Poliane Teixeira

Louca apaixonada pela vida, pelas pessoas e principalmente pelos animais. Ariana nata, derretida pior do que manteiga. Riso fácil e gargalhada frouxa. Impulsiva mais do que eu gostaria. Tenho um relacionamento sério com filmes e séries, cobertor, travesseiro e dormir de conchinha. Apaixonada por São Paulo e por viagens. Boa ouvinte de mesa de bar, degustadora de cerveja barata, viciada em comida e admiradora da música popular brasileira e cinema nacional.

É preciso dor

Sobre memórias e dores que te impulsionam. A dor faz com que eu me sinta mais viva, é como se eu sentisse meu coração batendo mais forte, sentir a dor me faz criar, me faz ter ideias, me faz inventar, me impulsiona, me faz aprender. Sentir a dor me fez buscar uma força que eu jamais soube que eu tinha, é buscar dentro do meu interior uma pessoa que há tempos não aparecia.


1358527924_1.jpg

De repente eu abri os olhos me senti o protagonista de "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças". Essa sensação de impotência e a vontade desesperada de recorrer a uma clínica que seja capaz de apagar todas as memórias vividas por nós, recorrer a qualquer coisa que possa aliviar esse sentimento de desespero, de medo, de abandono, de solidão.

Eu olho em minha volta e tem você em absolutamente tudo, tudo me lembra de nós e ao mesmo tempo que dói tanto essas memórias, é a única coisa que eu tenho pra me segurar, pra me confortar, pra mostrar que de alguma forma você ainda está por aqui. É exatamente viver aquela cena em o que Joel após descobrir que Clementine o apagou de sua memória e ter um surto, buscar essa mesma ajuda pra esquecê-la. Conforme o procedimento vai sendo feito através de um aparelho para deletar todas as lembranças, vir à tona tudo de uma vez, um pouco conturbado, um pouco perdido entre o tempo e o espaço.

Pro protagonista vem as imagens de um dia de conversa e descobrimento em meio a um dia frio de neve, pra mim é o oposto: vem imagens de praia, de sol ardendo, de céu estrelado. Os climas são diferentes, mas eu tenho certeza que a dor é exatamente igual, o desamparo, a falta de um chão pra pisar, a angústia, o medo do desconhecido que outrora fora tão íntimo. É inevitável que as lágrimas não caiam, a cada fleche de lembrança eu sofro tudo de novo e fico desejando que seja um pesadelo que vai passar e eu vou acordar aos prantos, mas que vai passar. Só que não passa, parece que só piora, que a cada segundo a dor só aumenta.

Thumbnail image for tumblr_m81sceAVCZ1qbwxizo1_500.png

E como lidar? Alguns dizem que não é o fim do mundo, mas eu tenho certeza de que eles nunca se sentiram dentro desse filme, é a sensação de fim do mundo sim, é como a dor de um luto, em que você sabe que a pessoa estava próxima o tempo todo, mas que talvez você não tenha conseguido demonstrar ou viver com ela tudo que desejou e que de repente ela partiu, e por mais que você peça e faça todas as promessas a todos os deuses do mundo, ela não vai voltar.

Agora cabe a você aprender a lidar com isso. Aprender a se reencontrar, se reestruturar, tentar colocar todos seu sofrimento no papel pra ver se assim alívia, cabe a você chorar tanto a ponto de sentir que uma hora vai secar, cabe a você sangrar por dentro, fingir sorrisos, fingir interesse no que as pessoas conversam com você quando a vontade é de se enfiar na sua cama, embaixo de um edredom e tentar dormir, mas como faz sem nem nos meus sonhos eu posso ter paz? Se em todos eles você aparece tão nítido? Mas você simplesmente não pode fugir e então como lidar?

Comecei aceitando a dor, é até irônico como de uma coisa tão ruim podem surgir outras tão boas, sentir a dor faz com que eu me sinta mais viva, é como se eu sentisse meu coração batendo mais forte, sentir a dor me faz criar, me faz ter ideias, me faz inventar, me impulsiona, me faz aprender. Sentir a dor me fez buscar uma força que eu jamais soube que eu tinha, é buscar dentro do meu interior uma pessoa que há tempos não aparecia. É preciso que haja dor, pra que possa sarar. Sentir a dor é acreditar que assim como no filme, nossos destinos e o nosso amor seja tão forte que nos tenhamos sim o mesmo norte, e nos encontraremos quantas vezes forem necessárias no trem que é a vida.

"Deixe-me ficar com essa lembrança, por favor, só essa".


Poliane Teixeira

Louca apaixonada pela vida, pelas pessoas e principalmente pelos animais. Ariana nata, derretida pior do que manteiga. Riso fácil e gargalhada frouxa. Impulsiva mais do que eu gostaria. Tenho um relacionamento sério com filmes e séries, cobertor, travesseiro e dormir de conchinha. Apaixonada por São Paulo e por viagens. Boa ouvinte de mesa de bar, degustadora de cerveja barata, viciada em comida e admiradora da música popular brasileira e cinema nacional..
Saiba como escrever na obvious.
version 4/s/recortes// @obvious //Poliane Teixeira