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Devaneios e reflexões com um leve toque de poesia

Adriana Caló

Reflexiva sobre a vida e as ações cotidianas. Curiosa e intuitiva, rabisca poesias, brinca com pincéis e tintas. Amadora por natureza com uma marcante característica: Liberdade Artística!

A poesia soviética de Bella Akhmadulina

Poeta soviética da geração de 1960 apesar da vasta quantidade de obras é pouco conhecida no Brasil, pois, infelizmente, não possui nenhuma obra traduzida para o português. Apresento-lhes Bella Akhmadulina


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Iniciei esse artigo, pois conheci a poesia de Bella através do livro "Poesia Soviética" de Lauro Machado Coelho, me encantei com a poeta. Na pesquisa constatei que, infelizmente, não existe nada publicado da mesma no Brasil, tampouco sobre sua participação do grande momento em que a poesia ressurgiu na Rússia na década de 1960.

Izabella Akhatovna Akhmadulina, conhecida como Bella Akhmadulina, poeta, tradutora e ensaísta russa.

Nasceu em Moscou, a 10 de abril de 1937, filha de um tártaro e de uma russa, com raízes italianas. Segundo Mikhail Vizel, em artigo especial para a Gazeta Russa do dia 10/04/2017, Bella era “filha do vice-ministro e tradutora da ONU (o que significava, mais provavelmente, uma agente da KGB), além de sobrinha-neta de um amigo pessoal de Lênin que está enterrado junto ao muro do Kremlin”.

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Começou a escrever poemas muito cedo, trabalhou em um jornal de Moscou, frequentava os círculos literários organizados por Evgeny Vinokurov (1925-1993), participou das lendárias “noites de poesia no Museu Politécnico” e dos concertos no estádio Lujniki.

Em 1953, após a morte de Stálin, iniciou o “degelo da União Soviética (URSS)” quando Nikita Kruschev assume o poder. Este período, entre a década de 1950 e meados de 1960, conhecido como “degelo de Kruschev” foi caracterizado pela desativação do Gulag (sigla russa para Glavnoe Upravlenie Legarei, que significa “Administração Central dos Campos”) que eram campos de trabalhos forçados soviéticos e retorno da liberdade de expressão e criativa, assim as restrições sobre a literatura foram flexibilizadas e muitos nomes surgiram. A poesia ganhou força e eram declamadas em estádios para as massas.

Casou-se em 1954, com o também escritor russo Evguêni Ievtuchenko (1933-2017). Seus primeiros poemas foram publicados em 1955, na revista “Oktyábr” (outubro). Terminou os estudos no Instituto de Literatura Maxim Gorki em 1960 neste momento já havia se divorciado de Ievtuchenko. Sua primeira coletânea foi publicada em 1962.

Muito atraente era considerada a musa de todos os poetas.

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Seu segundo marido foi Yuri Nagibin. Em 1968, divorciou-se de Nagibin. Voltou a casar, em 1971, com Eldar Kuliev, de quem teve uma filha, Elizaveta Kuliev. O casamento durou pouco tempo. Em 1974, Akhmadulina casou-se com o artista Boris Messerer.

Bella Akhmadulina escrevia sobre relações humanas voltadas ao amor e amizade, evitava escrever sobre política, mas mesmo assim se popularizou pela transformação de alguns dos seus poemas em canções.

Ainda na minha pesquisa por mais detalhes sobre Bella, encontrei uma série chamada "Таинственная страсть"( Mysterious Passion):

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Esta série é baseada no livro homônimo do escritor russo Vasily Aksyonov (1932-2009), publicado pouco antes de sua morte em 2009. O romance discorre sobre a década de 1960 e seus protagonistas são os ícones da literatura e da arte soviética deste período e entre os nomes representados está o de Bella, além disso o livro contém fotos raras dessa época.

19315d2795106db1e075750152ce9992.jpg Imagem da Internet

1392775898916_default.jpg A esquerda, Bella com o cachooro. Imagem da Internet

Vasily Aksyonov era filho de Evgenia Ginzburg (1904-1977), jornalista comunista presa no Gulag, acusada de participar de um grupo trotskista contra-revolucionário, permaneceu por 18 anos presa no campo de concentração soviético. Escritor de inúmeras novelas, possui vasta quantidade de obras, mas nenhuma foi traduzida para o português.

Participações cinematográficas:

1b7fa91edd50944cf2e6e8a041d8e2f6.jpg Filme: Живёт такой парень (There Is Such a Lad), de Vasily Shukshin, 1964

519368.jpg Fime: Мне двадцать лет (MNE DVADTSAT LET / “TENHO VINTE ANOS” (versão censurada e parcialmente refilmada de ZASTAVA ILLIYCHA / “A PORTA DE ILLYCH” de Marlen Khutsiev – via: Cinemateca Portuguesa) Aqui podemos ver o Vídeo da poeta.

“Entre 1958 e 1962 Khutsiev trabalhou em ZSTAVA ILLYITCH / “A PORTA DE ILLYCH”, um marco no moderno cinema soviético. Mas o filme (cuja versão inicial de 1962 o próprio repudia) foi violentamente criticado por Nikita Kruschev e, na sequência disso, alterado pelo autor. Em 1965 foi então apresentada uma nova versão (remontada e com partes refilmadas) com o título MNE DVADSAT LET / “TENHO VINTE ANOS” que foi distribuída na URSS e que veio a obter o Prémio do Júri no Festival de Veneza. Mais tarde, em 1988, Khutsiev voltou ainda a trabalhar no mesmo filme, estabelecendo o que considera hoje a sua versão mais genuína, de novo com o título original ZASTAVA ILLIYCHA / “A PORTA DE ILLYCH” e que incorpora traços das duas versões anteriores” (Via: Cinemateca Portuguesa - http://www.cinemateca.pt/)

Faleceu em 29 de novembro de 2010.

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Bibliografia de Bella Akhmadulina:

"Struna" ('String'), Moscou - 1962 "Oznob" ('Fever'), Frankfurt - 1968 "Uroki Muzyki" ('Lessons of Music') - 1969 "Stikhi" ('Verses') - 1975 "Svecha" ('Candle') - 1977 "Sny o Gruzii" ('Dreams of Georgia') - 1978-1979 "Metell" ('Snow-Storm') - 1977 "Taina" ('Secret') - 1983 "Sad" ('The Garden') - 1987 "Stikhotvorenie" ('A Verse') - 1988 "Izbrannoye" ('Selections') - 1988 "Stikhi" ('Verses') - 1988 "Poberezhye" ('A Coast') - 1991 "Larets i Kliutch" ('Casket and Key') - 1994 "Gryada Kamnei" ('A Ridge of Stones') - 1995 "Samye Moi Stikhi" ('Very Mine Verses') - 1995 "Zvuk Ukazuyushchiy" ('A Guiding Sound') - 1995 "Odnazhdy v Dekabre" ('Sometime in December') - 1996

Como visto, Bella Akhmadulina possui diversos livros, mas nenhum publicado no Brasil.

Os poemas de Bella podem ser encontrados no livro: "Poesia Soviética", traduzido e organizado por Lauro Machado Coelho.

“A ousadia de seus versos a fez ser comparada a Anna Akhmátova e Marina Tsvetáieva — dois nomes da literatura russa pelos quais ela tem verdadeira veneração” (Lauro Machado Coelho)

Poemas

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Fontes de pesquisa

COELHO, Lauro Machado. Poesia Soviética. São Paulo: Algol, 2007

Gazeta Russa

Rússia Show

Cinemateca portuguesa


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