Poliane Teixeira

Louca apaixonada pela vida, pelas pessoas e principalmente pelos animais. Ariana nata, derretida pior do que manteiga. Riso fácil e gargalhada frouxa. Impulsiva mais do que eu gostaria. Tenho um relacionamento sério com filmes e séries, cobertor, travesseiro e dormir de conchinha. Apaixonada por São Paulo e por viagens. Boa ouvinte de mesa de bar, degustadora de cerveja barata, viciada em comida e admiradora da música popular brasileira e cinema nacional.

O Quarto de Jack - sobre o amor de mãe, o mais puro

O filme nos faz refletir sobre nossos laços consanguíneos, sobre todas as vezes em que nossa mãe nos deu algum conselho e ousamos não ouvir e depois elas disseram "eu avisei", nos faz refletir sobre essa conexão maluca de nossas mães saberem o que estamos pensando antes mesmo de falarmos. Nos faz refletir sobre o amor mais sincero e puro que há, que não te questiona ou faz cobranças desnecessárias, ou toma alguma atitude com más intenções. E que nos protege acima de qualquer coisa, e que é capaz de passar por cima de todos para nos defender.


o-O-QUARTO-DE-JACK-ROOM-facebook.jpg

Eu sei que o filme é de 2015 e talvez eu esteja um pouco atrasada pra falar a respeito dele, mas é um filme que na época eu assisti e mexeu comigo de tal maneira que eu não podia simplesmente escrever a respeito, pois foi pesado demais pra mim.

O Quarto de Jack conta a história de Joy, uma garota que aos 17 anos foi sequestrada e desde então vive num galpão minúsculo, até aí seria mais um filme de drama envolvente se não fosse pelo fator principal: Jack.

Joy está sequestrada há sete anos, e durante esse tempo o seu sequestrador abusa dela, assim Joy tem Jack, um lindo menino ingênuo com cinco anos. Joy com o seu instinto maternal e o seu amor puro cria um mundo ilusório para o garotinho viver e não entender que eles estão dentro de um galpão, numa realidade horrível. Joy, faz Jack pensar que no mundo só existem eles dois e o "velho Nick" - sendo esse, o sequestrador, que Joy jamais deixa se aproximar de Jack, sempre o colocando pra dormir dentro de um armário quando ele chega durante às noites, para evitar qualquer tipo de contato. Joy cria fantasias na mente de Jack de que o galpão em que eles vivem é um quarto, dentro desse cubículo há uma cama, e algumas coisas como cadeiras e televisão, então Joy cria a ilusão para Jack de que que as coisas e até mesmo as pessoas da televisão são todas de mentira. É apenas tudo fantasioso.

O filme vai se passando e passando e o telespectador vai ficando angustiando com a trama, quer entrar da tela e salvar aquela mãe e a criança, até que Joy tem uma ideia de fingir que Jack morreu de febre, assim não dando alternativas para o sequestrador levar o corpo embora. Joy combina tudo com Jack antes, de ele se desenrolar do tapete e pular da caminhonete e pedir por socorro e dizer que é o filho dela. - Afinal, todos da cidade, conhecem a história da garota que foi sequestrada anos atrás.

Essa é uma cena bem marcante, afinal, Jack nunca teve contato com o mundo exterior. Ele nunca viu outras pessoas, tampouco sabe distinguir realidade de fantasia. O plano dá certo.

tumblr_o2uuqqYVpt1qd6icvo1_1280.png

A questão principal que o filme aborda que mais me emociona é: o laço materno. Joy teve o filho com um abusador e mesmo assim o amou, e o protegeu. E quando questionada se pensou em dar o filho ao sequestrador para entregar a algum tipo de adoção, ela disse que jamais, pois o filho era somente dela. Que nunca houve uma relação paterna.

O filme nos faz refletir sobre nossos laços consanguíneos, sobre todas as vezes em que nossa mãe nos deu algum conselho e ousamos não ouvir e depois elas disseram "eu avisei", nos faz refletir sobre essa conexão maluca de nossas mães saberem o que estamos pensando antes mesmo de falarmos. Nos faz refletir sobre o amor mais sincero e puro que há, que não te questiona ou faz cobranças desnecessárias, ou toma alguma atitude com más intenções. E que nos protege acima de qualquer coisa, e que é capaz de passar por cima de todos para nos defender.

O Quarto de Jack é um filme muito pesado para mim porque mesmo sem ter filhos eu tenho empatia pela dor de uma mãe ter que criar seu filho durante cinco anos em torno de uma mentira para o proteger. Só o amor de uma mãe é capaz de tal ato, e eu jamais ouso julgar de quais maneiras isso é necessário ser feito.

tumblr_o4piz1AHJK1u8vx6ao1_1280.jpg


Poliane Teixeira

Louca apaixonada pela vida, pelas pessoas e principalmente pelos animais. Ariana nata, derretida pior do que manteiga. Riso fácil e gargalhada frouxa. Impulsiva mais do que eu gostaria. Tenho um relacionamento sério com filmes e séries, cobertor, travesseiro e dormir de conchinha. Apaixonada por São Paulo e por viagens. Boa ouvinte de mesa de bar, degustadora de cerveja barata, viciada em comida e admiradora da música popular brasileira e cinema nacional..
Saiba como escrever na obvious.
version 13/s/cinema// @obvious, @obvioushp, @obvious_escolha_editor //Poliane Teixeira
Site Meter