confidências

Um cadim de tudo e um tudo de nada...

Renata Gomes

Profissionalizou o hobby da infância, transformando-se de uma escritora de diários numa jornalista inquieta.

A desconstrução do Antropocentrismo em prol da Ecosofia

A teoria do homem no centro de tudo está passando por uma interessante desconstrução. Os animais, por exemplo, são domesticados ou abatidos para consumo por conta de uma certa cultura. Mas afinal, por que amar uns e comer outros?


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A era da internet e das redes sociais abriu novos espaços para debates sobre diversos assuntos. Desde construções textuais sobre comportamentos humanos à questões científicas, há oportunidade e voz para todos numa plataforma globalizada e aberta para troca de oipiniões. Assim, abordar temas como a conservação do meio ambiente e a preservação da fauna não é diferente.

Animais não humanos são destinados para fins de consumo humano e entretenimento. O processo de abate desses animais é realizado de maneira “industrializada”, ou seja, em larga escala para alimentar bilhões de pessoas que consomem carne de bovinos, suínos, caprinos, galinhas, frangos e pintos, no Brasil e no mundo.

Por se tratar de uma questão cultural, animais protegidos no ocidente, como no caso do cachorro, são criados e abatidos e sua carne é consumida da mesma maneira que um porco no Brasil, por exemplo. Mas por que existe essa diferença, uma vez que todos esses animais são seres sencientes, ou seja, dotados de sentimentos podendo sentir sofrimento, prazer e felicidade?

Uma série de artigos e pesquisas de especialistas busca justificar os benefícios e malefícios do consumo da proteína animal. Os debates vão desde a teoria da evolução humana que, por meio do consumo de carne, resultou no processo evolutivo cerebral e na inteligência do homem, passando por um contraponto de que o consumo excessivo provoca diversas doenças, chegando até a ideologia de que é possível viver (e comer) bem sem consumir carne e obter uma dieta vegetal. Mas afinal: por que amar uns e comer outros? Como essa contradição percorre milênios e divide opiniões em todo o mundo, por meio de culturas, religiões e tradições.

Antropocentrismo x Ecosofia

Criado na Europa, no fim da Idade Média, o Antropocentrismo coloca o homem no centro do cosmos, ou seja, referência de expressões culturais, históricas e filosóficas. Essa é uma filosofia que ganha força na época e toma o espaço do Teocentrismo (Deus no centro de tudo). Tais movimentos resultam numa relação entre homem e fé, deixando a natureza e os animais não humanos como secundários, pois são colocados a serviço do homem e das religiões.

Para Aristóteles (filósofo grego que viveu entre 482 e 422 antes de nossa era), alguns animais não humanos se diferenciavam dos humanos apenas por não terem a racionalidade matemática e, por isso, se destinam a serví-los.

Mas a concepção antropocêntrica aristotélica não foi solista num coro bem afinado. Em todas as épocas, pensadores dissidentes (vozes dissonantes) elaboraram concepções antagônicas àquela que acabou por ser imprimida em nossas mentes. Essas vozes dissonantes desafiam e desafinam a tradição, dando eco às “vozes do silêncio”. A tradição antropocêntrica sustenta que os animais existem apenas para servir aos interesses dos seres da espécie biológica Homo sapiens.

Há também a teoria de que todos os seres não humanos foram criados para servir, e isso está relacionado à questão das religiões, que antecede o Antropocentrismo.

O livro do Gênesis, do Velho Testamento, descreve que Deus criou o mundo em sete dias, sendo que no sexto dia, no cume da criação e antes do descanso do sétimo dia, Ele criou o ser humano (primeiro o homem e depois a mulher) à sua própria imagem e semelhança, ordenando: “Frutificai, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra”. Essa concepção teo-antropocêntrica de superioridade e dominação humana reinou na mente das pessoas e nas diversas instituições durante milênios ainda está presente no mundo contemporâneo. Mesmo nos dias atuais, o “crescei e multiplicai-vos” orienta, por exemplo, as reações religiosas e conservadoras contra o processo de universalização dos métodos contraceptivos modernos.

Teorias libertadoras

Na contramão dessas duas perspectivas está a Ecosofia. De acordo com Di Felice (2012), é necessário ocorrer o “ato conectivo”, ou seja integrar sujeito, objeto e meio ambiente. O conceito Ecosofia foi criado por A. Ness , reproposto sucessivamente por F Guattari, e recentemente por M. Maffesoli. Trata-se de uma mudança de concepção que retrabalha os conceitos antropocêntricos e das filosofias ocidentais e cria uma perspectiva reticular, baseada na conectividade e na aproximação dos membros. Essa nova concepção está cada vez mais relacionada ao meio ambiente e à tecnologia, bem como aos atores.

A interligação entre os membros também pode ser relacionada à Teoria Ator-Rede (TAR), de Bruno Latour, uma vez que “O ator é definido a partir do papel que desempenha, do quão ativo, repercussivo é, e quanto efeito produz na sua rede, portanto, pode-se dizer que pessoas, animais, coisas, objetos e instituições podem ser um ator. Já a rede representa interligações de conexões – nós – onde os atores estão envolvidos. A rede pode seguir para qualquer lado ou direção e estabelecer conexões com atores que mostrem algumas similaridade ou relação.”

A carne e a evolução humana

Partindo das premissas da Teoria Ator-Rede e Ecosofia, é possível fazer uma relação de igualdade e equilíbrio entre elementos não humanos, humanos, meio ambiente e tecnologia.

Contudo, por estar enraizado nas origens da humanidade, reforçado pelas teorias antropocêntricas e a evolução do homem, comer carne de animais é “uma verdade indiscutível”, uma vez que gerou o desenvolvimento cerebral do homem e o tornou o “topo da cadeia alimentar”.

Especula-se que a ingestão regular de carne foi o que permitiu mudanças-chave na raça humana, como o desenvolvimento do cérebro, algo que nos define atualmente. Dada essa importância, os cientistas sempre quiseram saber quando o ser humano passou a comer carne regularmente.

Mas há controvérsias sobre a necessidade de continuar consumindo carne animal em pleno século XXI. Por um lado, especialistas defendem que a agricultura é a causa dos grandes prejuízos ambientais, o que também reflete na realidade econômica mundial. Por outro, ativistas privam os animais de dor e sofrimento e uma terceira lógica está relacionada a uma série de doenças provenientes do consumo de carne, devido à ingestão de hormônios por parte dos animais abatidos.

Um relatório da ONU, divulgado em 2014, apontou que seria necessária a redução do consumo de produtos de origem animal para salvar o planeta. O professor Edgar Hertwich, principal autor do relatório, afirma que “produtos de origem animal causam mais danos do que produzir minerais de construção como areia e cimento, plásticos e metais. A biomassa e plantações para alimentar animais causam tanto dano quanto queimar combustíveis fósseis”.

Outro relatório, divulgado em dezembro de 2013, pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), constatou que 70% das doenças modernas são de origem animal e ligadas à pecuária.

No estudo intitulado “World Livestock 2013: Changing Disease Landscapes.” (em tradução livre: Pecuária Mundial 2013: Mudando o Panorama das Doenças”), a organização afirma que “ a criações intensivas como as de frango para carne, de galinhas para a produção de ovos e a de porcos são grandes celeiros de novas doenças, uma vez que a proximidade dos animais e as condições, quase sempre insalubres, do ambiente colaboram para a proliferação de doenças. Mesmo nos casos em que os animais são criados de forma extensiva, há risco de doenças serem levadas por grandes distâncias e afetarem outras regiões”.

Salvem os bois e os cachorros

Os animais recebem diversas destinações em diferentes locais do mundo. De iguaria culinária à ferramenta de entretenimento, os animais não humanos são vistos por diversas perspectivas. Em países ocidentais, como o Brasil, os animais domésticos (cães e gatos) são protegidos por leis e decretos que penalizam tutores por maus-tratos e abandono. Contudo, as infrações seguem muitas vezes impunes devido o dificuldade de fiscalização e leis com punições brandas. Mas essa situação está sendo revertida a passos curtos.

Recentemente, a justiça brasileira condenou uma mulher a 12 anos de prisão por maus-tratos e morte de animais. A moradora da Zona Sul se dizia protetora de animais e foi descoberta após uma ONG contratar um detetive para vigiá-la, depois que alguns voluntários desconfiaram, devido aos animais que ela adotava desaparecerem.

Após a investigação do detetive, trinta e sete animais mortos foram encontrados em sacos de lixo. Estas foram as provas que deram início ao processo criminal e à condenação de Dalva Lina da Silva. O caso ganhou as redes sociais e sites em apoio à proteção de defesa animal e representa um marco de condenação no país, uma vez que as leis, normalmente, punem com pouco tempo de prisão, multas ou serviços comunitários.

Mas os animais destinados ao abate como porcos, galinhas, bois e vacas não têm a mesma sorte. Para fins de consumo humano, eles são criados de maneira “industrializada”, ou seja, por meio de produção que reduz a sua vida em prol da gastronomia. A questão do “abate humanitário” divide opiniões, pois mesmo matando o animal de maneira menos dolorosa, não deixa de ser uma maneira cruel de ceifar a vida de um ser.

De acordo com a é doutora em Teoria Política e Filosofia Moral Sônia T. Felipe, o especismo é uma maneira de discriminação, em que o homem se julga no poder e na condição de se utilizar de todos os outros seres não humanos. "O especismo é uma forma de preconceito na qual os seres discriminados são os animais das demais espécies. O especista se considera melhor, mais apto à vida, mais valioso e portanto com direitos absolutos sobre a vida, o bem-estar e as condições ambientais de quaisquer outros animais, pelo simples fato de que nasceu na espécie humana."

Já no Oriente, em países como a China, o cão, um animal domesticado e protegido no Brasil, costuma ser abatido em um festival típico e milenar no país. De acordo com a Humane Society, 10 milhões de cães são mortos para consumo na China todos os anos, sendo 10 mil para o festival de Yulin. Não há uma lei específica que proíba essa prática no país.

Em contrapartida, a vaca é sagrada na Índia devido a uma tradição hinduísta. Por conta disso, ela pode circular livremente nas ruas das principais cidades do país sem ser perseguida. Essa contradição cultural coloca em xeque diversos fatores de proteção aos animais. Não são todos iguais? Se for levado em conta a teoria da Ecosofia, já discutida anteriormente, todos deveriam desenvolver o seu papel de forma conectiva e não exploratória.

Uma campanha, realizada em setembro de 2013, nomeada “Se você ama um, por que come o outro?” ganhou as redes sociais e as ruas da cidade de São Paulo. Realizada pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), a ação buscou provocar uma reflexão sobre a alimentação à base de animais.

Campanhas como essa já ganham o mundo, como é o caso do “Segunda Sem Carne”. De acordo com o site da campanha, trata-se de “conscientizar as pessoas sobre os impactos que o uso de produtos de origem animal para alimentação tem sobre os animais, a sociedade, a saúde humana e o planeta convidando-as a tirá-los do prato pelo menos uma vez por semana e a descobrir novos sabores”.

A campanha existente em 35 países, como nos Estados Unidos e no Reino Unido (onde é encabeçada pelo ex-Beatle Paul McCartney) e apoiada por líderes internacionais. Ela foi lançada em São Paulo, em outubro de 2009, numa parceria da SVB com a Secretaria do Verde e Meio Ambiente (SVMA) da prefeitura, posteriormente estendendo-se a várias outras cidades brasileiras.

Net-ativismo animal

Cecil.jpgMorte de leão gerou mobilização de ativistas em prol de outras espécies

O boom da internet banda larga e a facilidade de acesso a uma boa parcela da população gerou uma nova maneira de expressar opiniões e insatisfações. A internet 3G, disponível para dispositivos móveis como smartphones e tablets, expandiu ainda mais essa realidade virtual.

Isso gerou a rapidez na criação de conteúdo, tornando a informação obsoleta rapidamente. Todavia, uma vez na rede, dificilmente é possível apagar a informação. Os dados ficam armazenados, gerando uma espécie de “biblioteca virtual” que pode ser acessada a qualquer tempo e dispositivo nos sites de busca, como o Google, por exemplo.

As redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram e Snapchat) seguem a linha de gerar informação e susbtituí-la rapidamente por outra mais “quente”, sem deixar de armazenar os dados criados anteriormente.

Nessa linha de raciocínio, um caso marcante entre os ativistas, que causou debates e indignação, foi o do leão Cecil. De acordo com uma organização não-governamental do Zimbábue, o leão foi atraído no início de julho de 2015 para fora da reserva de Hwange. Ele foi atingido por uma flecha pelo caçador norte-americano Walter Palmer e agonizou por 40 horas até ser morto a tiro. O caso foi parar nas redes sociais e gerou uma campanha entre os ativistas de proteção animal de que todos os outros também são como o leão africano, morto injustamente.

Mudanças na lei do Zimbábue também ocorreram após a morte do leão. "A matança ilegal do leão Cecil fora do Parque Nacional de Hwange mostrou a necessidade de reforçar ainda mais as regulamentações sobre a caça em todas as áreas que fazem fronteira com o parque", informou a autoridade dos Parques Nacionais do Zimbábue (ZPWMA), no dia 1 de agosto de 2015.

Casos como esse são transformados em petições para alertar e pressionar as autoridades por mudanças de leis e punir vigorosamente os infratores. Além do trabalho realizado pelas ONGs de proteção animal, os sites de petições como Avaaz e Change.org permitem que qualquer cidadão crie uma proposta de mudança sobre qualquer assunto, em qualquer parte do mundo.

Nos Estados Unidos as chamadas Ag-gag Laws (Leis da Mordaça) foram criadas para criminalizar ativistas que fotografam e filmam as condições do trabalho desenvolvido pela indústria agropecuária. Esse material é divulgado nas redes como forma de boicote e denúncia sobre exploração animal.

Essas leis dividem opiniões nos EUA, pois por um lado, os latifundiários se sentem injustiçados e perseguidos e, por outro, as associações e ativistas em prol dos direitos animais defendem a não exploração dos mesmos.

------------ Texto baseado no artigo “Por que ama uns e come outros?” para obtenção do título de pós-graduação em Redes Digitais, Terceiro Setor e Sustentabilidade, pelo Centro Internacional de Pesquisa Atopos (ECA-USP) ------------

Referências

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CHAVES, Fabio. 70% das doenças modernas são de origem animal e grande parte ligadas à pecuária, afirma ONU em novo relatório. Vista-se. Disponível em: http://vista-se.com.br/70-das-doencas-modernas-sao-de-origem-animal-e-grande-parte-delas-ligadas-a-pecuaria-afirma-onu-em-novo-relatorio/. Acesso em: 24 de julho de 2015.

CHOI, Charles. Eating meat made us human, new skull fossil study suggests. NCBNews. Disponível em: http://www.nbcnews.com/id/49278817/ns/technology_and_science-science/#.VcE7XfNVikp. Acesso em: 24 de julhos de 2015.

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Renata Gomes

Profissionalizou o hobby da infância, transformando-se de uma escritora de diários numa jornalista inquieta. .
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