código aberto

Um modo de pensar diferente, uma filosofia...um sonho!

Ana Josefina Tellechea

O acaso me trouxe escolhas e meu coração me fez chegar até aqui, porque a razão ainda estou aprendendo a usar. Mulher, Cantora, Professora, escritora e um tanto de coisas mais que vou descobrindo ser.

A geração moralista

É certo que a sociedade avançou em muitos aspectos nos mais diversos âmbitos. Hoje podemos discutir livremente (ou não) sobre inúmeras temáticas que outrora pareceram intocáveis, verdadeiros tabus.
Essa possibilidade de dar voz aos problemas sociais foi - e é - de extrema importância para que possamos dar vasão a novas visões e formas de pensar e viver.
Mas até que ponto estas mudanças realmente podem ser consideradas libertadoras?


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Assistindo a alguns programas antigos que passam no canal Viva, da Rede Globo de televisão, me vieram alguns incômodos em relação à conjuntura social atual e seus desdobramentos para chegarmos onde estamos. Antes disso, já venho há muito tempo construindo uma certa aversão a alguns movimentos que acabam convergindo cada vez mais para que a liberdade de expressão se torne uma verdadeira utopia.

A verdade é que ao assistir novelas e até mesmo programas de auditório antigos, algumas atitudes que hoje recriminamos e entendemos como absurdas, até pouco tempo eram tão comuns que parece inacreditável perceber que hoje seriam passíveis de punição ou de grande repercussão na mídia. Com isto não estou desmerecendo a importância das mudanças sociais e da nossa forma de viver que são verdadeiros avanços, mas me pergunto até que ponto estas mudanças não estão criando uma geração de moralistas e até mesmo ditadores que não toleram qualquer tipo de pensamento divergente.

Sabe-se que na década de 1960 (mais precisamente de 1964 a 1985) o Brasil passou por anos de censura. A música era considerada uma arma contra o regime, podemos dizer que a arte em si era um instrumento que causava um certo temor para os mais conservadores e entusiastas do mesmo. Lutamos (ou lutaram, já que não estive "lá", mas com certeza seria considerada uma rebelde simplesmente pelo fato de gostar de escrever e refletir acerca da sociedade) para que a censura acabasse e para que pudéssemos libertar pensamentos e fazer deles possíveis fontes de transformação. Finalmente (aparentemente) conseguimos! Estamos nesse tempo de questionar, colocar em voga, avaliar, desconstruir ideias, reconstruí-las e continuar a transformá-las.

Sim ou não?

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A verdade é que esta resposta tem se tornado cada vez mais difícil de ser dada. Talvez, no final da década de 1980 e por toda a década de 1990, foram os verdadeiros "anos loucos" dos brasileiros. Basta procurar no Youtube alguns programas televisivos antigos e poderemos constatar a "loucura" (no melhor dos sentidos) dos apresentadores dos programas e das tramas novelísticas. Talvez a preocupação da referida década não fosse necessariamente avaliar comportamentos alheios e sim viver seus próprios comportamentos, falava-se o que se pensava sem tantos pudores ou medo de julgamentos, afinal, mais de duas décadas de ditadura foram o suficiente pra sufocar pensamentos e sentimentos que estavam loucos pra sair por aí espalhando loucura e amor. Só quem viveu nos anos 90 sabe do que estou falando.

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Com certeza nossos jovens adolescentes de hoje ao assistir um programa daquela época teriam uma grande surpresa e uma sensação de estranhamento. Será que todas estas novas regras comportamentais que estão sendo impostas nesta nova era não estão limitando as nossas possibilidades? Será que, aos poucos e sem perceber, não estamos criando uma geração de pessoas que têm medo de se posicionar, de se expressar de dar voz aos seus pensamentos?

Estamos na era da informação, onde as tecnologias digitais nos permitiram quebrar as barreiras do espaço e estar em mais de uma lugar ao mesmo tempo, e esta possibilidade deveria abrir caminhos para uma sociedade capaz de saber lidar com os mais diversos pensamentos e comportamentos, mas o que ocorre é justamente o contrário! Estamos caminhando para uma censura moralista, pela qual dificilmente poderemos lutar contra, uma vez que está sendo construída por nós... Não culpemos a mídia, não culpemos os governantes, não culpemos nossos pais. Os moralistas (ou moralistas de fachada) somos nós, ou pelo menos aqueles que escolhem ser.

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Ana Josefina Tellechea

O acaso me trouxe escolhas e meu coração me fez chegar até aqui, porque a razão ainda estou aprendendo a usar. Mulher, Cantora, Professora, escritora e um tanto de coisas mais que vou descobrindo ser..
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