Janice Amaral

Sou uma eterna aprendiz da vida;Eterna estudante de filosofia em busca de autoconhecimento. Escrever sempre é um desabafo, uma forma de compartilhar e trocar ideias.

liberdade

O que é ser livre?
As nossas ações são baseadas em nossas vontades? Ou condicionadas pelo meio em que vivemos?
A vaidade humana faz com que o ser trabalhador seja facilmente manipulado para obter seus objetos de desejo e cada vez mais a preocupação é o status social e o prazer, e sua conduta parece natural e livre. A vigilância hierárquica atual é feita por câmeras e acessadas por tabletes e celulares. O espaço público são as mídias sociais utilizados para demonstrações de ego e vaidade.


Li um texto no Facebook de um autor desconhecido sobre a triste geração que se tornou escrava de sua carreira profissional, assisti uma reportagem sobre a população que busca ganhar seu sustento e fazer o que gosta e nesse paradoxo reflito: Somos escravos de nossas necessidades? Criamos necessidades ? O fato é, não vivemos sem trabalho mas também não vivemos só para trabalhar. E como eterna estudante eu leio, e uma das minhas pensadoras favoritas,Hannah Arendt, disse que temos que ser sujeitos de ação, pensar não basta, temos que mudar o Mundo com nosso pensamento, deixar nosso legado. Já Sartre disse que até mesmo quando não escolhemos já fizemos uma escolha.

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E eu fico pensando o que eu penso?Penso logo desisto. Penso logo insisto e mesmo que não queira pensar penso. Penso, realmente somos escravos do que os outros pensam?E o que pensamos não tem muita importância, a não ser que sejam memórias póstumas porque enquanto estamos vivos tornamo-nos apenas reles mortais que pensam o que muitos outros pensam. Voltando a questão inicial: Até que ponto somos livres?

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Não somos livres porque temos que trabalhar para manter nossa subsistência, sendo assim temos que seguir regras e padrões pré-estipulados? Até aí não há problemas, a questão é mesmo quando trabalhamos por conta própria ainda assim somos escravos do nosso trabalho, temos que suprir nossas necessidades primárias:Comer, beber, se agasalhar, ter um teto.

As palavras escritas podem ser distorcidas,pois correspondem a somente a sete por cento da nossa comunicação ,por isso, pretendo ser o mais objetiva possível: Não tenho nada contra o trabalho, pelo contrário, acredito que ele é o que nos torna independentes e que para muitos pensadores seria a sublimação das pulsões, canalizar a energia libidinal para algo realmente importante. A minha reflexão, não irei chamar de critica, é será que não estamos desconectados de nós mesmos enquanto seres trabalhadores? Será que estamos dando a devida importância para o que estamos fazendo de nossa existência? É demasiado cansativo pensar que tudo que pensamos tenha que virar algo concreto no mundo dos intelectuais. E é também demasiado cansativo que no mundo corporativo "eu" também tenha que ser o “the Best” com relação a diplomas e certificações e títulos.

Hannah Arendt não presenciou a época dos selfies, das redes sociais onde todos podem demonstrar o quanto são felizes e bem-sucedidos, mas já constatava até onde a vaidade humana poderia levar. Talvez hoje a vaidade individual tenha levado o trabalho e carreira ao ponto culminante da escala social. A carreira é encarada como a própria vida e não como meio de vida, pessoas incorporam o nome da empresa a qual representam como sobrenome, fulano de tal da "Coca-Cola" ou Beltrano de tal da "Pepsi". E a felicidade está relacionada à promoção profissional e a ostentação dos produtos adquiridos com o dinheiro de seu "sucesso".

“A admiração pública é também algo que pode ser usado e consumido, e o status como diríamos hoje satisfaz uma necessidade como o alimento satisfaz a outra: a admiração pública é consumida pela vaidade individual da mesma forma que o alimento é consumido pela fome. ” (Arendt. 2014. pg. 69)

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Pergunto: E com relação a nossa busca pelo auto conhecimento? O que realmente é importante, indiferente do que a sociedade cobra? Se é importante para você deixar um legado, disseminar suas ideias, tudo bem, vá em frente, conquiste esse objetivo. Se é importante para você ser um diretor de uma Multinacional porque isso é um desafio, uma superação, uma meta de vida, tudo bem, vá a luta, busque com garra e determinação. Antes de tudo pense, você esta agindo de acordo com a tua vontade? Enquanto isso busco saber quem sou.


Janice Amaral

Sou uma eterna aprendiz da vida;Eterna estudante de filosofia em busca de autoconhecimento. Escrever sempre é um desabafo, uma forma de compartilhar e trocar ideias. .
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