Janice Amaral

Sou uma eterna aprendiz da vida;Eterna estudante de filosofia em busca de autoconhecimento. Escrever sempre é um desabafo, uma forma de compartilhar e trocar ideias.

A Náusea

A Náusea é um romance instigante de Jean-Paul Sartre. De forma inquieta e inovadora, a personagem principal descobre a perplexa ausência de sentido na vida. Sarcástico e ávido, Sartre nos convida a prestarmos atenção em nossas vidas, nos detalhes e no sentido de nossa existência. E, até mesmo, um pedra na calçada passa a ser um presença brusca, passível de reflexão e náusea.


A Náusea é o primeiro romance de Jean Paul Sartre . Esta obra foi considerada pela crítica e pelo próprio Sartre a sua melhor obra. O intelectual pequeno burguês Antônio Roquentin, personagem principal , sente total ausência de sentido na vida. Ele cria um diário e narra cenas cotidianas, coisas que passam despercebidas aos olhos da maioria das pessoas mostrando tamanha indignação, asco raiva pela falta de questionamento e total ignorância dessa ausência de sentido no existir da maioria dos Seres Humanos. O Autodidata segundo personagem, um Homem que se considera culto por já ter lido quase todos os livros da biblioteca dialoga constantemente com Roquentin. Cada detalhe passa a ser percebido por Roquentin com total acidez, a expressão humana, a maçaneta fria da porta, a árvore prostrada ali, nada parece ter sentido. Um casal que almoça junto se torna uma presença brusca, estranha, com gorduras protuberantes e orelhas vermelhas. De repente ele é impelido pelo autodidata a pensar nas aventuras de sua vida. O Autodidata,um homem que lia todos os livros da biblioteca por ordem alfabética e já estava quase no final e disse que quando termisse de ler todos os livros, assim já sendo um homem culto e já conhecendo as histórias de todos os lugares poderia ter uma aventura e que tipo de aventura? Tomar um trem errado para um lugar desconhecido, perder a carteira, ser preso por equívoco e passar a noite na cadeia. Um acontecimento que sai do ordinário e sem exatamente ser extraordinário. E o Autodidata questiona Roquentin:

- O Senhor já teve muitas aventuras?

Roquentin descobre que nunca teve uma aventura de verdade e que nem mesmo havia pensado no verdadeiro significado dessa palavra. Percebe que nada acontecera de extraordinário e emocionante em sua vida. Pensa consigo mesmo:

-Não, não tive aventuras!

Roquentin passa a ter consciência de si mesmo.Pensa que existe, um pensar sem querer pensar. Passa a ter horror de existir e diz :

-Sou eu, sou eu que me extraio do nada a que aspiro?

Pensa em se matar, o canivete em mãos , faz um corte, desiste! Vê a pocinha de sangue que finalmente deixa de ser ele, manchando a folha branca.

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Como analisar a obra de um autor com tamanho sarcasmo? Uma obra inteligente, levando seus leitores a refletirem sobre suas vidas. Num primeiro momento me parecia algo pessimista, mas ao contrário, conhecendo um pouquinho mais de Sartre vejo apenas uma forma ácida de ver e expressar o quanto vivemos uma rotina pesada sem questionar.Repetimos trajetos sem perceber a paisagem. Abrimos portas sem se ater a detalhes. Andamos pelas ruas sem olhar para os lados. Comemos sem degustar.Amamos sem entrega. Não percebemos o outro, ou os outros mesmo que seja seus defeitos. Quem pode limitar e resumir o outro? Tudo está ali imposto aos nossos olhos, em nossas vidas. E o que vivemos de extraordinário, não temos tempo para isso. Temos que terminar a faculdade, pintar o apartamento, fazer os relatórios,pagar contas, cuidar dos filhos. Tudo está aí, e para quê? Talvez nem tenhamos parado para pensar a respeito. Pensar e cortar os pulsos não irá resolver.

O extraordinário pode estar nos detalhes que não prestamos atenção. O que sei é que quem pensa sofre, mas vale a pena esse sofrimento porque vale mais a pena sofrer consciente e consciente de si mesmo do que viver na alienação.


Janice Amaral

Sou uma eterna aprendiz da vida;Eterna estudante de filosofia em busca de autoconhecimento. Escrever sempre é um desabafo, uma forma de compartilhar e trocar ideias. .
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