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Devaneios e reflexões com um leve toque de poesia

Adriana Caló

Reflexiva sobre a vida e as ações cotidianas. Curiosa e intuitiva, rabisca poesias, brinca com pincéis e tintas. Amadora por natureza com uma marcante característica: Liberdade Artística!

Quais são os seus desejos?

Gostaria de realizar um desejo? Dois ou três? Nenhum talvez, está tudo bem na minha zona de conforto. E, além do mais, do que adianta almejar se não irei alcançar? Como conciliar os nossos desejos e nossas frustrações? Pena não existir uma resposta exata, mas através deste artigo podemos refletir melhor sobre estas questões.


Os momentos especiais de hoje serão as memórias de amanhã. (Gênio da Lâmpada)

Quando crianças aprendemos a história de Aladdin, criamos uma expectativa de, um dia, encontrarmos a tal lâmpada mágica onde surgirá um gênio e nos concederá três desejos. Aprendemos desde cedo que os desejos fazem parte de um imaginário intangível, onde por receio ou covardia, guardamos em silêncio e à sete chaves dentro de nós.

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O filósofo Giorgio Agamben afirma que desejar é a coisa mais simples e humana que há. Por que, então, para nós são inconfessáveis precisamente nossos desejos, por que nos é tão difícil trazê- los à palavra? Tão difícil que acabamos mantendo-os escondidos, e construímos para eles, em algum lugar em nós, uma cripta, onde permanecem embalsamados, à espera. Atualmente, devido às pressões da vida que levamos, ou que nos leva, nos condicionamos ao comodismo e o que está à sete chaves permanece intacto. As possibilidades de novas conquistas, seja profissional, sentimental ou acadêmica, ficam de escanteio. Os desejos perdem os sentidos.

Ainda para o filósofo, não podemos trazer à linguagem nossos desejos porque os imaginamos. Na realidade, a cripta contém apenas imagens. Enquanto imaginamos mantemos acesa a chama da conquista. A espera cria uma força que move nossas intenções e inspirações. Quando deixamos nos dominar pelos desejos modificamos nossa existência, encontramos um novo sentido repleto de ânimo e coragem. Abrem-se possibilidades e questionamentos que não havíamos imaginado. Mentalmente formamos histórias, encaixamos peças, inquietamos nossos pensamentos e passamos a viver em uma realidade paralela. Embriagados por nossas aspirações criamos asas e começamos a voar, sem riscos, deixando o vento soprar e entre às nuvens nos encaixamos e observamos a vida passar.

Lucílio_de_Albuquerque_-_Despertar_de_Ícaro.jpgLucílio de Albuquerque. Despertar de Ícaro, 1910. Foto Enciclopédia Itaú Cultural

Porém, por vezes a expectativa é tamanha que o fato de não se tornar real, no tempo ambicionado, o desejo esvai ou corrompe toda e qualquer forma de estímulo. Dando lugar às frustrações e insatisfações. A bela nuvem desmancha, as asas não funcionam e a queda, geralmente, é dolorida.

O que pode amortecê-la?

Uma cama elástica!

Sim! Isso mesmo um pula-pula!

Abrandar a queda exige muito de nós, muita concentração e razão. Por isso, a emoção não pode dominar. A ansiedade, grande vilã da atualidade e dos desejos, deve ser controlada. Não podemos nos esquecer dos benefícios de que ela também traz, pois sabemos que, mesmo sendo uma situação de grande aflito, em alguns casos nos capacita para a realização de um grande feito. Mas, não obstante, através dela podemos nos precipitar e não suportar às pressões dos desejos.

Transformando o futuro mais importante que o presente, onde descartamos a realidade e concentramos no que há de vir, e “se” vier... Quando o “se” tortura, os sonhos tornam-se pesadelos. Tudo o que é real e tangível, transforma-se em obsoleto e inoportuno.

E por que, como sugere Agamben, não deixamos nossos desejos guardados na cripta?

Porque necessitamos dos desejos! Sem eles viver não teria sentido, nos entregaríamos à inércia. É como ver a vida passar pela janela de um trem e você sentado, observando sem expressão todas as novidades e oportunidades de caminhos. Sabe da existência de um novo parque, um museu bacana, mas preferes não levantar do banco, não chegando em nenhum destino. Se conforma com tudo e não espera nada. Domesticado, esquece dos desafios e riscos que existem janela afora. Acredito que poucos gostariam de viver assim, mas muitos vivem...

Precisamos aprender que desejar é válido! E tão eficaz quanto desejar é arriscar! Deixar desejos guardados ou somente ambicionar sem mover nenhum músculo, nada modificará. Desde os primórdios o homem expressa seus desejos e mesmo os mais absurdos, relevantes à sua época, passaram pela aprovação de alguém. Muitos julgam sobre o que se pode sonhar e limita as condições de sua própria imaginação. Necessitamos de sonhos, de desejos, de buscas, de voar alto.

Sem ambições e encantos cavamos nosso próprio buraco, nos escondemos bem no cantinho e ficamos à mercê de alguém jogar uma corda e tirar-nos de lá.

Trace metas para as realizações de seus desejos, mas não se preocupe se não realizar todas, verifique possibilidades, coloque na balança o que realmente tem valor e saiba distribuir os pesos de cada nova atitude que estás prestes a tomar.

SONHE, IMAGINE E VIVA!

Desejos servem para alimentar a alma, mas a fome também mata! Portanto, não permita que a somente a felicidade imaginária habite seu coração e no mais, não transforme a imaginação em dores reais! Nunca se dê por vencido quando algo não saiu como planejado, o tempo é responsável por isso e fique atento às oportunidades que a vida apresenta, as vezes não enxergamos as grandes maravilhas que temos em nossa volta.

O céu é azul e as nuvens são brancas, todos dizem, mas se olharmos com mais destreza enxergaremos tons de amarelo mesclando entre o branco das nuvens, ou tons de cinza, ou lilás. O céu nem sempre está azul, ora alaranjado ou rosado ele possa aparecer, e, mesmo estando azul não é um só tom.

1306.jpgLucílio de Albuquerque. Paisagem, 1949. Foto Acervo Pinacoteca do Estado de SP

E por falar em tempo... uma bela abordagem pode ser feita, mas deixarei para uma próxima!


Adriana Caló

Reflexiva sobre a vida e as ações cotidianas. Curiosa e intuitiva, rabisca poesias, brinca com pincéis e tintas. Amadora por natureza com uma marcante característica: Liberdade Artística! .
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