código aberto

Um modo de pensar diferente, uma filosofia...um sonho!

Ana Josefina Tellechea

O acaso me trouxe escolhas e meu coração me fez chegar até aqui, porque a razão ainda estou aprendendo a usar. Mulher, Cantora, Professora, escritora e um tanto de coisas mais que vou descobrindo ser.

O que a dor nos ensina?

Somos programados para acreditar que a dor é algo nocivo e nessa teia de ilusões na qual fomos envolvidos, vivemos numa fuga incessante e numa luta incapaz de ser vencida. A dor sempre vai estar lá, e abraçá-la vai ser menos cansativo. Permitir-se sentir é imprescindível à evolução humana.


Capturar.PNG

Depois que a dor passa - ou simplesmente nos acostumamos com ela - que a cabeça sente o travesseiro, que a poeira assenta, vem as reflexões. Essa é a verdadeira importância da dor: o aprendizado. Não se trata do aprender a não mais fazer, como quando olhamos para aquela velha cicatriz que ganhamos na infância e lembramos que não se pode pular de um lugar tão alto ou correr tão rápido. Se trata daquilo que deixamos de ser, ou melhor dizendo, quem passamos a ser depois da dor. A queda, o sangue escorrendo, o choro, o medo, nenhum deles é o verdadeiro responsável pela marca que vai ficar. O responsável é aquele que nos impulsiona. Pode ser você mesmo, pode ser um grande amor. À estes, até o mais profundo agradecimento seria incapaz de ser suficiente. Somos os verdadeiros geradores de dor e ainda assim incapazes de lidar com ela.

O problema reside na construção e perpetuação do conceito de que permitir-se sentir a dor é sinal de fraqueza. Quando o assunto é dor, somos verdadeiros analfabetos emocionais. Desconstruir e reconstruir a nossa forma de encarar a dor é a própria dor.

O que nos causa estranhamento medo, angustia solidão, sentimento de perda nem sempre é algo ruim,ao menos não a longo prazo. A capacidade de mutação desperta através do sentir e para sentir é preciso permitir-se. Algumas pessoas e situações passam por nós pra nos mostrar a importância de evoluir, mudar.

O verdadeiro sentido da vida está em se compreender como ser mutável e que por necessidade precisa se adaptar ao meio; o medo do sentir é justamente aquilo que faz com que a alma fique estagnada e num eterno estado de prevenção acabamos por ser o fim em nós mesmos, sempre medindo passos pequenos, milimetricamente calculados. É nesse cálculo impossível que nos perdemos e pela ilusão do controle a dor vem e lidar com ela se torna ainda mais difícil. Desde que nascemos somos expostos à dor, ela faz parte da natureza, o vai e vem, o sobe e desce, o cai e levanta, entre cada um destes reside a capacidade que temos de transformar e compreender. Lidar com estes momentos é importante para entender que o estado em que nos encontramos durante momentos dolorosos não é uma constante; muitas vezes a dor é uma escolha ou mesmo o medo de fazer uma, mas sempre será uma oportunidade de mutação. Da dinâmica da vida surgem as possibilidades de expandir horizontes de enxergar além do que se imaginava possível.

Todos os que passam e permanecem em nossas vidas são importantes "instrumentos" de transformação. As pessoas que nos fazem compreender pela dor geralmente são as mais próximas. São aquelas capazes de nos fazer sentir o céu e o inferno em poucos instantes de diferença e ao mesmo tempo nos despertam sentimentos pouco explorados e que muitas vezes trazem medo e dor. É nesses momentos que um olhar introspectivo, uma análise mais profunda sobre o nosso ser e existir se faz possível.

Agradecer. Agradecer sempre por toda e qualquer experiência e pelos seres que simplesmente passam por nós e deixam marcas, ou por aqueles que já se tornaram parte de nós. A dor é uma verdadeira oportunidade de agradecer as inúmeras possibilidades diante dela e de se dar conta de que o limite é nada mais do que uma questão de como se percebe e se vive.

Descobrir nossa verdadeira essência requer conseguir passar por cada etapa sabendo filtrar e carregando o que realmente vale e, ainda, se permitir sentir as mudanças. Mudar cansa, cansa e parece nunca parar, mas é preciso. Quanto mais longe me sinto do "aqui", mais perto me sinto do meu "eu"; quanto mais longe me sinto do "ter", mais perto vou chegando do meu verdadeiro "ser". Não nos deixemos cegar pelo enorme fluxo de energias externas...Equilíbrio sempre, para bons ou maus malabaristas da vida que somos!


Ana Josefina Tellechea

O acaso me trouxe escolhas e meu coração me fez chegar até aqui, porque a razão ainda estou aprendendo a usar. Mulher, Cantora, Professora, escritora e um tanto de coisas mais que vou descobrindo ser..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @obvious, @obvioushp //Ana Josefina Tellechea
Site Meter