código aberto

Um modo de pensar diferente, uma filosofia...um sonho!

Ana Josefina Tellechea

O acaso me trouxe escolhas e meu coração me fez chegar até aqui, porque a razão ainda estou aprendendo a usar. Mulher, Cantora, Professora, escritora e um tanto de coisas mais que vou descobrindo ser.

O que é educar? Relato de uma professora-aprendiz

Meu avô, Lázaro, que com suas leituras diárias de jornais e revistas levantava discussões à mesa com minha avó e sempre acabávamos participando e compreendendo o contexto social vigente, sem saber, estavam promovendo um momento de análise e reflexão para suas netas e permitindo que aprendêssemos de forma significativa.


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Minha Professora de Redação no Ensino Médio, Rosângela Góes, atual Coordenadora da escola na qual hoje eu "ensino" e continuo a aprender com ela, uma verdadeira mestra progressista, à frente de nosso tempo; Meu Professor Nelson de Luca Pretto, na Disciplina "Ética Hacker e Educação", no programa especial de Mestrado em Educação da Universidade Federal da Bahia, com as discussões levantadas e eternos questionamentos sobre o que são educações (sim, no plural) no contexto da cibercultura; Dentre todos estes, não poderia jamais deixar de citar meus alunos. Aprendo com eles todos os dias, com os meninos de 10 anos a capacidade de nos renovar e evoluir a cada dia, com os de 15 a superar as dificuldades emocionais num mundo que insiste em matar o amor em seres que são puro fervor, com os de 18 aprendi que a despedida e a mudança são necessários para prosseguir, encarando com coragem os novos desafios e com os mais velhos do que eu, aprendo lições de vida, de morte, de trabalho, de família e de tudo o que eu me permitir ouvir e cativar. Estes são pra mim, a resposta do que é educar...

Sem sombra de dúvidas aquelas que envolviam olhares ternos e sinceros foram a minhas maiores experiências de verdadeiro aprendizado...de amor pelo que se está fazendo. Infelizmente, aos meus 26 anos não foram muitas. Aos 10 anos tive a verdadeira "professora Maluquinha". Não escondia suas emoções e ao mesmo tempo nos cativava e aprendi de tudo um pouco numa sala multisseriada, cheia de amor e valorização das especificidades de cada ser ali dentro (talvez um dos períodos mais intensos de aprendizagem da minha vida). Este período foi recheado de vivências e experimentações que tento trazer para meus alunos hoje, mesmo com as limitações que o espaço escolar no qual atuo tem. Tínhamos oportunidade de conhecer nosso corpo, a natureza, discutir atitudes agressivas (hoje denominadas Bullying) éramos os verdadeiros protagonistas no nosso processo, junto com os professores. No Ensino fundamental 2 e Ensino médio são poucas as lembranças de aprendizagem real...Talvez no Ensino médio com alguns poucos professores que já compreendiam que ensinar não é palestrar e nem depositar conteúdos e sim construir o conhecimento juntos.

Quando ingressei na Faculdade, no curso de Pedagogia, na Universidade do Estado da Bahia, a sensação que eu tinha era de total escuridão. Nada fazia sentido e tudo era muito novo e espero nunca esquecer essa sensação porque preciso dela pra lidar com meus alunos que se sentem assim na maior parte do tempo. Com o passar do tempo fui emergindo no mundo das tecnologias digitais e entendi que elas, mais do que aliadas da educação, são elementos culturais contemporâneos. Aí vieram as principais inquietações. Logo nas minhas primeiras pesquisas, percebi que algo não encaixava, se falava em "novas tecnologias" (como assim novas?).

Quando fui selecionada como aluna especial da Disciplina Ética Hacker e Educação da FACED - UFBA eu jamais imaginaria que o vazio que estava dentro de mim em relação à educação iria apenas aumentar...Sim, aumentar! Eu pensei que fosse encontrar respostas, mas o que encontrei foram cada vez mais questionamentos e compreendi que são eles que movem o mundo e, principalmente, a educação. O modelo educacional vigente em nada (ou quase nada) permite que possamos utilizar as tecnologias digitais de forma concreta. Não se trata de inserir tecnologias novas, se trata de reconfigurar práticas porque a cultura mudou, a forma de nos comunicarmos mudou, a maneira como vivemos mudou... E a escola? A escola continua com a mera substituição de um pelo outro (caderno e livro, por tablet, por exemplo) e ainda não chegou nem perto de modificar e redefinir processos.

Não acredito que exista uma única definição que dê conta da palavra "educação" e muito menos do que é educar. A educação permeia em todos os âmbitos. Talvez um sinônimo da educação seja o amor, ou seja, algo que não tem uma definição só. O que sinto mais vivo em relação à educação em mim, é a necessidade de amar o que se faz. Se tens filhos, ame-os de verdade que com certeza os educarás; Se escolheu ser professor, ame o que faz que com certeza vai fazer o que for preciso para fazer com que seus aprendizes façam jus à palavra. Falta o amor em educar, o amor em se dedicar, o amor por evoluir, o amor por amar. Isso é o que está mais vivo sobre a educação.

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Há algumas semanas fui presenteada. Talvez tenha sido o melhor e mais lindo presente que recebi na vida! Escolhi ser professora e hoje amo mais do que qualquer coisa o que faço, é minha essência. O presente foi um livro, "Uma professora muito maluquinha" de Ziraldo. Disse à minha aluna que esse presente significava muito mais do que ela pudesse imaginar (talvez ela realmente saiba)... Eu estou sendo aquela pessoa que mais admirei na infância, a minha professora do primário (à época Sandra Cerqueira). O legado que quero deixar? Que jamais devemos nos contentar e nos comportar como simplesmente esperam de nós, que temos que ir além, amar a vida, as pessoas, o que escolhemos para nós. Amar a vida significa deixar boas marcas nos corações, isso com certeza terá como consequência o aprendizado e pode chegar perto de uma definição do que é educação.


Ana Josefina Tellechea

O acaso me trouxe escolhas e meu coração me fez chegar até aqui, porque a razão ainda estou aprendendo a usar. Mulher, Cantora, Professora, escritora e um tanto de coisas mais que vou descobrindo ser..
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