Janice Amaral

Sou uma eterna aprendiz da vida;Eterna estudante de filosofia em busca de autoconhecimento. Escrever sempre é um desabafo, uma forma de compartilhar e trocar ideias.

Solidão acompanhada...

Solidão acompanhada é aquela que você pode ter várias pessoas ao seu redor,mas mesmo assim,se sentir totalmente sozinho no Mundo. Queremos ser alegres e otimista o tempo todo e escondemos nossos reais sentimentos.


Acredito que a pior solidão seja aquela que você tem um namorado ou marido,amigos, família, mas mesmo assim se sente totalmente sozinho no Mundo. Digo isso porque não raro, me sinto assim. Não culpo as pessoas que me cercam. Entendo. Todos têm seus problemas e ninguém quer ouvir os problemas alheios. Enfadonho ouvir lamúrias. Também detesto me lamuriar. No entanto, desabafar alivia. Chorar limpa, purifica.

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Consideramos quem chora fraco, quem reclama perdedor e chato. Queremos pessoas alegres, divertidas, de bem com a vida ao nosso redor. Quantas vezes mascaramos nossos sentimentos, escondemos nossos problemas para nos enquadrarmos num determinado grupo?

-Uhuuuu, sou feliz, bem sucedido! (Até nós acreditamos nisso)

Não que não possamos ser tudo isso, porém, somos humanos, temos nossos momentos de descrença, tristeza e insatisfação. Não quero dizer que a vida seja ruim, quero dizer apenas que nos permitamos ficar insatisfeitos e reclamar. Num Mundo onde virou moda "O SEGREDO", o pensar positivo, o ser otimista, nos transformamos em seres vazios,superficiais, incapazes de demonstrar nossos sentimentos reais.

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E nesse mundo de aparências felizes o status social é algo a ser consumido. Cito Hannah Arendt:

“A admiração pública é também algo que pode ser usado e consumido, e o status como diríamos hoje satisfaz uma necessidade como o alimento satisfaz a outra: a admiração pública é consumida pela vaidade individual da mesma forma que o alimento é consumido pela fome.” Arendt, HANNAH.12 edição. A Condição Humana pg 69

No mundo Contemporâneo não há espaço para fraquezas, somos seres "normalizados", condicionados a agir todos da mesma maneira para não sermos excluídos de um determinado grupo, seja social ou familiar. Por outro lado, quando ficamos sozinhos com nosso travesseiro não há como fugir dessa solidão. Não importa se há alguém ao nosso lado. o encontro com nossa consciência é inevitável. Talvez alguma lágrima caia. No outro dia, sufocamos toda essa insatisfação e seguimos em frente. Num livro do Paulo Coelho, não lembro o nome, ele fala sobre relacionamentos e diz que, geralmente, duas pessoas caminham na mesma direção, só que separados por um trilho, um trilho de trem, que os torna inacessíveis. Gosto de dizer que cada ser humano é uma ilha.Fechamo-nos em nosso mundinho "altista". Reinventamos um novo Mundo. Um mundo "perfeito". Essa perfeição dói, corrói a alma.

Sugiro apenas uma palavrinha simples, de pouco uso, a alteridade, capacidade de se colocar no lugar do outro. Apenas ouça, sem criticar. Simples assim! Todos precisamos desabafar. Em tempos de aforismos ctrl C Ctrl V, se você já leu até aqui é um bom começo. a arte de ouvir.png


Janice Amaral

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