cinestesia

Cinema, cinestesia e sinestesia

Brie Domenica

Mentalmente hiperativa

A Jane é Fonda

Um breve encontro com a rainha das galáxias.


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Estou eu no conforto do meu lar, quando recebo a seguinte mensagem “Domenica!!! Das 12h às 14h tem Jane Fonda na livraria! Tô indo lá xeretar. Se der, apareça!” SE DER??? Sem nem pestanejar ou mesmo ter a delicadeza de responder à amiga, saio voando! A caminho, ligo para a minha mãe e quase fico surda “PERGUNTA, PELAMORDEDEUS, O NOME DO CABELEREIRO DELA!” Frustrada há anos, mamãe vem migrando de salão em salão em busca do corte perfeito (o da Jane), mas acaba sempre saindo à la Bozo, Tootsie, Rod Stewart, Ana Maria...

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Chego em cima da hora, atravesso o mar de gente para morrer aos pés do segurança que guarda caixão no começo da fila. Arrisco perguntar, mesmo já imaginando a resposta “Oi! Ainda dá para entrar?”, na pontinha dos pés, espiando pelas frestas entre as cabeças à minha frente. “Não!” “Mas moço, não são nem 14h e...” Ao avistar a Jane distante - mas tão perto! - faço, provavelmente, alguma cara de sofrimento que causa alguma compaixão (ou medo) no indivíduo que logo aponta e joga a responsabilidade para um dos organizadores que de longe consente com a cabeça. Aliviada, corro para comprar o livro (Ah, é! Ela lançou um livro. E só entra na fila quem tiver um, óbvio! Imagine se ela assinaria o meu caderninho fuleiro dos Ursinhos Carinhosos...).

Volto para a fila toda pomposa desfilando pelos ziguezagues. Ao finalmente alcançar a linha de chegada, na fervura do momento, acho que escapa um “Hi, Jane. I´m a big fan!” estremecido e com os olhos mareados. Mas sabe, quando você é da área de cinema, tem esse direito (ou desculpa). Não é tietagem, isso faz parte do trabalho, pesquisa de campo, networking...

Aí, nervosa e sem saber o que fazer, abro a boca e digo que o papel dela em Barbarella me despertou interesse pela sétima arte quando criança. Ela me olha um tanto surpresa e responde “Oh... Really?” - longa pausa enquanto autografa - “Interesting... Well, thank you!” Não, Jane! Thank you eu! Depois eu paro para pensar que ela provavelmente deve ter imaginado que tipo de artista doida eu seria tendo Barbarella como inspiração...

Para quem não conhece, Barbarella é um sci-fi trash/sensual dos anos 60. Ou seja, praticamente uma pornochanchada com seres extraterrestres! Mas eu sempre a achei demais e corajosa! E com um figurino sucesso-garantido em qualquer festinha à fantasia (estritamente vetado pela minha mãe, claro). Um verdadeiro exemplo de girl power! Uma guerreira do espaço que deixa a Leia Organa e seu biquininho de metal no chinelo!

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Os fãs de ciências e admiradores da anatomia feminina, que idolatram a princesa dos cabelos de cinnamon roll, não sabem de nada...

Muitos anos depois, Jane continua no topo e provando que não é/foi apenas um rostinho bonito, além de musa fitness!

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E é bem sobre isso que ela discorre em seu livro; o que fez para chegar onde está hoje, nessa idade, de uma forma saudável e feliz! Praticamente o que todos nós buscamos, não?


Brie Domenica

Mentalmente hiperativa.
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