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Um modo de pensar diferente, uma filosofia...um sonho!

Ana Josefina Tellechea

O acaso me trouxe escolhas e meu coração me fez chegar até aqui, porque a razão ainda estou aprendendo a usar. Mulher, Cantora, Professora, escritora e um tanto de coisas mais que vou descobrindo ser.

Escolhi o coração...

Já parou pra pensar quantas vezes a razão te decepou oportunidades? Quantas vezes deixamos de expor intensamente nossa essência por medo do que possa vir a acontecer? Dos julgamentos, das consequências, do erro, do arrependimento? Pois então te digo: A razão é a culpada!


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Quando crianças, vamos descobrindo o mundo, e o instinto humano de descoberta acaba guiando nossos atos. Aos poucos, vamos compreendendo como a sociedade funciona, o que se deve ou não fazer, o que se deve ou não dizer, à quem dizer ou como dizer/fazer.

Talvez, a fase mais fácil da vida, e ao mesmo tempo mais difícil, seja a infância. Na infância, enfrentamos cada dia um desafio, tudo é novo mas, ao mesmo tempo, somos programados biologicamente para nos adaptar às situações de forma absurdamente fácil. Nessa fase, ainda nos são permitidos determinados comportamentos como se estivéssemos – e estamos – na fase de “treinamento”. Demonstrar emoções, agir de forma estranha, priorizar seu próprio bem-estar, gritar, etc, são atitudes não tão condenáveis em uma criança mas, aos poucos, os adultos se encarregam de nos mostrar que nossos instintos não são, assim, tão bem vistos na sociedade.

É na adolescência que começamos a nos sentir seres "de fora"...mas, fora de quê? Fora. Apenas fora. Simplesmente não há onde se encaixar. Na adolescência, não somos nem crianças, nem adultos. Não podemos nos comportar como crianças e agir por instinto, mas não somos adultos. Na adolescência, somos seres que estão entre uma coisa e outra, mas somos um pouco dos dois. É aí que inicia uma turbulência de pensamentos inquietantes. Nos dizem que devemos amar ao próximo, que devemos ser gentis, mas o que vemos é um mundo de pessoas adultas que optaram pela razão e que atitudes simples de afeto são reprimidas. Os adolescentes são sempre amorosos quando conseguimos extrair o melhor deles, infelizmente são poucas as pessoas adultas que terão a oportunidade de fazê-lo.

Quando chegamos à fase adulta (uns dizem que depois dos 21, outros que depois dos 25) alguns anos se passaram desde a adolescência, e começamos a perceber o quanto as coisas mudaram. Ao olhar pra trás procuramos uma parte que grande parte de nós deixou cega, surda e muda: o coração. As pequenas decepções que tivemos fizeram com que nos tornássemos cuidadosos e sempre atentos. Passamos a julgar aos olhos da razão e, com medo das consequências de escolher o coração como guia, deixamos de lado reais possibilidades de momentos felizes. A razão é uma espécie de armadura que, supostamente, nos protege de novas decepções, desilusões, falsas amizades e o que mais os adultos inventaram para justificar suas frustrações.

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Isso me faz lembrar um aluno – vira e mexe volto nas minhas vivências com eles - Um dia na aula ele estava bem triste e quando perguntei ele me disse que não tinha amigos, que eram todos falsos! Eu disse que era normal que as pessoas de bom coração e que se entregam às pessoas sofressem um pouco, mas que há muitas recompensas, como sentir-se verdadeiramente amado e lembrado por sua bondade.

De que vale viver sem se arriscar? Qual o propósito das nossas vidas? Será que é mesmo vivermos nos protegendo de prováveis decepções? Acredito que o amor seja o caminho para todas as coisas. Decepções, momentos tristes, frustrações, problemas, todos eles vão existir, mas vivo na certeza de que rodeada de pessoas, amizades, boas energias e sendo capaz de expressar o que sinto quando preciso, tudo vale a pena.

Finalizo este texto com uma reflexão em uma tirinha de Yorhán Araújo (Devaneios com: Sigmund e Freud) que sintetiza meus pensamentos... Não quero ser eu a carregar o defeito do desamor... Se cada um de nós pensasse assim, talvez não houvesse necessidade de vestir uma armadura.

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Ana Josefina Tellechea

O acaso me trouxe escolhas e meu coração me fez chegar até aqui, porque a razão ainda estou aprendendo a usar. Mulher, Cantora, Professora, escritora e um tanto de coisas mais que vou descobrindo ser..
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