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Um modo de pensar diferente, uma filosofia...um sonho!

Ana Josefina Tellechea

O acaso me trouxe escolhas e meu coração me fez chegar até aqui, porque a razão ainda estou aprendendo a usar. Mulher, Cantora, Professora, escritora e um tanto de coisas mais que vou descobrindo ser.

Pelo direito de não (só)rir

Sem motivo ou qualquer explicação, você acorda tão feliz que fica difícil até organizar as ideias. Tudo parece mais bonito, as cores mais vivas, os cheiros mais gostosos. A única coisa que vem à cabeça é o sentimento de gratidão por ser tão afortunado. Quem nunca se sentiu assim?


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Mas o mundo parece não querer corresponder a esse sentimento e todos ao seu redor parecem querer sabotar tamanha felicidade, de repente parece que a carroça virou abóbora e tudo resolve te convencer de que o dia não será assim tão bom!

Pior do que acordar mal humorado, só mesmo acordar super bem e ver tudo descer ralo a baixo! Mas aí você se lembra que precisa ver pessoas que esperam de você uma postura "adulta", um "comportamento adequado". A solução é travestir um sorriso pra distribuir felicidade aos quatro cantos, afinal, é isso que esperam de você e da sua maturidade emocional.

Há alguns anos, na minha adolescência, lembro-me de não conseguir segurar o choro na rua e uma moça, com toda sua educação e adestramento moral me disse: "não chore na rua, é feio!" com essas exatas palavras, fui para casa pensando o quão errado eu havia agido a ponto de me chamarem a atenção por isso. Desde então, durante longos anos (talvez não tantos assim, mas me pareceram uma eternidade), procurei policiar meus sentimentos à todo momento, sob pena de não ser bem aceita ou vista por mostrar o que sinto ou penso.

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Eis que a vida prega-nos peças que muitas vezes são capazes de trazer de volta aquilo que outrora parecera inaceitável. Há alguns poucos anos me formei e comecei a conviver intensamente com uns seres que chamamos de adolescentes. Impressionante como nós professores imersos na nossa arrogância imaginamos que depositaremos conteúdos descontextualizados e que muitas vezes não têm qualquer sentido para os alunos, mas no fim das contas, somos nós que levamos lições para casa todos os dias.

Com eles revivi intensos momentos que há muito não me permitia. Reaprendi a sorrir alto, chorar sem medo de julgamentos, opinar, demonstrar o que sinto, não sorrir quando não tenho vontade, viver intensamente cada dia, valorizar os amigos, mesmo quando me dizem que estes não mais existem, confiar, mesmo quando são poucas as pessoas com as quais posso fazer isso, cair e levantar, dançar (de verdade e não como a maioria dos adultos se balançam timidamente), reaprendi a me permitir e a me despir de rótulos. Aprendi que não posso me despir de mim mesma se eu quiser ser feliz.

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Nós adultos temos muito o que aprender! Sorrisos são de muita valia para serem distribuídos sem o devido merecimento. Com isso não digo que não devemos sorrir, mas digo que devemos dar mais valor ao que realmente sentimos e nos dar a oportunidade de dar vasão à nossa essência, dando-nos a oportunidade de auto-conhecimento para uma vida plena, vivida em seus altos e baixos.

Um dia, um desses alunos adolescentes me perguntou: "Você é feliz?". Por um instante pensei, mas não hesitei em responder que "sim", porque hoje eu entendo que a verdadeira felicidade não reside no sorriso, reside no ser o que você realmente é e não engaiolar sua alma, mesmo quando isto signifique não parecer tão maduro ou autoconfiante, mesmo quando isto signifique não (só) rir quando não sente vontade ou, ainda, sorrir loucamente!


Ana Josefina Tellechea

O acaso me trouxe escolhas e meu coração me fez chegar até aqui, porque a razão ainda estou aprendendo a usar. Mulher, Cantora, Professora, escritora e um tanto de coisas mais que vou descobrindo ser..
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