroem rapidamente uma forte e inesperada amizade, até começarem a se questionar “e se...?”

“ ‘E’ e ‘se’ são palavras que, por si, não apresentam nenhuma ameaça. Mas, se colocadas juntas, lado a lado, elas têm o poder de nos assombrar a vida toda. ”

O longa-metragem Será Que? tece a história entre dois novos amigos e suas decepções pessoais, e como encontraram um no outro a solução de muitos problemas, que até então, nem pareciam existir...

É realmente possível ter um melhor amigo e não se sentir atraído por ele? A relação homem x mulher pode ser puramente verdadeira, sem nenhuma segunda intenção?

Essa história é real e totalmente relacionável. Quem nunca passou pela situação de se apaixonar pelo melhor amigo ou de, pelo menos, se confundir um pouco? De se questionar a respeito, em algum momento? É compreensível misturar os sentimentos de vez em quando: amor verdadeiro, paixão, amor de amigo, amor para a vida toda, amizade para a vida toda...

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Wallace é um rapaz que vem sofrendo uma série de desilusões amorosas e, apesar de se interessar a primeira vista por Chantry, decide dar uma chance à nova amizade, e nada mais. Chantry está numa relação estável há anos, mas começa a questionar as ações de seu parceiro com outros olhos a partir do momento em que sua amizade com Wallace se fortalece.

Através de divertidos diálogos e sagazes discussões, acompanhamos o desenrolar de uma espirituosa relação.

O roteiro é inteligentíssimo, minunciosamente costurado. As personagens são críveis e bem desenvolvidas, apesar de sempre terem perfeitas respostas na ponta da língua, apresentam muitos questionamentos e falhas em suas ações, despertando empatia e identificação.

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Finalmente suspirei ao ter encontrado mais um filme em que os protagonistas não são obrigados a ficar juntos no final, onde a garota pode escolher o namorado atual e manter uma amizade saudável com o outro. Assim como em 500 dias com Ela, o garoto engole o orgulho e aprende a conter os seus sentimentos e se dá conta de que prefere tê-la em sua vida como amiga, do que perde-la para sempre.

Mas não, eu estava completamente errada e o que não parecia obvio e provável no inicio, ficou mais obvio e provável ainda no fim! O cliché se repete novamente. Eles ficam de fato juntos. O que Chantry não tinha percebido, ou se forçava a ignorar, é que seu namoro não ia bem e que Wallace despertava nela tudo o que faltava em sua vida, pessoal, amorosa, profissional. Eé muito mais fácil torcer pelo protagonista bonzinho quando o amor da sua vida namora um narcisista completamente antipático...

E Wallace, que teve a coragem de se declarar, e ao não ser correspondido se desvencilhou completamente da amargura do amor não reciproco, largou tudo e foi embora, voltou correndo assim que Chantry estalou os dedos e decidiu que queria ficar com ele.

O filme não é pior por causa do seu desfecho, mas é decepcionante pensar que, para muitos, essa é a única solução para um final feliz. Na vida real, nem sempre temos o que desejamos, mas as pessoas superam, crescem e muitas vezes isso significa perder um amigo, um amor, sofrer de coração partido. Mas isso tudo certamente gera ainda mais força para lidar com futuras desilusões. Por que não aprender com os erros ao invés de se contentar com o mais esperado?


Brie Domenica

Mentalmente hiperativa.
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