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Devaneios e reflexões com um leve toque de poesia

Adriana Caló

Reflexiva sobre a vida e as ações cotidianas. Curiosa e intuitiva, rabisca poesias, brinca com pincéis e tintas. Amadora por natureza com uma marcante característica: Liberdade Artística!

Tempo: O Mestre da Atualidade

Tempo, grande mestre da atualidade. Corremos contra e à seu favor. O que estamos aprendendo para a nossa evolução? Há um ditado que diz: "O apressado come cru", mas é sabido que não são todos alimentos que precisam de cozimento!


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“Não se pode criar experiência. É preciso passar por ela.” (Albert Camus)

Dizem que há tempo para todo propósito debaixo do céu, o que não quer dizer que devamos ficar de braços cruzados esperando estes propósitos despencarem.

Durante toda minha vida ouvi casos de pessoas que estavam bem e no próximo minuto seus corações paravam de bater. Parecia algo tão distante, aquela velha história que só acontece "com o vizinho". Pois bem, assisti de perto essa realidade onde uma pessoa cheia de vida, saúde e ânimo sentiu-se mal por alguns minutos, disse poucas palavras e depois deu seu último suspiro. Não irei focar em toda a tristeza, saudade e incompreensão que este fatídico dia causou em minha vida, mas sim no fato de refletirmos em relação ao tempo.

Vivemos o momento do "não tenho tempo para isso, ou para aquilo". Onde é comum o indivíduo protelar os enfrentamentos de uma nova forma de construção, mantendo os pés cimentados no próprio concreto estruturado. Essas são as características do sujeito na atualidade, um ser sem desejos e utopias onde a razão é a palavra de ordem.

Ocupando a maior parte do tempo com o trabalho excessivo, esse sujeito busca rendas extras para suprir às necessidades ou, o que julga necessário, ocasionando um consumismo desenfreado. Sendo assim, este só alimenta dois desejos: trabalho e consumo, marcas do capitalismo.

As relações afetivas, cumplicidade e atenção ao próximo ficam em segundo plano. Bem como, os projetos para o futuro permanecem guardados às escondidas. O ser torna-se cada dia mais individualista e, de certo modo, covarde. Abrindo o caminho para às síndromes psicológicas contemporâneas e torna-se coadjuvante de sua própria existência.

Porém é preciso destacar que somos os donos de nossa própria História e essa só se dá através das conquistas que realizamos, das emoções que afloramos, dos sonhos que almejamos e, principalmente das experiências que possuímos.

Não há fórmulas de como adquirir experiências, simplesmente precisamos fazer uso de nossa sensibilidade e ousadia. Elas surgem durante uma passagem pelo desconhecido, onde alargamos nossas perspectivas, identidade, sapiência e nos encaixamos no mundo. Se, estiveres chumbado no concreto, o tempo passará e não viverás às experiências que o destino lhe dispõe.

Segundo o filósofo Walter Benjamin , articular historicamente o passado não significa conhecê-lo “como ele de fato foi”. Significa apropriar-se de uma reminiscência, tal como ela relampeja no momento de um perigo. Veja, não é o passado que decide o presente é o presente que escolhe o passado que lhe convém. Não é necessário desfazer tudo o que já foi construído para se fazer bom uso do tempo e empiricamente seguir em frente. Cabe ao sujeito compreender e definir por quais caminhos seguir encarando os riscos que virão.

Portanto, nos desenvolvemos com as experiências e estas servem para compreendermos os sentidos de nossas ações. Damos valor à vida, quando nos deparamos com a morte. A foice chega e arrasta futuros, nunca saberemos quando a mesma surgirá, mas é fato que virá!

Não perca tempo!

A História é o objeto de uma construção cujo lugar não é formado pelo tempo homogêneo e vazio, mas por aquele saturado pelo tempo-de-agora. (Walter Benjamin)

Desejar, arriscar e realizar faz parte dessa jornada. A vida é passageira utilize-a de boa maneira!

“Ouse, ouse... ouse tudo! Não tenha necessidade de nada! Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém. Acredite: a vida lhe dará poucos presentes. Se você quer uma vida, aprenda... a roubá-la! Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer. Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!” (Lou Andreas Salomé)


Adriana Caló

Reflexiva sobre a vida e as ações cotidianas. Curiosa e intuitiva, rabisca poesias, brinca com pincéis e tintas. Amadora por natureza com uma marcante característica: Liberdade Artística! .
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