código aberto

Um modo de pensar diferente, uma filosofia...um sonho!

Ana Josefina Tellechea

O acaso me trouxe escolhas e meu coração me fez chegar até aqui, porque a razão ainda estou aprendendo a usar. Mulher, Cantora, Professora, escritora e um tanto de coisas mais que vou descobrindo ser.

50 tons de hipocrisia

A série de livros de 50 tons de cinza, de E. L. James, vendeu mais de 100 milhões de cópias em todo o mundo - e continua vendendo - e o Brasil está no ranking de um dos países que mais comprou, atrás dos EUA e Reino Unido.

Daí eu te/me pergunto: onde se escondeu toda essa gente que andou comprando e lendo os livros e que esperou loucamente pelo filme que foi lançado em fevereiro deste ano? E de onde saiu toda essa gente fazendo críticas ferrenhas às práticas sádicas de Christian Grey? O que realmente as incomoda?


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Me desculpem pela sinceridade, mas hipocrisia perpassa pelo campo de se comportar de uma forma - principalmente quando se está só ou entre quatro paredes - e falar outra. O assunto é delicado e é evidente que não são todas as mulheres que gostam de "apanhar" (se é que isso pode ser considerado como tal).Mas o fato é que muitos homens e mulheres tem se sentido incomodados com a trama, uns por que acham absurdo uma mulher se submeter aos desejos de um homem, principalmente quando se trata de uma tortura/violência(oi?!) física, ao menos é isso que as feministas (?) mais duras falam, e outros por acharem que o personagem faz-se valer da sua condição financeira para atraí-la com presentes.

As pessoas adoram nos dizer o que se pode ou não fazer. A prática do sadomasoquismo é algo muito mais comum do que se possa imaginar e raras exceções, quase nunca está vinculada a um ato violento, e sim a um ato de exploração do prazer. O nosso cérebro funciona de uma forma muito curiosa e a mesma glândula (aquela que conhecemos como pineal) que estimula o prazer é a que está relacionada à dor, sendo assim, existe uma linha muito tênue que separa as duas e muitas pessoas sentem prazer quando se estimula o corpo a sentir algum tipo de dor suportável e nada absurda, como no caso dos tapinhas, mordidas e demais brincadeiras que quase 100% das pessoas já devem ter feito com um parceiro (a).

No que se refere ao movimento feminista, tenho grande respeito, mas devo me opor às atitudes que ultrapassam esse limite e beiram ao sexismo. Existe uma grande diferença entre ambos conceitos e as mulheres que se classificam como feministas muitas vezes acabam perpetuando valores absurdos totalmente avessos à proposta do movimento feminista e que apenas fazem com que a guerra entre os sexos ganhe força. Se tanto se fala em direitos das mulheres e de usar o próprio corpo como bem se queira, qual o problema da trama? Os atos são consensuais, por tanto, inexiste violência, como fazem questão de colocar em questão à todo momento com argumentos hipócritas nos velhos memes das redes sociais que se multiplicam e viralizam por aqueles que, por algum motivo, sentem que devem dar satisfação de sua vida sexual à sociedade.

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A prática sexual, sadomasoquista ou não, com amor ou sem amor,hétero, homossexual ou bissexual, entre duas, três ou quantas pessoas se possa imaginar, se for um acordo entre os sujeitos do ato, não há violação de espaço, muito menos do corpo.

Mas então, onde está o problema?

O problema reside no falso moralismo. No incômodo estranhamento que existe ao que diverge da sua moral. Bem, a moral é sua e faça dela bom proveito, mas não tente metê-la goela a baixo e reveja-a sempre que for possível. Se a sociedade continuar a rotular comportamentos e mais do que isso, encapsular os indivíduos em grupos de acordo com os padrões comportamentais, teremos algo bem parecido com o a série do livro Divergente, de Veronica Roth... Essa conversa já é outra!(Ou não).


Ana Josefina Tellechea

O acaso me trouxe escolhas e meu coração me fez chegar até aqui, porque a razão ainda estou aprendendo a usar. Mulher, Cantora, Professora, escritora e um tanto de coisas mais que vou descobrindo ser..
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