código aberto

Um modo de pensar diferente, uma filosofia...um sonho!

Ana Josefina Tellechea

O acaso me trouxe escolhas e meu coração me fez chegar até aqui, porque a razão ainda estou aprendendo a usar. Mulher, Cantora, Professora, escritora e um tanto de coisas mais que vou descobrindo ser.

Dark Writer e propriedade intelectual: Um projeto livre que rendeu-se às amarras do capitalismo

O Dark Writer Project é (era?) um projeto literário, cujo origens perpassam pelo desconhecido. A pessoa por trás da ideia inicial do projeto não se identifica e tão pouco revela sua idade, mantem-se uma incógnita. Dark Writer, como se denomina o mentor do projeto, utilizando uma estratégia de seleção, recrutou sua “equipe” e assim acabou por formar uma legião de fãs, que além de simplesmente segui-lo, passaram a fazer parte do projeto, construindo, opinando, diagramando, ilustrando e divulgando a obra que era (?) disponibilizada para download na rede para toda e qualquer pessoa que tivesse interesse.


anonymous-376540_640.jpg

Foi em 2010 que, traçando perfis no então ainda vivo Orkut, que ele foi em busca de mentes escritoras, assim como a dele, e recrutou­-as a fazerem parte deste misterioso plano de dar forma aos seus escritos iniciais. A frase que ele utilizava para chamar seus seguidores era convidativa: “Gostaria de acompanhar a criação de um livro?”, buscando fazer com que o projeto se tornasse próximo às pessoas e para que elas se sentissem à vontade para colaborar, uma vez que estavam entre amigos.

Esse tipo de projeto é muito comum no mundo “livre”. Os Hackers, no real sentido da palavra, têm seus ideais pautados na liberdade e compartilhamento de informações com o intuito de alcançar a melhoria e disseminação de conhecimento e com isso criam redes de compartilhamento, grupos e grandes comunidades de criação de softwares de código aberto disponibilizados na Web. São inúmeros os projetos criados para criação, melhoria e distribuição de softwares para todo o tipo de aplicação.

Foi aproveitando essa tal liberdade que o indecifrável, Dark Writer, consciente disso (ou não), criou uma enorme rede de compartilhamento de informações, entendendo ele, esperto que é, que muitas mentes criam mais rápido e com mais qualidade. Porém a cultura hacker no projeto Dark Writer pára por aí...

Não seria a primeira vez que o movimento hacker pela liberdade de compartilhamento seria traído. Uma certa vez, um tal de Bill Gates e um tal de Paul Allen, criaram uma tal de Microsoft, certamente conhecida por todos. A Microsoft, em 1981, criou o Windows, que é um sistema operacional que vai de encontro a todo e qualquer ideal de liberdade e compartilhamento de informações. Além de você ter que adquirir uma licença para utilizá-lo, o seu código fonte é restrito a quem o fez, ou seja, nada de criar em comunidade aberta, de replicar, redistribuir, melhorar, baixar...

Mas qual é a relação de um projeto tão bonito, feito pelos e com os fãs do indecifrável, com a tal da propriedade intelectual e as licenças Copyright?

Eis que o projeto toma proporções internacionais e por meio do Twitter, uma das fãs e colaboradoras do projeto sugeriu a leitura ao Barry Cunningham, nada mais e nada menos que o editor que lançou J.K Rowling. É aí que se inicia uma caminhada oposta à que vinha sendo traçada. Os capítulos são retirados da internet, restando apenas o primeiro, como estratégia para atrair leitores para as obras que agora serão pagas e que serão rediagramadas,redesenhadas, reescritas e vendidas, sim, isso mesmo! Vendidas para os próprios participantes do projeto e para quem mais queira. Uma obra antes disponível para download e aberta à participação dos próprios fãs em sua construção, hoje torna­-se uma obra fechada, praticamente inacessível (até que se lance o livro) e que os seus verdadeiros colaboradores jamais receberão o devido e merecido mérito por isto.

Bem, talvez o indecifrável não seja tão indecifrável assim, já que ele foi tão previsível ao se render à lógica capitalista do Copyright.


Ana Josefina Tellechea

O acaso me trouxe escolhas e meu coração me fez chegar até aqui, porque a razão ainda estou aprendendo a usar. Mulher, Cantora, Professora, escritora e um tanto de coisas mais que vou descobrindo ser..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/sociedade// @destaque, @obvious //Ana Josefina Tellechea