código aberto

Um modo de pensar diferente, uma filosofia...um sonho!

Ana Josefina Tellechea

O acaso me trouxe escolhas e meu coração me fez chegar até aqui, porque a razão ainda estou aprendendo a usar. Mulher, Cantora, Professora, escritora e um tanto de coisas mais que vou descobrindo ser.

Por mais "Rauls" e menos "Gabrielas"

"Eu prefiro ser, essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo". (Raul Seixas)


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Fico me questionando sobre a natureza humana e o poder que os outros tem sobre nós. Até que ponto somos capazes - e estamos dispostos- de mudar nossa essência ou mudar o rumo das coisas quando necessário?

Olho para as minhas raízes e tenho certeza de que há erros que não quero repetir. Erros que muitas vezes foram cometidos por alguém que admiro e talvez muito amo. São características próprias da minha existência que às vezes parecem incapazes de serem dissociadas do meu ser.

Algumas pessoas tem o dom - se é que assim posso chamar - de expressar seus sentimentos com um simples olhar, falando parece muito bonito, mas na prática, é uma sina. Algo que te persegue e te denuncia à todo momento. Normalmente este tipo de pessoa é incapaz de se manter calada, quando cala a sua boca, seus olhos imediatamente a delatam sem a menor pena e não deixam dúvida alguma de que algo a incomoda.

O outro extremo reside nas pessoas que conseguem simplesmente deixar passar, abstrair, esquecer e não dizer nada. Me pergunto como uma alma processa tudo isso sem questionar-se e continua a viver como se nada do que está ao seu redor interessasse, apenas o que se passa em sua mente, enquanto o mundo gira e as pessoas vivem. Um introspectivo nato. É aí que você se engana, os introspectivos são os que mais falam, mas falam consigo mesmos, talvez por isso prestar atenção aos outros seja, no mínimo, cansativo.

Posso estar simplesmente especulando, mas a natureza das pessoas é algo que vira e mexe me deixa inquieta. Dizem por aí que somos uma raça só, a raça humana, e juro que às vezes me custa acreditar nisso quando vejo o quanto somos complexos e diferentes. Uns com a enorme capacidade de se adequar a uma realidade e manter-se nela como se ao nascer, lhe tivessem posto uma coleira e seu pescoço simplesmente se atrofiasse e parasse de crescer, adaptando-se àquilo como se fosse sua única forma de viver; outros que buscam as mudanças constantes e não suportam a rotina e constantemente se renovam.

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Até determinada idade, mais ou menos no início de nossa adolescência, os questionamentos sobre nossa natureza não aparentam ser tão importantes, vivemos como se não houvesse amanhã. Mas aí as relações vão ficando cada vez mais intensas e aumentam em número e você começa a fazer análises de perfis psicológicos e a julgar as pessoas, "esta presta, aquela não"; às vezes parece tão difícil encaixar as pessoas numa padrão, por que temos medo de fazer um julgamento inadequado. É difícil por que esses padrões são fluidos e artificiais, são incapazes de dar conta da nossa complexidade.

As situações do cotidiano moderno, na maioria das vezes, fazem com que tenhamos que ir de encontro com a nossa natureza e nossas verdadeiras necessidades psicológicas para que não sejamos estereotipados e fadados ao fracasso emocional e social. Vivemos em uma eterna corda bamba onde controlar a natureza é fator principal para se ter uma boa imagem e uma convivência "saudável". Mas saudável como? Trancafiar nosso monstro interior numa jaula é verdadeiramente a chave para estar psicologicamente e fisicamente saudável? Nascer, crescer e viver toda uma vida seguindo um roteiro sem olhar para os lados é a solução?

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Eu sei, como humana que sou, que nem tudo que existe em nós é plausível e lindo de se ver. As nossas características inatas nem sempre são as mais belas e dignas de elogios. E por experiência própria, digo que não é impossível "domesticá-las", o termo parece forte e realmente é, mas o que quero dizer é que nem sempre haverá eficiência ao trancá-las como uma fera, por que seu inconsciente vai trazê-las à tona a qualquer momento, é preciso mais do que isso, é preciso transformá-las, sem deixar que "aquela velha opinião" prevaleça.

As nossas origens falam muito sobre nós e muitas vezes não gostaríamos de admitir. Cometemos os mesmos erros que criticamos outrora e sem nos dar conta acabamos cedendo às raízes, ou ainda pior, acabamos cedendo à força social que nos leva a ser qualquer coisa, menos nós. Meros reprodutores, cópias idênticas e com uma visão limitada.

Uma coisa é fato: ser Raul, com sua metamorfose ambulante é muito mais vantajoso do que ver o mundo por uma única ótica, tornando-nos Gabrielas estáticas. Explorar os possíveis "eus" do seu ser e compreender que mudar a sua natureza é possível quando se faz necessário. A mudança de atitude é exigência e fator fundamental para que a vida se renove. A alma precisa evoluir e refazer-se constantemente para dar conta dos caminhos tortuosos da vida. Aquilo que eu entendi como bom ontem, hoje talvez já nem sirva, e desfazer-se de pesos é preciso para seguir adiante.

Viva com a plena certeza de que você "nasceu assim", mas crescerá e viverá como uma "metamorfose ambulante".


Ana Josefina Tellechea

O acaso me trouxe escolhas e meu coração me fez chegar até aqui, porque a razão ainda estou aprendendo a usar. Mulher, Cantora, Professora, escritora e um tanto de coisas mais que vou descobrindo ser..
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