Beatriz Rodrigues

Estudante dos números e códigos, e apaixonada pelos mistérios do coração.

A vida é muito mais do que achar alguém, a vida é achar-se!

Sempre gostei dos livros com finais previsíveis e felizes. Aqueles no qual tudo gira em torno da mocinha ficar com o mocinho. Mas, espera, a vida é mais do que isso, não? E é isso que o best-seller do querido Jonh Green nos faz perguntar a nós mesmos.


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Sempre gostei dos livros com finais previsíveis e felizes. Aqueles no qual tudo gira em torno da mocinha ficar com o mocinho. Mas, espera, a vida é mais do que isso, não? E é isso que o best-seller do querido Jonh Green nos faz perguntar a nós mesmos.

Uma história cheia de mistérios, incluindo sua protagonista Margo Spiegelman, por quem nosso protagonista Quentin Jacobson é apaixonado desde infância. Por toda história Quentin coloca Margo em um pedestal, e a torna alguém praticamente inalcançável, perfeita e invejável. Ele a considera realmente um milagre, uma garota perfeita, com uma vida perfeita, perfeitamente dobrada. Até que em uma noite tudo muda, depois de Margo aparecer inesperadamente em seu quarto e o convocar parar uma noite de vingança contra aquelas pessoas as quais ela aparentemente era amiga. Pessoas que de alguma forma a magoaram, e por quem ela desejava um contra ataque.

O motivo? Eram pessoas de papel, vivendo suas vidas de papel, numa cidade de papel.E segundo suas próprias palavras, ela era uma garota de papel também. Era limitada por toda aquela vida de aparências, de status e de obrigações. Até que um dia resolve dizer adeus a tudo e partir. Deixando para trás pequenas pistas, as quais Quentin decide seguir para a encontrar.

Afinal, Quentin sempre foi perdidamente apaixonado pelo mistério que era Margo. Mas ele realmente a conhecia? Ou era ela apenas uma idealização de Quentin? O quanto esperamos daquelas pessoas que gostamos é verdadeiro? Será que as vezes não criamos altas expectativas com as pessoas que amamos, e queremos obrigar as mesmas a serem quem esperamos, e então esquecemos de conhecer o mais profundo delas?

Quando vamos começar a enxergar as pessoas como janelas? E não como espelhos? Não como reflexos do que queremos ou esperamos? Pois, é na busca pela compreensão do outro que concluímos quem nós somos. Paremos para pensar: o modo como vejo o mundo, e as pessoas, não reflete exatamente como sou?

São perguntas que ao decorrer da leitura podemos nos fazer. Acredito que é que na busca pelo outro que podemos encontrar a nós mesmos. É isso é perfeitamente exposto na história. Na busca por Margo, Quentin se descobre mais corajoso, mais desinibido, e mais aberto ao que o mundo pode dar a ele. Ao descobrir quem era a verdadeira Margo, ele descobre quem era o verdadeiro Quentin.

As pessoas que passam por nossas vidas, tiram muitas coisas de dentro de nós, boas e ruins. Elas nos tocam, e as vezes fazem-nos olhar para o mais dentro de nós possível. Algo que sozinhos não poderíamos. Mas isso não significa que elas ficam para sempre. As pessoas se vão, pessoas não ficam juntas, e dói. Dói por que é importante. Dói por que contraria nossas expectativas, e poxa, por que vivemos com expectativas? Elas servem na maioria das vezes para não serem alcançadas. E a culpa de elas não serem alcançada é nossa, por termos criado as mesmas. Existem pessoas que eu gostaria com todas as minhas forças que tivessem continuado ao meu lado, Deus sabe como. E não há uma noite em que eu não ponha a cabeça no travesseiro e pense: por que não a tenho mais? Mas Quentin explica isso.

"Mas as coisas vão acontecendo… as pessoas se vão, ou deixam de nos amar, ou não nos entendem, ou nós não as entendemos… E nós perdemos, erramos, magoamos uns aos outros. E o navio começa a rachar em determinados lugares. E então, quando o navio racha, o final é inevitável. (…) Mas ainda há um momento entre o momento em que as rachaduras começam a se abrir e o momento em que nós rompemos por completo. E é nesse intervalo que conseguimos enxergar uns aos outros. "

Não os temos mais por que foi-se a hora. A vida não é cor-de-rosa. Mas o importante é que apesar de tudo, tivemos a chance de enxergar um ao outro. Sem idealizações. Apenas nós, pelas rachaduras. E então, tudo se rompe. E a vida continua. Mas a gente sabe que não foi em vão. Por que em meio a tudo isso, a gente se descobriu também.

E é por isso que o livro se mostra tão encantador. Por que o fim nem sempre é regado de açúcar. As vezes ele é regado de descobertas sobre si e sobre o mundo ao redor. Ele é regado pela percepção do mundo e das coisas. Ele é regado de esperança, mas não de expectativas. Ele é regado afinal, de um conjunto de coisas que nos levam a um novo começo. Sempre.


Beatriz Rodrigues

Estudante dos números e códigos, e apaixonada pelos mistérios do coração. .
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