Poliane Teixeira

Louca apaixonada pela vida, pelas pessoas e principalmente pelos animais. Ariana nata, derretida pior do que manteiga. Riso fácil e gargalhada frouxa. Impulsiva mais do que eu gostaria. Tenho um relacionamento sério com filmes e séries, cobertor, travesseiro e dormir de conchinha. Apaixonada por São Paulo e por viagens. Boa ouvinte de mesa de bar, degustadora de cerveja barata, viciada em comida e admiradora da música popular brasileira e cinema nacional.

Sobre saudade

O que dói não é a saudade de lembranças, de afeto ou de tê-la por perto e sim a saudade de algo que não aconteceu, dói essa saudade de só poder imaginar como a vida estaria com você fazendo parte dela.


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Ela foi uma das maiores guerreiras eu já conheci ou ouvir falar. Ela veio do nordeste, com sangue indigena, ela se virou sozinha, ela teve que sacrificar uma parte da maternidade, deixando as filhas sendo criadas com sua mãe, mas sempre trabalhando duro pra reverter a situação Ela nunca teve medo de viver, de desafios e tão pouco do machismo de ser uma mãe solteira. Ela construiu tudo da maneira mais difícil, sem um afago e ainda assim manteve sua integridade intacta. Ela quem tinha o abraço mais quente e as palavras mais duras e verdadeiras quando era necessário ser firme. Ela nos deu colo, mesmo que por diversas vezes ela também estivesse precisando de um. Ela foi uma mãe para todos e mesmo nos dias mais difíceis ela não se deixou abater. Ela quem tomou as decisões mais difíceis a serem tomadas e lutou bravamente até o fim, sem nunca sequer reclamar ou se perguntar “Por que comigo?”. Ela com certeza tinha um propósito muito maior em sua vinda e nos trouxe fé pra acreditar que a vida tem que continuar e que mesmo as batalhas são duras, com luta a gente vence.

Essa semana aconteceu algo um pouco fora do comum, em meio a tanto caos algo me trouxe uma calmaria que não sentia há tempos. Apareceu um passarinho lindo, pequeno mas imponente, ele passou a tarde em casa, mesmo com tudo aberto. Demos comida, água, ficamos encantadas observando o seu voou, nas horas que falávamos com ele ele parecia nos compreender, ficava lá quietinho só ouvindo. A noite foi se aproximando e ele saiu da cozinha, vem um voou pro quintal, ficou por lá mais um tempo, depois retornou à cozinha como quem quisesse se despedir, e se foi. Voou alto, voou pra longe. Hoje fazem duros onze anos que você partiu e não há nenhuma maneira que faça com que as lágrimas não caiam, não há uma maneira de não sentir esse vazio que você deixou, não tem jeito de não sentir saudade.

O que dói não é a saudade de lembranças, de afeto ou de tê-la por perto e sim a saudade de algo que não aconteceu, dói essa saudade de só poder imaginar como a vida estaria com você fazendo parte dela. Isso é o que fere, é ter que usar a imaginação e ter que aceitar que pelo menos nessa vida terei que me confortar com as memórias do que teria sido com você aqui. O pássaro veio como você sempre vinha, nos acalmou, nos transpassou uma paz impossível de descrever e se foi. Voou de uma maneira limpa, bonita, breve, intensa assim como você. E por mais que eu tente nenhuma palavra jamais vai representar o que você é pra mim. Voa passarinho, mas apareça de vez em quando pra nos confortar.

"À sós nesse mundo incerto, peço ao anjo que me acompanhe. Em tudo eu via a voz de minha mãe, em tua eu via nós".


Poliane Teixeira

Louca apaixonada pela vida, pelas pessoas e principalmente pelos animais. Ariana nata, derretida pior do que manteiga. Riso fácil e gargalhada frouxa. Impulsiva mais do que eu gostaria. Tenho um relacionamento sério com filmes e séries, cobertor, travesseiro e dormir de conchinha. Apaixonada por São Paulo e por viagens. Boa ouvinte de mesa de bar, degustadora de cerveja barata, viciada em comida e admiradora da música popular brasileira e cinema nacional..
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